Yasmin Sewell: A Mulher Com Um dos Currículos Mais Invejados no Mundo da Moda

E tem estilo para dar e vender. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagem: © Mango e Imaxtree.

Yasmin Sewell será provavelmente uma das mulheres com um currículo (e com um armário) mais invejado na indústria da moda. Apesar de ter nascido e crescido na Austrália, foi em Londres (Reino Unido) que a sua carreira floresceu e deu frutos.

A convite da Mango, estivemos com esta influencer em Madrid, onde conversámos sobre o seu percurso, a sua relação com a moda, a maternidade, e o seu papel enquanto Mango Girl.

ELLE: Como é que tudo aconteceu na tua vida. Como é que uma jovem australiana tem uma carreira tão rica, ao ponto de se tornar Diretora de Moda da Farfetch (o teu último trabalho)?

Yasmin Sewell: Ok, vou tentar fazer um pequeno resumo. Eu mudei-me para Londres quando tinha cerca de 19 ou 20 anos. Assim que cheguei passei algum tempo a tentar perceber como é que me podia envolver na indústria da moda, e por isso, comecei por trabalhos como estagiária e assistente em revistas de moda (eu era uma excelente assistente). Depois abri a minha própria loja porque queria fazer algo diferente, criar, ter um serviço que tivesse por base descobrir novos talentos e novos designers. E são estas duas coisas que eu considero como sendo a base de toda a minha carreira, porque desenvolveu a minha capacidade de encontrar talento (nessa altura tinha por volta de 22 anos),algo que acabou por ser o que fiz ao longo de toda a minha carreira. Eventualmente tive de regressar à Austrália, mas voltei para Londres passado algum tempo quando me foi oferecido o trabalho de Diretora de Buying na Browns, e isso só aconteceu porque a dona da Browns adorava a minha loja

 

Sim até porque a tua loja era bastante popular…

Sim, e por isso, ela convidou-me para fazer esse trabalho. Nessa altura eu tinha 29 anos e estive lá três anos. Depois comecei a trabalhar como consultora para a Liberty, e foi aí que decidi abrir a minha própria agência. Lá eu trabalhava como consultora, e trabalhei com várias marcas e lojas como por exemplo a Chloé, Mulberry, Hermès, lojas coreanas, e o Moda Operandi (que ajudei a lançar). Acho que ao longo de 10 anos trabalhei com cerca de 60 clientes. Durante essa altura tornei-me mãe também. Eventualmente decidi fechar a minha agência para abraçar o Style.com, algo que eu pensava que ia ser uma coisa muito grande – o que não aconteceu – e depois apareceu a Farfetch. A Farfetch comprou parte do Style.com e nesse momento o José (Neves) convidou-me para ir para lá trabalhar. Aceitei, e estive lá um ano e meio, e depois decidi que queria fazer outras coisas minhas. Então agora, além de esta parceira com a Mango, estou a tirar um tempo, e depois vou voltar com algo meu.

 

E foi difícil gerir o teu tempo e carreira tendo em conta o teu papel de mãe?

Bem para mim foi mais fácil, porque eu engravidei e tornei-me mãe quando tinha a minha própria agência, e isso foi o melhor para mim, porque podia gerir o meu próprio tempo. Durante o período de três anos em que trabalhei para o Style.com e para a Farfetch não foi tão fácil, não tinha tanta liberdade. Eu tinha de estar lá, e gerir uma equipa enorme, e não tinha flexibilidade de estar com os miúdos. Para mim funciona melhor ser a minha própria chefe.

 

Mas chegou acontecer alguma vez sentires a pressão da sociedade para seres uma boa mãe? E digo isto porque normalmente a sociedade exige mais das mulheres do que dos homens.

Não, por acaso não. Eu acho que quem fez isso fui eu, porque tal como a maior parte dos pais eu estou tipo: como é que posso ser melhor este aspeto; será que estou presente o suficiente; será que dou a atenção suficiente. Por isso acho que essa pressão foi sempre mais imposta por mim.

 

Consegues dizer em que momento apareceu a tua paixão por moda?

Eu era uma criança. Tenho algumas memórias disso. Eu não cresci numa família que era muito ligada a moda, percebes? Como costumo dizer, eu não cresci com a carteirinha Chanel da minha mãe. Eu não sabia nada de moda. Comecei a ver coisas do Jean Paul Gautier quando era nova, e eu gostava, mas não tinha o conhecimento ou sensibilidade. E para além disso eu cresci nos subúrbios de Sidney, com os meus pais Libaneses que eram cabeleireiros, por isso, ver o amor que a minha mãe tinha por moda, ou por vezes vê-la a fazer as suas próprias roupas, fez despoletar isso. Já para não falar que eu amava ir com ela a lojas de roupa. Eu amava isso. Mas ainda que amasse faltava-me o conhecimento. Só quando comecei a trabalhar por volta dos 15/16 anos (eu deixei a escola cedo) é que percebi que realmente amava moda. E o resto é história.

 

Começaste a trabalhar com a Mango há cerca de dois três anos. Como é agora a tua relação com a marca?

Agora é como se fossemos uma família. Acho que foi o ano passado, que depois de ter trabalhado com eles anteriormente, que eu me apercebi da ligação que nós temos, por estarmos a trabalhar juntos há tanto tempo, e depois por nos encontrarmos nestes eventos especiais, e eu realmente comecei a apreciar o quão bons eles são. Por isso agora é como se fizesse parte desta família espanhola.

 

Então posso dizer que gostas das roupas, certo?

Sim, eu adoro as roupas. Mesmo quando não estou num evento deles, eu uso-as. E além disso acho que as campanhas que eles têm feito para as apresentar são realmente bem feitas, com um elevado nível de qualidade.

 

Antes de acabarmos a entrevista cria então pedir-te para partilhares três dicas de estilo.

A primeira é: conhece o teu corpo. Porque tens que realmente conhecê-lo para perceber o que é que pode ficar bem. Assim é muito mais difícil cometeres erros. Depois disso, acho que deves correr riscos, e experimentar coisas novas. E para finalizar, acho que é para as pessoas se divertirem. Estamos a falar de moda e é suposto ser divertido.

 

E para finalizar três dicas de carreira

Acho que a primeira é: não sejas arrogante. Se deres por ti a seres arrogante, tenta apenas ouvir e aprender, e respeita as pessoas. Sempre. Independentemente da idade. Depois tenta encontrar algo que realmente gostes de fazer. Porque se isso acontecer vai ser melhor para ti e vais ter mais facilidade em fazê-lo e em desenvolver a tua carreira por tu vais gostar e vais te tornar melhor. E para finalizar…. Sabes eu acho que vou ficar só por estas duas, porque acho que são verdadeiramente os essenciais.