Cinco Celebridades Partilham a Sua Luta Por Um Planeta Mais Amigo do Ambiente

De Matt Damon a Zac Efron. Por: Virginie Dolata & Georgina Johnston-Watt, Imagens Cortesia de: Water.Org - Georgia Fowler/IMG &Project Zero - Earth Day - DR.

No passado mês de abril, celebrámos o 50.º Aniversário do Dia da Terra. Num momento que exige reflexão sobre as nossas ações e o impacto que elas têm no mundo, a ELLE falou com algumas das celebridades que, em conjuntos, com organizações, estão a iniciar as conversas que têm que existir, desde a sustentabilidade na Moda a como proteger os nossos oceanos.

Matt Damon 

É também produtor, argumentista e cofundador da Water.ORG, Matt Damon é um verdadeiro homem renascentista do século XXI. Há quinze anos atrás, dedicou-se à tarefa de combater a falta de saneamento e o acesso a água potável e, desde então, nunca mais parou. Sem mais demoras, que entre Matt Damon.

«Acho que para se fechar o ciclo da pobreza de populações do mundo inteiro, é preciso começar pelo acesso a água. Sem ela, ninguém consegue sobreviver.»

O que o fez criar esta ONG?

Quando fiz uma pesquisa sobre os assuntos mais problemáticos do mundo, percebi que as questões de acesso a água potável e a saneamento básico eram a solução para muitos problemas. Enquanto filmava na África subsariana, passei uma temporada com algumas famílias de uma vila da Zâmbia, e assistir às suas lutas diárias inspirou-me a ajudar e a tentar resolver esses problemas através do meu trabalho na Water.ORG.

Quais são os seus principais objetivos e projetos atuais?

Atualmente a nossa ONG conseguiu ajudar mais de 25 milhões de pessoas dando-lhes acesso a água potável e a saneamento básico, e não fazemos intenção de parar. O nosso objetivo é continuar a aumentar o financiamento para estas duas questões, para que mais pessoas carenciadas possam ter este problema fundamental resolvido e para que, assim, o mundo se possa aproximar do seu objetivo global de dar acesso a todos (água e saneamento básico) até 2030.

Qual foi a situação mais difícil que testemunhou enquanto ativista ambiental?

Há cerca de seis anos atrás estive no Haiti. Lá conheci uma jovem rapariga de 13 anos que passava cerca de três a quatro horas por dia a coletar água para levar para a sua família, porque não tinham acesso a ela em casa. As crianças como ela não deviam ter de suportar a carga deste tipo de tarefas. Elas deviam estar a brincar na escola, e não a carregar pesados recipientes de água trazidos de rios ou de lagos.

… E a que o deixou com mais esperança?

Então, essa mesma jovem agora tem acesso a água. Ao longo dos primeiros anos na Water.ORG, conseguimos que a sua família tivesse acesso a água em casa. Quando lhe perguntei o que ela faz agora, que não tem de perder horas a ir buscar água, todos os dias, ela respondeu «vou brincar». Esse foi um momento impactante para mim.

Na sua perspectiva, como é que a forma de debater temas ambientas, mudou ao longo dos últimos anos?

Acho que o mundo está finalmente a acordar. Ainda temos muito trabalho pela frente para fazer, mas falar de coisas como acesso a água e a saneamento básico para as pessoas que vivem no limiar da pobreza faz com que iniciemos conversas importantes com os líderes mundiais sobre como alcançar a grande meta do desenvolvimento sustentável. Até porque, está provado, esse objetivo só se consegue concretizar se existir acesso universal a água e a saneamento. De acordo com o último relatório, o mundo está no caminho certo para lá chegar. Vai custar cerca de 114 biliões de dólares por ano, entre agora e 2030, para que isso seja uma realidade. Um valor que é três vezes superior ao que se está atualmente a gastar. É aqui que entra a Water.ORG. Nós temos uma forma de resolver o problema da falta de fundos. Através do acesso a financiamento, podemos empoderar milhões de pessoas carenciadas com água e saneamento.

Se fosse o ‘Presidente do Planeta Terra’ que leis criaria ou a que artigos optaria por dar mais ênfase para tornar o mundo num melhor lugar para todos vivermos?

Acho que, para se fechar o ciclo da pobreza nas populações do mundo inteiro, é preciso começar pelo acesso a água. Sem ela, ninguém consegue sobreviver. Por isso, se eu fosse ‘Presidente do Planeta Terra’ fazia com que todos terem acesso a água fosse a grande prioridade.

 

Lily Cole

Modelo, atriz, estudante, designer, empresária, mãe, dona de uma livraria e autora de um livro (com o título Who Cares Wins) que será brevemente publicado. Nestes últimos 15 anos, Lily Cole tem trabalhado com a Environmental Justice Foundation e a World Wildlife Fund para tornar o mundo mais «green».

«A natureza oferece todas as soluções que precisamos para esta crise – só precisamos de a respeitar e fortalecer.»

 O que é que a fez abraçar esta organização e esta causas?

Eu sou uma ambientalista apaixonada, mas também estou, como é claro, muito envolvida com a indústria da moda, por isso as campanhas da EJF em torno dos aspetos problemáticos do meio, ressoaram em mim. Também tenho trabalhado com eles em situações de crises climáticas, ajudando a dar mais ênfase à quantidade de refugiados que saíram dos seus países devido a questões ambientais, e consciencializando o mundo para produtos como o esqualeno, que é retirado do fígado dos tubarões para que se possam criar cremes de rosto.

Quais são os seus principais objetivos e projetos atuais?

A EJF acredita que a segurança ambiental é um direito humano básico. As suas atuais campanhas centram-se em torno dos oceanos, crises climáticas, moda sustentável e proteção das florestas mundiais. Neste processo eles conseguiram mostrar casos sistemáticos de destruição de ecossistemas marinhos no mundo inteiro, e a forma chocante como muitas empresas colocam em causa direitos humanos.

Neste percurso, qual foi a situação que lhe deu mais esperança?

Tenho tido tão bons exemplos: desde as cadeias de distribuição de algodão orgânico, aos produtos de manteiga de karité da Body Shop – que são feitos à mão, por mulheres, em pequenas vilas, na zona norte do Gana – à  criação de borracha selvagem a partir das resinas das árvores da Amazónia. Também fiquei impressionada com o trabalho da World Land Trust, que protege os corredores de floresta que acompanham as migrações naturais de elefantes e tigres na Índia.

Na sua perspetiva, como é que a forma de debater os temas ambientais mudou ao longo dos últimos anos?

Tem sido extraordinário acompanhar a mudança. Quando comecei a trabalhar com a EJA, há 15 anos, os problemas relacionados com a sustentabilidade pareciam secundários. Claro que agora se fala mais porque estas questões ganharam mais importância com o aumento das crises climáticas. Mas tem sido inspirador ver como novos movimentos estão a emergir e como mais políticos e empresas estão empenhados nestas causas.

Se fosse a ‘Presidente do Planeta Terra’ a que leis gostaria de dar mais ênfase para tornar o mundo num melhor lugar para se viver?

Devemos avançar rumo à sustentabilidade económica que coloca o ambiente no centro da mesa. Obrigava as empresas a pagar pelo que poluem; tentaria redirecionar os subsídios para agricultores, pagando-lhes por serviços prestados ao ecossistema… A natureza oferece todas as soluções que precisamos para esta crise – só precisamos de a respeitar e fortalecer. O aquecimento global já está em andamento, por isso precisamos de pensar em conjunto em como nos podemos adaptar e arranjar soluções para o enfrentar.

 

Georgia Fowler

É um dos maiores nomes da moda e nunca perde uma oportunidade para falar sobre a proteção da vida marinha aos seu milhão de seguidores. É embaixadora do Projeto Zero e acredita piamente que o Dia da Terra deveria ser celebrado todos os dias.

«Se conseguirmos proteger 30% dos oceanos até 2030, teremos a hipótese de criar um futuro sustentável.»

Como se envolveu com o Project Zero?

Cresci na Nova Zelândia, e tive a sorte de viver junto à praia, o que criou em mim uma ligação forte à natureza do meu país. Isto fez com que ganhasse um respeito enorme pela Mãe Natureza e percebesse a forma como as mudanças climáticas a afetam. Então decidi que tinha a responsabilidade de trabalhar numa organização como a Project Zero. Ela funciona como uma espécie de voz do oceano, falando dos efeitos devastadores da poluição, das mudanças climáticas e da pesca.

Qual foi a pior situação que testemunhou enquanto ativista?

Que apenas 2% do oceano está a ser protegido, e que apenas 3% do dinheiro angariado por ONGs é direcionado para o ambiente – e que dessa pequena parte, apenas uma porção ainda menor vai para os oceanos. No entanto devemos ao oceano cada expiração que damos. Se não fizermos nada, mais de metade da vida selvagem do planeta vai desaparecer até ao final do século.

E a que lhe deu mais esperança?

Os cientistas dizem que se pudermos proteger 30% dos oceanos até 2030, teremos a oportunidade de criar um futuro sustentável para o nosso planeta. Algumas coisas que eu adorava que todos fizessem: que limitassem o uso de plástico descartável, que se educassem, que questionassem marcas que não agem de forma sustentável, que limitassem a ingestão de carne, que fizessem boas escolhas e que diminuissem a sua pegada de carbono ao viajar.

Se fosse a ‘Presidente do Planeta Terra’ a que leis gostaria de dar mais ênfase para tornar o mundo num melhor lugar para se viver?

Eu pararia de ignorar os factos da ciência e protegeria os oceanos do mundo. Alocaria mais dinheiro a causas ambientais, apoiaria descobertas de novas fontes de energia renovável e incentivaria todos os indivíduos a envolverem-se para que possamos mudar a história.

Zac Efron

Desde a altura em que apareceu nos nossos ecrãs como Troy Bolton em High School Musical ou como o serial killer Ted Bundy, o ator tem-se destacado pela versatilidade e, agora maturidade, que imprime ao seu trabalho. Aventureiro assumido, Zac Efron juntou-se à Earth Day no ano da comemoração do seu 50.º aniversário para incentivar as pessoas de todo o mundo a proteger o nosso planeta.

«Ninguém é demasiado jovem ou demasiado velho para fazer a diferença.»

O que o levou a envolver-se com esta fundação ambiental?

Adoro viajar e passar tempo a explorar novos destinos. Foram estas experiências que me fizeram estabelecer uma ligação muito real com a natureza e era importante para mim associar-me a uma organização que me permitisse ajudar o meio ambiente e comunidades por todo o mundo. A rede Earth Day foi o par perfeito para mim. Estou a trabalhar com eles na campanha Great Global Cleanup, que tem como objetivo eliminar grande parte do lixo das praias e cidades de todo o mundo. Enquanto atacamos a poluição provocada pelo plástico, também estamos a consciencializar as pessoas para o consumo excessivo.

Qual foi a pior coisa que já testemunhou no seu percurso de ativista ambiental?

As múltiplas mudanças ambientais que aconteceram bem perto de mim. O lixo espalhado nos trilhos junto à minha casa, as garrafas de plástico que encontro no oceano quando vou à praia… Ver este nível de destruição deixa-me muito zangado e assustado. Especialmente se pensar nos ecossistemas que estão a sofrer com isto e que não se sabem defender.

…E a melhor coisa a que já assistiu?

Inspiro-me na forma como todos se juntam para apoiar estes esforços feitos em prol do meio ambiente. Ninguém é demasiado jovem ou demasiado velho para fazer a diferença. Espero que estas ações inspirem outros. É uma oportunidade para milhões de pessoas por todo o mundo participarem em ações ambientais coletivas, sendo que cada um se pode envolver à sua maneira.

Sente que houve mudança nas discussões sobre os vários problemas ambientais nos últimos anos?

Hoje em dia, através da tecnologia e das viagens, o mundo está cada vez mais conectado e, também, mais exposto. Todos nós somos testemunhas de como cada uma de nossas ações pode afetar o nosso planeta. Quanto mais pessoas perceberem as consequências das suas ações, mais podemos fazer para alterar as coisas. Especialmente nas redes sociais, é muito fácil promover essa consciencialização, tanto nas pessoas que nos são mais próximas como na comunidade em geral.

 

Shailene Woodley 

Além de ser uma das atrizes favoritas de Hollywood, Shailene Woodley também é uma ativista apaixonada. Cofundadora da All It Takes, que promove uma liderança positiva e sustentável, Woodley acredita que a empatia essencial ao abordar questões climáticas – algo que também se reflete no seu trabalho com a Conservation International.

«Os jovens criaram um movimento mundial que transcede o que foi feito no passado.»

O que a motivou a envolver-se com a Conservation Internacional?

Fiquei impressionada com a dedicação deles em concretizar as coisas e admiro a forma como a organização funciona, quase como uma ponte entre os conservacionistas e os funcionários do governo. Os seus objetivos vão desde expandir as áreas protegidas do oceano até ajudar a restaurar os manguezais e impedir a desflorestação. Se permitirmos à natureza o tempo e o espaço para se curar, ela irá regenerar e renovar muitos dos preciosos recursos que são necessários para manter este planeta saudável e próspero.

Qual foi a coisa mais esperançosa que testemunhou enquanto ativista ambiental?

Quando as pessoas optam por se envolver, mesmo com pequenos gestos. Um ótimo primeiro passo para quem não tem muito tempo é doar para organizações como a Conservation International, que está no terreno, a trabalhar. Parece-lhe que a conversa em torno das questões ambientais mudou nos últimos anos? Em que sentido? As pessoas estão a começar a sentir os efeitos das mudanças ambientais nas suas vidas pessoais e a perceber que ninguém está a salvo de uma catástrofe ambiental. Muito importante: os jovens estão mais ativos do que nunca e, com os meios tecnológicos que temos disponíveis hoje em dia, eles criaram um movimento mundial que transcende o que foi feito no passado. Os jovens são os portadores das tochas do futuro em nome de todos nós.

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de junho/julho 2020.