Tommy Hilfiger Fala Sobre os Desafios da Indústria na Era Digital

Na semana de Moda de Milão entrevistámos aquele que continua na linha da frente dos designers americanos. Por: Sandra Gato -- Imagens: © Imaxtree.

Antes do desfile com as propostas para a primavera – com o tema Drive e a última coleção desenhada em parceria com Gigi Hadid – conversámos com Tommy Hilfiger no seu showroom em Milão. Sempre rigoroso e profissional, o grande gentlemen do design americano mostrou-nos, mais uma vez, porque continua no pódio da moda internacional.

Temos necessariamente que começar por falar nas mudanças que estão a atingir o mundo da moda. Na indústria há tanto tempo, qual é a sua leitura de tudo isto? 

Fico sempre muito feliz com a mudança. É evolução. Só temos a perder se não evoluirmos. Gosto de estar numa posição em que tenho de abraçar a tecnologia e pensar em novas formas de vender roupa.

A tecnologia é o grande desafio. Até nas vendas, é isso?

Vamos sempre precisar de lojas, de tocar e sentir as peças. Mas há mais. O See Now Buy Now não vai voltar atrás. As pessoas querem ter logo as peças que estão a ver.

E o que pensa das marcas de luxo? A moda democratizou-se mas o desejo pelo luxo mantém-se.

E vai continuar. As marcas de luxo aproximaram-se da rua mas têm o seu lugar neste mundo. Cada vez mais as pessoas misturam as marcas de rua com as de luxo. O que interessa é o individualismo.

Falando agora da colaboração com a Gigi Hadid. Esta foi a última. O que acha que ela trouxe à marca?

Trouxe um público mais jovem e o fator cool, fundamental nas redes sociais. E autenticidade, porque ela desenhou mesmo connosco. Esta é a quarta coleção com ela, um sucesso incrível. Mas temos de avançar.

E porquê a Gigi?

Senti que era a pessoa certa.

Das quatro coleções, qual acha que funcionou melhor?

Esta vai ser a melhor. Reúne todos os elementos.

Estas parcerias vão continuar?

Digo apenas que vamos ter algo muito entusiasmante. Ainda não posso adiantar mais.

Todos conhecemos os valores sobre os quais acenta a marca. Algum que gostaria de sublinhar?

Seremos sempre classic american with a twist. Olharemos sempre para o produto como sendo essencial. Corte, qualidade e preço são muito importantes para nós. Mas também ter um marketing diferenciador e autenticidade. E algo fundamental: we give back. Contribuímos para instituições humanitárias. E temos roupa para pessoas com necessidades especiais. Não falamos muito disso mas é uma realidade. Mesmo em termos ecológicos, usamos materiais orgânicos e reciclados, apostamos na sustentabilidade. São valores de base que o consumidor quer conhecer.

Acha que esses valores, mas também a capacidade de acompanhar os tempos, são em parte a razão de ser de uma carreira tão longa e bem sucedida como a sua?

Acredito que sim.

E também o facto de ser uma marca familiar. E feliz?

Sim, positiva.

Como define este desfile?

Velocidade. Carros. Muita cor. Logos. Tecidos tecnológicos…

Um grande espetáculo, não apenas um desfile.

Um desfile tem de ser único e especial. Uma experiência que não se vai ter em nenhum outro lugar. Tem de ser assim. Se forem só modelos a andar para cima e para baixo vamos adormecer!

As ideias para os shows são suas?

Sim, tenho uma ideia e a minha equipa faz acontecer.

Coordena tudo?

Delego. Há projetos em que estou mais envolvido.

E acessórios?

Em alta! É um fenómeno recente mas imparável.

Para acabar: Já cá anda há uns bons tempos, onde gostaria de ver a marca daqui a uma década?

Na China. É onde o negócio vai estar no futuro. São milhões de consumidores.

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de maio de 2018.