Keira Knightley Compara o Assédio dos Paparazzi ao Assédio Sexual

«Se tirares as câmaras a estes homens, então o que estão a fazer é assediar uma jovem mulher». Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © Gtresonline

O movimento #metoo veio mudar a vida das mulheres em Hollywood para sempre. Isto é um facto e não há como negar. A onda de denúncias não para de crescer e alastrar-se a cada vez mais áreas, a moda não é exceção. Agora Keira Knightley mete o dedo noutra ferida: os paparazzi.

O assédio por parte deste fotógrafos, que fazem da caça à vida privada das celebridades o seu ganha pão, não é novo. Devemos recordar que a definição de assédio no dicionário da Língua Portuguesa é: comportamento desagradável ou incómodo a que alguém é sujeito repetidamente (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013). Não há melhor prova disso que a Princesa Diana, que a certa altura começou a utilizar sempre a mesma camisola para sair do ginásio, numa tentativa vã de evitar as câmaras.

Como começou a perseguição

Keira Knightley veio falar deste tema no podcast Feminists Don’t Wear Pinkeste mês. «No dia seguinte à estreia do Rei Artur, tinha dez homens à minha porta a gritarem para mim e que não se foram embora nos quatro anos seguintes. De repente, era sobre algum namorado que poderia ter ou não, sobre o quanto magra ou não eu era, ou como eram os meus lábios ou se me teria submetido a uma cirurgia plástica», contou a atriz no podcast. Na altura em que Rei Artur foi gravado, Keira tinha apenas 19 anos.

Paparazzi e Assédio Sexual

A atriz contou ainda que sempre que tinha problemas com os paparazzi e ia à polícia para fazer queixa pela perseguição que lhe faziam, a resposta era que a culpa era dela. «Isto é culpa tua, tu é que pediste isto», «És uma personalidade pública, O que esperavas?», eram o tipo de coisas que Keira ouvia frequentemente.

É precisamente esta posição de acusação à vítima de perseguição, que Keira Knightley compara com os casos de assédio sexual. «Demorei anos a perceber isto: este é o mesmo tipo de linguagem que usariam se tivessem abusado sexualmente de alguém. ‘Foste tu que pediste porque tinhas uma saia muito curta’ ou ‘Foste tu que procuraste isto, estavas sozinha à noite’. (…) Se tirares as câmaras a estes homens, então o que estão a fazer é assediar uma jovem mulher. O estranho é que acreditamos publicamente que é permitido fazer isto com as câmaras porque estão a fazer o seu trabalho».