Filha de Mick Jagger Mostra o Que Torna o Seu Apartamento Em Londres Especial

Jade Jagger, filha da realeza do Rock, mostra-nos a sua casa na capital britânica. Por: ELLE Portugal Por: Clare Sartin - Imagem: Gaelle Le Boulicaut

O impressionante par de lábios néon na parede do escritório deste alegre e colorido apartamento londrino é um bom indicador sobre quem aqui vive. Filha dos ícones de estilo Bianca e Mick Jagger – vocalista dos Rolling Stones, e orgulhoso proprietário daqueles que são, provavelmente, os lábios mais famosos da história –, Jade Jagger assume a sua herança rock e usa-a com inteligência e astúcia.

Nascida em Paris em 1971, Jade sempre se interessou pelo mundo das artes. Mais tarde, mudou-se para Nova Iorque, onde conheceu a elite da Pop Art e se relacionou com artistas influentes. Referindo-se a Jade Jagger, Andy Warhol disse um dia: “Eu ensinei-a a pintar e ela ensinou-me a jogar Monopólio.” Os seus múltiplos talentos, o olho para o design e uma capacidade nata para lidar com números ajudaram-na a lançar o seu primeiro negócio nos anos 90, produzindo peças de joalharia exclusivas. Desde então, trabalhou como diretora criativa dos joalheiros da coroa Asprey & Garrard, lançou uma marca de acessórios com o seu nome e colaborou com John Hitchcox e Philippe Starck, fundadores da empresa de design de interiores Yoo, criando elegantes casas pelo mundo fora, de Bombaim às Cotswolds.

Viveu nos Hamptons, em Marrocos, nas Caraíbas e no castelo do seu pai no vale do Loire, mas a sua última deslocação trouxe-a para mais perto de onde quer estar – mudou-se de Notting Hill Gate para a zona este de Londres. «É uma zona mais ligada ao design», diz acerca do seu novo bairro. «Senti que todos os meus contemporâneos criativos, tanto na moda como na arquitetura, estão aqui.»

Jade vive neste apartamento com o marido, Adrian Fillary, e o filho de 4 anos, Ray. «Esta foi uma das primeiras casas que vi que não precisavam de uma renovação total», relembra a designer. É um espaço com imensa luz, graças às claraboias bem posicionadas, mas tem muito poucas janelas, o que lhe dá um nível de privacidade e de calma de que Jade gosta muito. «Faz-me sentir-me segura», afirma. «É ótimo para desenhar e trabalhar, porque não estou distraída com as cortinas a esvoaçarem com a brisa marítima (como noutras casas onde já vivi) ou com as pessoas a passarem lá fora.»

Como descreve o seu estilo de design de interiores? «Acabámos de vender a nossa casa em Ibiza e trouxemos toda a mobília, por isso aqui a decoração é necessariamente mais eclética», conta. «Acho que o meu estilo passa sempre pela presença de peças com passado – tem que ver com as coisas que adoro colecionar e com as histórias que trazem consigo. Tenho uma enorme coleção de têxteis, vindos sobretudo da Índia e da América do Sul, assim como linhos europeus», continua. Nas cadeiras do quarto, usou tecido phulkari (sedas bordadas da região de Punjab, na Índia), e o tapete da sala de estar é de Jaipur, também na Índia. «O Adrian e eu chamamos-lhe ‘o tapete mágico’, porque nos casámos em cima dele», acrescenta.

«O meu trabalho às vezes mistura-se com a minha vida, com tecidos e objetos que vêm de toda a parte. É por isso que acabo por me vestir de preto e branco, para manter uma certa disciplina», brinca. «Gosto de cores e de padrões, mas também acredito no poder da sobriedade.» Nesta casa, Jade Jagger suaviza o seu estilo naturalmente exuberante, onde se destaca a mistura de padrões, com uma seleção de peças clássicas e elegantes, tais como as prateleiras Vitsoe, o sofá Charles, de Antonio Citterio para a B&B Italia, ou um sofisticado cadeirão Signature, de Frits Henningsen para a Carl Hansen & Søn.

As suas peças favoritas são, no entanto, as pessoais – desde a caixa feita com cartões japoneses que o seu marido criou para lhe oferecer como presente de aniversário até às plantas que já viajaram com ela em várias mudanças. «Acho o lado efémero da moda e do design muito negativo», confessa. «Não é preciso gastar muito dinheiro, mas devemos pensar sempre nas peças como uma herança. Comprar coisas das quais vamos gostar para sempre – coisas que se tornarão parte da arquitetura da nossa vida.»