Mariah Carey Não Deixa Que a Pandemia Estrague o Espírito de Natal

A diva tem um plano para salvar a alegria do Natal - num momento em que, mais do que nunca, o precisamos. Por: Véronique Hyland -- Imagens: Ruven Afanador.

Começa com algumas notas de desejo prolongado, esticadas até ao limite como caramelo. I don’t want a lot for Christmas. There is just one thing I need (numa tradução livre, não quero muitas coisas no Natal, só preciso de uma coisa). Por isso, sem avisar, toda aquela ânsia explode numa corrida vocal ofegante, um toque de dopamina ligado a um sino de trenó que dá a sensação de recebermos todos os presentes que sempre quisemos e de nos reunirmos com todos os que já amamos, ao mesmo tempo que uma quantidade cinematográfica de neve cai no fundo.

Não importa quantas vezes já ouviu o hino de Mariah Carey, All I Want for Christmas Is You, aquele momento – o equivalente a uma batida de EDM (electronic dance music) no Natal – atinge-nos sempre. A música tem uma circulação cultural tão forte que inícia uma trajetória ascendente, como o trenó do Pai Natal, no Google Trends, todos os anos no final do outono. Este ano, até fez uma aparição durante uma celebração pós-eleitoral improvisada organizada pelos comediantes Demi Adejuyigbe e Addie Weyrich. A própria Carey publicou o clipe: os anfitriões, quase sem ter idade suficiente para se lembrar do lançamento do hit de 1994, a girar em cima de um carro num posto de gasolina em Los Angeles. Qualquer outra música de natal a servir como banda sonora para uma vitória política podia ser estranha. Isso parecia o correto a fazer. «Foi ótimo fazer parte desses momentos comemorativos – e isso apanhou-me totalmente de surpresa», diz Carey sobre o ressurgimento da música no início de novembro, quando falamos via Zoom. «Tem sido um ano muito difícil e realmente sinto que as pessoas precisam de um momento de celebração. Estamos sempre ao ouvir  ‘não podemos estar [juntos]; não podemos comemorar; isto está cancelado; Aquilo foi cancelado’».

«Enquanto estava a ver a Mariah, gostava de ter um pouco de eggnog» 

Tiffany Haddish

 

Se o natal fosse sinónimo de uma celebridade, certamente, seria Mariah Carey. E no que-lhe diz respeito, muitas coisas podem ter sido canceladas até agora, mas o espírito do natal certamente que não. A América olha para Carey como um árbitro para os ajudar a determinar quando a época festiva pode começar (no ano passado, no dia 1 de novembro, ela publicou um vídeo a anunciar ‘está na hora!’ depois de receber o sinal verde do Pai Natal). Mas as circunstâncias especiais criadas pela covid-19 significaram que a linha do tempo ficou um pouco turva – como uma proteção contra o desespero pandémico, algumas pessoas nos EUA e na Europa até colocaram luzes e decorações de Natal em março, durante a primeira onda do vírus. Embora Carey normalmente tenha regras rígidas sobre quando, exatamente, o feriado começa, está a abrir uma exceção geral desta vez. «Nunca quero comemorar muito cedo. Digo sempre: ‘não podemos fazer isso; eles estão a fazer isso acontecer demasiado cedo, mas tenho que nadar com a corrente este ano», afirma.

O ano de 2020 foi indiscutivelmente difícil, mas mesmo assim foi um ano marcante no Mariah World. Apesar da sua lendária recusa em dar um verdadeiro significado ao tempo, celebrou seu 30.º aniversário no mercado musical com lançamentos semanais que os fãs apelidaram de MC30. Ela lançou um livro de memórias best-seller, The Meaning of Mariah Carey (que está a ponderar uma adaptação ao ecrã), bem como um álbum duplo com canções nunca antes lançadas e algumas das preferidas de Carey, chamado The Rarities. E, desde fevereio até há bem pouco tempo esteve a preparar o Especial de Natal Mágico de Mariah Carey, um programa espetacular transmitido na Apple TV+. O programa conta uma série de músicas natalícias: uma nova versão de sua canção Oh Santa! com Ariana Grande e Jennifer Hudson, à qual chama de «momento de miúdas»; Misty Copeland que toca a Sugar Plum Fairy, enquanto dança ao som dos “instrumentais” cantados pela própria Mariah; além das aparições de Snoop Dogg, Billy Eichner, Tiffany Haddish e os gémeos de nove anos de Carey, Moroccan e Monroe, entre outros.

«Quando me sinto realmente triste, vejo bebés rirem e depois começo a rir também», Haddish diz-me por telefone, alguns dias depois da minha conversa com Carey pelo Zoom. O mesmo efeito aplica-se ao Magical Christmas. «Comecei a sentir a alegria», afirma Haddish. «Podemos não estar juntos no Natal, mas termos a possibilidade de assistir a um episódio especial que nos recorda dessa alegria, e de como é bom estarmos unidos, pode ser tão bom quanto estarmos juntos. Sei que, enquanto estava a ver a Mariah, gostava de ter um pouco de eggnog».

Uma forma de arte única neste momento é deduzir quem é alguém baseando-nos exclusivamente no conteúdo do seu retângulo no Zoom. Agora que estamos todos presos em rectangulos digitais, empilhados uns em cima dos outros, estilo Brady Bunch, não há escolha a não ser tirar conclusões ousadas: o ator X é identificável porque está sentado num sofá sujo; o modelo Y deve ser um intelectual secreto, já que The Power Broker está empoleirado na sua prateleira. Há tão pouco para trabalhar com perfis de celebridades em todo o mundo que se transformaram em testes de Rorschach.

Mas Mariah Carey, Deus a abençoe, está a dar tudo para que tenhamos o que precisamos dentro da nossa “caixa”. Como convém a uma mulher obcecada por “momentos”, ela está a criar um look para o momento – uma camisa verde tropa, de mangas curtas, que podia ser usada por um elfo se não fosse o generoso corte. Está sentada no sofá e o focinho do seu cão aparece ocasionalmente na tela. E de alguma forma, ao mesmo tempo, um momento de Hollywood da era MGM, com um elenco secundário de pulseiras e anéis de diamante cuja qualidade prismática deslumbra até mesmo numa câmara de computador. O seus gestos vão para segundo plano, como quando ela diz, como um prelúdio, para responder a uma pergunta: «Deixa-me ser mais global. Deixe-me colocar aquele chapéu», enquanto fingia colocar um chapéu estilo Charlie Chaplin. A sala em que está sentada está cheia de almofadas e tons suaves de azul-petróleo; já passa da meia-noite na minha hora, mas ainda é relativamente cedo para ela, quando tem em consideração suas tendências históricas de coruja noturna. Pode não haver uma árvore de natal à vista, mas para usar outro mariahismo, tudo é festivo.

Carey fala da sua relação com feriado. Enquanto que muitas das pessoas que amam esta época do ano tenta recriar memórias passadas, ela diz que prefere abraçar a quadra como uma forma de corrigir os Natais que teve. «Acho que é só aquele desejo que tinha em criança de querer que as coisas fossem perfeitas durante esta época. Só que nunca foram», diz ela. «Havia sempre alguém a estragar o momento, havia sempre um daquelas pessoas da família que aparecia e frustrava todos. E então eu fiz um pacto comigo mesmo de que não iria permitir que isso acontecesse mais.» Em vez disso, ela está focada em criar novas memórias. «Depois de ter eu meio que renascido do meu primeiro relacionamento-barra-casamento»,com o executivo Tommy Mottola, que ela afirma tê-la mantido sob vigilância conjugal numa mansão em Westchester que ela apelidou de Sing Sing, «eu criei os Natais que eu queria ter».

«Muitas coisas (muito) más aconteceram comigo quando eu tinha 12 anos.»

Mariah Carey

 

Não é de admirar que ela tenha feito criado uma espécie de globo de neve cintilantes de fantasias. «Eu literalmente vou para um lugar com neve. As renas estão lá», conta-me ela sobre seu protocolo de Natal, acrescentando, como se eu pudesse acusá-la de inventar, «E não estou inventar. O Pai Natal vai até lá, e brinca com os meus filhos. Mas mesmo que eu não tivesse filhos, faria-o na mesma».  (Os filhos de Carey são de seu casamento com Nick Cannon, que terminou em 2016; os dois permanecem devotados pais). Carey, que se diz «eternamente com 12», escolheu um caminho do otimismo juvenil. Existem muitas razões para essa escolha de mentalidade, diz. «Muitas coisas (muito) más aconteceram comigo quando eu tinha 12 anos. Mas também tem o espírito daquela criança, daquela lutadora que não desiste, que aceita quem ela é, mesmo que o mundo não tivesse entendido isso, do meu ponto de vista. » Ela lembra-se do Natal como a «talvez a única altura em que conseguia respirar por um segundo».

mariah carey elle

Nas memórias de Carey, lançadas no outono, ela fala sobre como foi crescer, com «ninguém por perto». Para ser mais sucinta: os seus pais separaram-se quando ela era pequena. O dinheiro era escasso. Mudava e casa constantemente. Os colegas da escola eram frequentemente cruéis. Como uma criança birracial, ela muitas vezes sentia que não pertencia a lado nenhum, mesmo dentro dos dois lados da familia. «É muito difícil explicar para a maioria das pessoas que não passaram por isso», diz ela. «Ter uma aparência muito ambígua, isso realmente afetou a maneira como as pessoas me viam ou me julgavam, dependendo do tipo de sistema de castas em que cresces.» Entre várias anedotas angustiantes existe a história de como foi bombardeado com a palavra P**ta por miúdas, uma das quais até a convidou para ir à casa de sua tia rica. Mas às vezes as agressões era mais codificada. “Sempre haveria aquela coisa de, ‘Mas tu és o que?’ e não ‘Quem és tu? Como posso te conhecer como pessoa?’ Mas sim ‘ O que é que tu és? Ai, és tão exótica. És uma mistura do quê?’ Dependia de quem fazia a pergunta e de como fazia a pergunta.» (Carey diz que conversou com seus filhos sobre racismo e bullying: «A melhor maneira de protegê-los é através do conhecimento. Não posso evitar, mas posso pelo menos tentar fazer com que eles estejam cientes disso.»

Nesta sua historia de vida que poderia ter sido escrita por Dickens, a música acabou por se tornar na sua salvação, diz. «Sempre foi algo que me fez sentir digna». E embora ela não pudesse controlar tudo na sua vida, uma coisa que ela estava determinada a controlar, a sua música. A certa altura, ela quase vendeu os direitos de publicação de uma de suas canções por US $ 5.000, «o que me parecia um trilhão de dólares na época». Mas, depois de assistir a um documentário sobre os Beatles, ela jurou manter os direitos das suas músicas fosse de que forma fosse.

«A marca não entendia. Eles ficavam do tipo ‘O que é Wu-Tang? O que é isso?’» 

Mariah Carey

 

Carey  manteve-se firme a sua integridade musical mesmo quando, mais uma vez, passou por aquela sensação de não se encaixar perfeitamente em lado nenhum – neste caso, aquela que a indústria musical a tentou colocar. Quando ela colaborou com Jay-Z, Missy Elliott e Busta Rhymes nas canções, os executivos não gostavam da sua flexibilidade. «Eles não cresceram com o hip-hop. Eles não entendiam», diz ela. Quando ela lançou o remix de Fantasy, a gravadora não gostou. «A marca não entendia. Eles estavam tipo, ‘O que é um Wu-Tang? O que é isso? ‘». O hip-hop não foi o único género no qual ela mergulhou. Nas suas memórias, Carey também revelou que ela se entregou a um projeto paralelo secreto em 1995, chamado Chick, no qual ela canalizou sua angústia através de letras ao estilo das Courtney Love, uma espécie de grito naquele momento de supressão do seu corpo e vida profissional. Ela recorda isso como uma espécie de válvula de escape de sucessos castos e perfeitos como One Sweet Day e Always Be My Baby. «Não estou a dizer que essas músicas não sejam boas», diz, mas «é um tipo de coisa primitiva em termos de performance vocal. E depois das minhas sessões, quando eu não estava cercado pela morgue  corporativo, como eu os chamo, eu ficava tipo, ‘Vamos fazer isto.’». A vida menos encenada de uma estrela do rock alternativo atraiu-a porque «parecia que eles podiam fazer o que quisessem. Eles podiam usar o que quisessem, dizer o que quisessem. »

A queridinha da América de cinco oitavas não conseguia se associar a uma música onde se comparava a «uma bolha aberta», para citar uma das suas letras. «Certas pessoas na morgue corporativo não ficaram felizes e então o esmagaram o projeto», diz ela lembrando-se com carinho de guiar por Westchester e outras partes do interior do estado de Nova York sozinha explodindo o álbum e cantando a plenos pulmões. (« don’t wanna be your doormat / I don’t wanna be / No plastic blow-up doll).» Ainda que a voz principal do álbum seja da sua então colega de quarto Clarissa Dane, há uma versão com Carey algures por aí. «Vou ter que remixá-lo com todas as minhas coisas daquela época», afirma.

Em contraste com o típico livro de memórias de celebridade, que desliza de anedota em anedota tão suavemente quanto um Zamboni, The Meaning of Mariah Carey não alimenta o leitor com a lista esperada de nomes em negrito. Os elementos e pessoas que ela decidiu incluir «foram basicamente experiências que mudaram a minha vida. É por isso que aqueles que não estão no livro não fazem parte deles, ou», acrescenta maliciosamente,«não existem». Tão pouco é uma simples história de superação de desafios para emergir como, se quiserem, uma borboleta. Em vez disso, é sobre a realidade de viver com um passado imperfeito e lidar com o presente (com a ajuda da terapia). Embora o livro não se aprofunde em seu diagnóstico de transtorno bipolar de 2001, ele fala sobre as consequências de sua aparição surpresa no TRL naquele ano, esclarecendo: «Eu não ‘tive um colapso’. Eu estava desfeita – pelas próprias pessoas que me deviam apoiar.» Afirmando que o livro  é a «história de sobrevivente».

«Eu realmente não me vejo como uma celebridade. Eu sou um cantora.»

Mariah Carey

 

Uma das cenas mais marcantes é a da repentina percepção de Carey de que ela tinha fãs. Enquanto gravava um especial de Ação de Graças em Schenectady, de todo os lugares, ela perguntou em voz alta por que é que as ruas tinham que ser barricadas, apenas para ouvir: «Mrs. Carey, é para si». A Lambily, seu grupo de fãs, acabou por se tornar na sua família adotiva, e ela manteve contato com eles desde o início através de seu site e mensagens de correio de voz, muito antes de sequer podermos mandar uma DM para o nosso cantor favorito. No livro, Mariah tem uma visão contra-intuitivamente positiva das redes sociais – ela vê isso como uma forma de fornecer uma contra-narrativa aos tablóides, na qual os fãs a podem defendr. Ela está até a abraçar o TikTok – seus filhos não têm permissão para participar ainda, mas ela acumulou 4 milhões de seguidores na sua própria conta. (E sim, ela viu o clipe de uma garota inexplicavelmente chorosa a dançar Obsessed, que fez com que o single de quase 12 anos de-se um salto.). «A única coisa que não amo no [TikTok] é que só podes usar uma parte da música», diz. «Isso é perturbador para mim, que sou alguém que escreve músicas, mas é uma ótima plataforma para as pessoas que não conhecem a nossa música de se conectarem connosco».

maria carey christmas

Ser uma celebridade em 2020 é realmente uma coisa estranha. O excesso que antes vinha com a designação de “Pessoa Famosa” agora parece fora de alcance, assim como aqueles que desfrutaram de celebrações em ilhas particulares e festas de aniversário sem máscara enquanto o resto do mundo está  trancado, e que foram descobertos. Carey é uma das poucas que parece estar navegar nesta transição capotar – em parte, possivelmente, porque ela tem uma distância exagerada e irônica de sua “persona famosa”, que também está de alguma forma misturada com uma qualidade genuinamente saudável. Ela não tem certeza do que significa ser uma celebridade agora, ou como é. «Quando tu enquadras isso como ‘celebridade’, eu realmente não sei como responder a essa pergunta», diz ela, momentaneamente confusa. «Porque eu realmente não me vejo como uma celebridade. Eu sou uma cantora. Faço música, ocasionalmente. Não quero parecer aquele tipo ‘Como é que ousa chamar-me de celebridade?’» Mas a música é o que ela realmente quer. «Eu amo as coisas glamorosas e das roupas fantásticas. Mas isso é porque elas funcionam para mim».

Haddish viu o incrível foco de Carey em ação. Ela lembra-se de ter acompanhado um ensaio de All I Want for Christmas Is You durante as filmagens do especial. Depois de oito ou nove takes, os dançarinos «estavam claramente a ficar cansados, mas estavam a dar o seu melhor. E ela estava arrasar todas as vezes. Sem errar uma nota, sem errar um passo, nem sequer batida.» Carey também, como Haddish descobriu, possui habilidades cômicas ocultas. «Escuta, a primeira música que aprendi foi uma música de Mariah Carey», conta-me antes de entrar na sua própria interpretação de Vision of Love. «Eu provavelmente tinha sete, oito, nove anos, e tu não podias me dizer que eu não cantava bem.» A primeira vez que falou com Carey ao telefone, dessidiu cantar para ela. «Eu estava tipo, ‘Ok, tu provavelmente não vai gostar disto, mas eu tenho que fazer’, e ela chorou a rir: ‘Por que é que pareces um gato?’» Foi aí que ela percebeu que Carey, que ela havia julgava que era alguém fino, tinha um lado diferente. «Oh, ela é como eu, tonta e divertida».

 

Eichner conheceu-a depois que Carey começou a twittar, «do nada», diz ele, sobre o amor dela pelo seu programa Billy on the Street. Os dois fizeram criaram laços e amizade que começaram com ela a cantar a música do especial para ele pelo telefone (completa com o efeito de eco na palavra “rua”) e culminou com sua aparição no programa de um episódio de Natal no ano passado. Mas Eichner não se converteu a Mariah agora: ele deu seu primeiro beijo com a música And You Don Don’t Remember, do album Emotions. «Eu sou um Lamb de há muito tempo. Sou um Lamb antes de os fãs de Mariah se chamarem Lambs », diz ele. Ainda assim, até ele mesmo lembra-se de ter ficado surpreso com o facto de «ela é genuinamente engraçada» e como os dois tinham um sentido de humor semelhante. Quando eles estavam a filmar o especial, «Eu contava piadas só para fazer Mariah rir», lembra ele. «Eu sabia que elas eram muito sarcásticos para entrarem no especial, eu sabia que elas seriam cortados, mas de vez em quando, eu contava uma piada apenas para fazê-la rir, e ela chorava a rir»

Para além desta forma desarmante de ser de Carey, há também uma abertura: sobre como as coisas raramente são perfeitas como nos contos de fadas, e sobre como a vida pode ser difícil. Essa dualidade pode ser o segredo do apelo de Carey neste momento complicado. Afinal, tristeza e saudade também fazem parte do Natal: pense em todas as canções de tom menor sobre o desaparecimento de entes queridos distantes. “Se não amas, não podes escrever as músicas que realmente mexam com as pessoas ou as faça feliz, ou melancólicas, seja o que for, nesta quadra eu vivo o Natal; é a única coisa que espero a cada ano. Bem, não é a única coisa… mas é realmente a melhor época do ano para mim.»

Apesar de tudo, ela está empolgada para as festividades deste ano, mesmo que tenha que abrir mão de certas tradições. Ela parece um pouco melancólica ao falar sobre a árvore do Rockefeller Center, que já foi palco de algumas de suas apresentações de Natal. «Eu geralmente faço disso um momento. Mas não vai acontecer este ano. Talvez [eu] passe lá de carro», diz ela. «Espero que as pessoas se sintam festivas ao assistir a este especial e espero que ajude de alguma forma. Assim como qualquer filme ou música de Natal, realmente bom, que elevem o espírito, era esse o objetivo aqui». No final de contas o que lhe importa só, é dar às pessoas algo pelo que ansiar, porque ela mesma quer algo assim: «Se não estou ansioso com algo, é desolador.» Mas como seria de esperar de qualquer amante do Natal, que canta sobre a visão perfeita do amor, Mariah Carey acredita em milagres, e eles são abundantes em seu especial mágico de Natal. «Eu decidi fazer este projeto  com o espírito de‘ Vamos torná-lo alegre não importa o que aconteça ’», diz Carey. «Se entrarem em qualquer coisa com esse tipo de esperança, então ela acontece.»


Fotografia: Ruven Afanador; Styling: Diandre Tristan; Cabelo: Dior Sovoa; Maquilhagem: Kristofer Buckle para Crosby Carter Management; Manicure: Barbara Warner para The GelBottle; Set Design by Fi Campbell at Stillsets; Produção: Tricia Sherman e Steve Bauerfeind para Bauie Productions.