Missy Elliott é a Primeira Mulher Rapper a Entrar no Songwriters Hall of Fame

A compositora e produtora norte-americana viu a sua obra musical ser reconhecida. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © GTRESONLINE.

A certa altura do single Work It, Missy Elliott canta «Ain’t no shame, ladies do your thing/Just make sure you ahead of the game», versos que, numa tradução livre, querem dizer algo como «Não é nenhuma vergonha, raparigas façam aquilo que querem. Certifiquem-se apenas de que estão um passo à frente». Estávamos em setembro de 2002 e a rapper, compositora e produtora norte-americana preparava-se para lançar o seu quarto álbum de estúdio. Mal ela sonhava que, dali a quase 17 anos, iria fazer aquilo que mais nenhuma outra artista feminina de hip hop havia conseguido fazer: entrar no ilustre Songwriters Hall of Fame, que contempla os melhores compositores.

«Estou muito, muito agradecida», escreveu a cantora no Twitter na manhã do passado sábado, 12 de janeiro, depois de a fundação Songwriters Hall of Fame anunciar os seis condecorados de 2019. Na mesma publicação, Missy Elliott aproveitou ainda para congratular os seus pares, os compositores John Prine, Tom T. Hall, Jack Tempchin, Dallas Austin e Yusuf Islam (conhecido como Cat Stevens), que, tal como ela, viram a sua obra musical ser reconhecida este ano. «Estes são compositores que, no seu tempo, transformaram literalmente a música», afirmou o presidente da fundação, Nile Rodgers. Todos serão oficialmente homenageados numa cerimónia que terá lugar a 13 de junho, em Nova Iorque.

Missy Elliott — que é a terceira rapper a ser condecorada pelo Songwriters Hall of Fame, depois de Jermain Dupri e Jay-Z, e a 30ª mulher na lista — junta-se, assim, a gigantes da indústria, como Stevie Wonder, John Lennon, Paul McCartney, Joni Mitchell, Cindy Lauper, Dolly Parton, Michael Jackson, Freddie Mercury e David Bowie. Para um músico ficar apto a entrar no Songwriters Hall of Fame são necessários 20 anos, no mínino, dedicados à composição musical, além de um repertório de sucesso.

Três décadas a elevar o hip hop feminino

Missy Elliot é considerada pelo Songwriters Hall of Fame como «uma das artistas femininas mais importantes da história da música contemporânea» e não é difícil perceber porquê: na extensa lista de músicos para quem já assinou canções estão os nomes de Whitney Houston, Beyoncé, Mary J. Blige, Aaliyah, Ciara e Janet Jackson, e o leque de cantoras e rappers com quem colaborou é formado por Christina Aguilera, Lil’Kim, Eminem, 50 Cent, Jay-Z, entre outros.

A sua carreira musical começou no final da década de 1980 com a banda de R&B Fayze (mais tarde chamada Sista), mas foi só quando se lançou a solo, em 1997, que Melissa Arnette Elliott recebeu a primeira vénia do mundo do hip hop: Supa Dupa Fly, o seu álbum de estreia, vendeu mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos da América e chegou à platina. Seguiram-se os discos Da Real World (em 1999), Miss E…So Addictive (em 2001) Under Construction (em 2002) e This is Not a Test (no ano seguinte). Por esta altura já os hinos Get Your Freak On e Work It estavam lançados.

O seu último álbum até ao momento, The Cookbook, data de 2005, e dele saiu a faixa de sucesso Lose Control. No entanto, Missy Elliott não ficou em silêncio: ainda em 2016, aceitou o convite de Michelle Obama, à data primeira-dama dos Estados Unidos da América, para participar na canção feminista This is For My Girls.

Ao longo dos seus 30 anos de carreira, a rapper venceu cinco prémios Grammy e dezenas de outros galardões.