Como Fazer Amigos (Famosos) e Influenciar Pessoas (Poderosas)

Quem é Derek Blasberg? Por: Laura Craik -- Imagens: Instagram @derekblasberg

Ele convive com Gigi, sai à noite com Kendall e convenceu Naomi a lançar um canal no YouTube. Mas quem é Derek Blasberg? E como é que ele se tornou o homem mais bem relacionado da indústria da moda?

As 1 095 638 amigas supermodelos

Por um lado, é fácil entrevistar Derek Blasberg: é engraçado, aberto, envolvente e, graças à sua experiência jornalística, sabe o tipo de citações de que um jornalista precisa. Por outro lado, é um pesadelo. Nem uma vez, mesmo na limousine onde o conheci, depois do desfile da Burberry e a caminho do seu próximo compromisso no The Connaught, desfrutamos de um momento sem sermos interrompidos. «Olá, Rianne!», grita Blasberg pela janela, no meio de uma frase enquanto uma das suas 1 095 638 amigas supermodelos passa. «Olha como ela é bonita…», diz.

No desfile, Blasberg foi colocado onde é sempre: no melhor lugar, algumas cadeiras ao lado de Anna Wintour, a diretora de cuja revista ele foi demitido (mais sobre isto à frente). Sempre enfiado entre duas belas celebridades, Derek adora chamar a atenção de qualquer amiga supermodelo que esteja a passar por ele na passerelle, piscando o olho a Gigi, lançando uma careta a Bella, fazendo-as sorrir.

 

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The only thing I love more than @bellahadid is seeing her on the cover of @thelovemagazine 💘

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Quem é Derek Blasberg

Mesmo que nunca tenha ouvido falar de Blasberg, de 37 anos, coordenador de parcerias de moda e beleza no YouTube («Em termos simplistas, o meu trabalho é ajudar a criar mais conteúdo de moda e beleza na plataforma»), com certeza que já o viu. Lá está ele, na primeira fila com Kate Moss e Julianne Moore. Lá está ele novamente, numa festa com Serena Williams, Jennifer Lawrence, Kendall Jenner e os Hadids. Logo depois, Blasberg aparece abraçado a Victoria Beckham, a sair com Mark Ronson, a posar com Jake Gyllenhaal, a rir com Dasha Zhukova, a conversar com Gwyneth Paltrow… E isto apenas durante o mês de setembro.

Dizer que Blasberg é bem conectado é um eufemismo. Não é apenas uma questão de conhecer toda a gente: eles parecem amá-lo. Rara é a cena em que Derek e os seus amigos famosos não estão a partir-se a rir, sem dúvida sobre fofocas que eventualmente aparecerão nos jornais, ou – mais provavelmente – escandalosas demais para serem impressas.

Quando Gwyneth e Dakota Johnson foram fotografadas juntas a rir num jantar em abril passado, finalmente terminando com as especulações dos tabloides de que havia animosidades entre a ex de Chris Martin e a sua atual namorada, naturalmente, foi na festa de aniversário de Blasberg. «Conheço as duas individualmente e são duas mulheres super incríveis», diz Blasberg sobre a foto. «Não achei que fosse assim tão estranho.»

Gwyneth disse que se apaixonou por Blasberg em dez segundos. Como é que ele a encantou? O que é que ele disse? «Não me lembro. Qual é a forma mais concisa de responder a essa pergunta estúpida?» (foi a reação da atriz).

Mesmo quando está irritado, Derek é carinhoso. Ele é frequentemente comparado com Truman Capote: ambos são charmosos, da zona centro dos Estados Unidos da América e confidentes naturais de mulheres – embora Blasberg esteja mais bem vestido, com fatos impecavelmente feitos (às vezes, de cores menos tradicionais) e polos formais. Então, como é que um “rapaz simples do Missouri” se tornou um apêndice de celebridades tão omnipresente como uma carteira Chanel? «Não há uma estratégia secreta para uma pessoa se divertir, sair ou fazer amigos», diz enquanto sorri.

A carreira

Blasberg mudou-se de St. Louis, no Missouri, para Nova Iorque quando tinha 18 anos para estudar Jornalismo na Universidade de Nova Iorque (NYU). «Podemos dizer que era muito perfeccionista. Eu sabia que a maneira como sairia de St. Louis para começar uma nova vida em Nova Iorque não era para ser modelo, como a Karlie Kloss (colega de St. Louis). Tinha de seguir uma rota académica mais tradicional. Não tinha nenhum amigo de família. Não tinha um tio gay divertido em Nova Iorque. Estava tão assustado com a perspetiva de me mudar! A minha mãe disse-me: “As pessoas mudam-se para Nova Iorque a toda a hora. Tu consegues fazer isto.” Graças a Deus que ela me disse estas palavras motivadoras, ou ainda estaria a dobrar camisolas no shopping lá da terra.»

A primeira pessoa que Derek conheceu foi uma jovem modelo de Maryland, que se tinha mudado para um dormitório perto do seu. Ela foi a sua primeira entrada no mundo da moda, levando-o a festas realizadas pela sua agência. Até recentemente (quando ela se mudou para Berlim), os dois mantiveram-se em contacto.

«Sabia perfeitamente quando me mudei para Nova Iorque – isto antes do Facebook, antes de qualquer rede social – que tinha de criar a minha própria família.» E criou, construindo a sua própria rede de amigos, saindo muito e com muitas pessoas. Será que ele sabia que era super charmoso, nessa altura, desde o primeiro aperto de mão? «Acho que sou uma pessoa fixe, com boas maneiras, extrovertido por natureza. Mas quando penso em super charmoso, a imagem que tenho é a de um “pintas” que está sempre a pentear-se.»

Digo-lhe que fico feliz por ele não ser uma pessoa que está sempre a mexer o cabelo. «OK. Estou algures entre charmoso e assustador? Aceito», afirma. Foi a mãe, Carol, quem lhe ensinou o charme e as boas maneiras? «De maneira nenhuma! Ela é terrível!», brinca.

A vida entre revistas de moda

A sua mãe, que ele frequentemente menciona no Instagram, era diretora de uma revista médica chamada The Annals of Thoracic Surgery. («Gosto de pensar que era a ELLE da cena cardiovascular», brinca.) O seu pai era contabilista. Até agora, nada de muito entusiamante. O primeiro emprego que teve depois de se formar em 2004 foi, é claro, na Vogue norte-americana, como assistente. Foi demitido. «Era um péssimo assistente. É uma posição muito difícil, no que diz respeito a hierarquia.» Foi lá que conheceu Lauren Santo Domingo (cofundadora do site Moda Operandi), a Brooke Astor do seu Truman Capote e uma das suas melhores amigas. Através dela, Blasberg conheceu Dasha Zhukova e uma panóplia doutras socialites que garantiram que ele nunca precisasse de ir longe para procurar material para o seu próximo emprego: editor da Style.com, onde tinha uma coluna chamada The Blasblog.

Em 2010, publicou o seu primeiro livro, Classy: Exceptional Advice for the Extremely Modern Lady (um best-seller do New York Times) e tornou-se editor colaborador da versão norte-americana da Harper’s Bazaar, contratado pela ex-editora executiva Kristina O’Neill e onde ele era conhecido pela sua energia e a sua seriedade. «O Derek é como a Beyoncé», diz O’Neill. «Ele tem mais horas no seu dia do que a maioria das pessoas. Sempre admirei a sua resistência e a sua contabilidade. Ele podia cobrir um evento até muito tarde, mas a peça estaria no meu email antes de eu acordar.»

Deixou a Harper’s Bazaar em 2015 para se juntar à Vanity Fair como o “Our Man on the Street” da publicação, um cargo recém-formado no momento da sua entrada na revista, que combinava escrita com a criação de conteúdo de vídeo (o ex-editor da VF, Graydon Carter, é um dos mentores de Blasberg). No ano seguinte, Derek começou a apresentar o programa CNN Style, saindo em 2018 para ingressar no YouTube.

A carreira no YouTube

Combinando o glamour da moda com o poder da tecnologia – sem mencionar a influência global oferecida pelos dois mil milhões de espetadores que acedem ao YouTube por mês –, o papel de coordenador de parcerias de moda e beleza parece ter sido criado para ele. E ele fez isso conjugando a sua sensibilidade jornalística para uma boa história com a facilidade diante da câmara e o seu prodigioso livro de contactos – este último vale muito mais do que a fortuna que o YouTube está a pagar-lhe. Quem mais poderia convencer Naomi Campbell a lançar o seu próprio canal?«Antes do novo canal Fashion, a Naomi queria envolver-se no universo do YouTube, mas não havia ninguém da moda para a ajudar», explica. «O que a atraiu neste projeto é que ela é a estrela, a produtora, a diretora… Ela tem a palavra final, controla o que é publicado. E está feliz, porque é um produto dela.» Desde que foi publicado em julho, o vídeo sobre a rotina de beleza de Naomi Campbell no aeroporto já tem mais de dois milhões de visualizações.

 

Blasberg diz que o apelo do YouTube, para Campbell e para as marcas de moda, é a possibilidade de elas controlarem as suas próprias narrativas. As marcas de moda foram extremamente lentas a abraçar as redes sociais; a forma de estar “apenas para convidados” da indústria está completamente em desacordo com o acesso livre à internet. «Foi arrogância ou medo?», questiona Blasberg. «O Tom Ford nem permitia que entrassem câmaras nos desfiles. Não foi assim há muito tempo. E agora eles estão só a começar a abrir as portas. Agora os desfiles são transmitidos ao vivo em qualquer computador. “Olha nós aqui. Aqui está a nossa coleção.” O YouTube é o melhor lugar na primeira fila para o mundo da moda», afirma com a consciência de que esta citação é um cliché, mas di-la na mesma.

Uma pequena interrupção

Chegamos ao Hotel The Connaught, onde Rose, assistente de Blasberg, reservou o melhor lugar do bar para nós. Pedimos os dois água com gás (Blasberg bebe álcool, mas é sempre muito ponderado no seu consumo – crucial quando alguém sai tantas vezes e durante tanto tempo como ele. Pergunto-lhe qual é a sua pior qualidade. «Talvez FOMO {fear of missing out, medo de perder um momento em português}», diz, pensativo. «Já ouviu falar de GOMO? É o contrário, gratidão de perder. Toda a gente estava a falar disso… Olá, Mary! Esta é a minha amiga, Laura.»

Mary McCartney está ao nosso lado de pé, a usar um fato Stella McCartney em tons de rosa-claro. Ela aponta para o relógio de Blasberg, que está apertado na carteira de pele dele. «Oh, meu Deus!», exclama Mary. «Podes explicar-me o que é isto?» «É um relógio», diz Blasberg. «Antes dos telemóveis, as pessoas usavam relógios para ver as horas.»«Já viu alguém fazer isto antes?», pergunta-me Mary. «Talvez ele não queira uma marca de relógio no pulso», sugiro. «Pões o relógio na carteira na esperança de que, se não te esqueceres de um, não te esqueces do outro», diz Blasberg. «Gosto do teu look.» «Achas que os ténis ficam bem?», questiona Mary. Ela repara no meu gravador. «Oh, desculpe. Não sabia que estavam a …» E despede-se.

«Então, agora estou a seguir a ascensão do GOMO», continua Blasberg, como se Mary McCartney nunca tivesse acontecido (podemos imaginar que Madonna / a princesa Diana / o Papa poderia aparecer e ele continuaria imperturbável). «Vou ficar esta noite em casa e pensar: Oh, estou muito agradecido por ter ficado em casa.»

A vida nas redes VS a vida privada

Blasberg não vai ficar em casa hoje à noite: ele é coanfitrião da festa de lançamento do YouTube.com/Fashion com Katie Grand, diretora da revista Love. Toda a gente estará lá, apesar de ser uma noite de segunda-feira. Não consigo imaginar Blasberg a ficar em casa, nunca. «Não quero desencorajar a narrativa de que saio todos os dias e de que me divirto muito, mas, na verdade, passo tantas noites em casa quanto as que saio», diz. «Simplesmente não publico sobre isso. Ontem estava no meu hotel antes da meia-noite, a ver a série Orange Is The New Black.» Derek acrescenta que está feliz por ficar em casa com seu namorado de longa data, o investidor de risco Nick Brown, no seu apartamento no Upper East Side, em Nova Iorque. Naturalmente, eles fazem o Netflix & Chill em almofadas da Ralph Lauren com monogramas.

Observando-o a falar com cinco pessoas ao mesmo tempo no desfile da Burberry, e sendo interrompido mais uma vez no The Connaught por outro amigo, mal consigo imaginar quão cansativo deve ser ser-se o Derek. Será que existe algum tipo de pressão para estar conectado o tempo todo? «Não há pressão. Os amigos são a parte boa da vida. Eles não são fardos. Os meus fardos são os prazos, os horários matutinos dos desfiles…»

Blasberg deve ser bom a guardar segredos, sugiro. «Vai contar-me um segredo?», grita ele. «Roubou alguma coisa? Ou tem um romance? Eu sou mau a guardar segredos. É por isso que tenho tantos amigos», diz, impassível. «Claro que sou excecional a guardar segredos. E dou bons conselhos e ouço as pessoas quando elas têm problemas.»

O facto de ser bom ouvinte pode ter-lhe rendido uma vasta rede de amigos, mas certamente há um círculo interno para o qual ele se volta quando quer que alguém o ouça, não? «Não tenho um melhor amigo. Tenho uma lista longa. Acho que pode ser foleiro quando a Naomi fala sobre a “família escolhida”, mas eu tenho um grupo de “amigos escolhidos.” “Quem é o teu melhor amigo?”, parece uma pergunta que fazes quando és miúdo.»

O sonho de conhecer a Rainha de Inglaterra

Pergunto-me se ainda resta alguém no planeta que ele gostaria de conhecer. «A rainha da Inglaterra», diz prontamente. Mas, claro, conhece Meghan: «Sim. Vou dizer-lhe uma coisa que se aplica a Meghan. Vou contar-lhe um segredo que acho que se aplica a todos. Vou dar-lhe uma notícia dececionante. A Meghan, a Kendall, a Gigi, todas essas jovens mulheres são muito simpáticas. E uma das razões pelas quais elas são muito simpáticas é porque estão a viver os seus sonhos. A Kendall cresceu a querer ser modelo. A mãe da Gigi era uma modelo. A Meghan é a princesa da Inglaterra. Não seria uma deceção se uma jovem supermodelo fosse uma idiota? As histórias [negativas] são perpetuadas por pessoas infelizes. As pessoas sobre quem essas histórias falam geralmente são muito felizes.»

Várias horas depois, na festa Love / YouTube, no último andar do hotel londrino The Standard, “essas pessoas” estão realmente muito felizes. Vejo Kendall Jenner com o seu cabelo loiro recém-pintado [entretanto, já voltou à sua cor original], Gigi e Bella Hadid, Irina Shayk, Christina Aguilera, Rita Ora, Daisy Lowe e Brooklyn Beckham, todos a comerem batatas assadas no restaurante Decimo, no 10º andar do hotel. E no meio de todos eles está Blasberg, a fazer as funções de anfitrião. Independentemente de ser segunda à noite ou não, já é tarde, e todos dançam ao som de Taylor Dayne ou de Taylor Swift. Por breves momentos, sinto que tenho 18 anos novamente, e estou no centro do universo, mas não haveria outro sítio onde eu preferisse estar. Exceto, talvez, na cama.

No dia seguinte, o circo da moda muda-se para Milão. De acordo com o seu feed do Instagram, Blasberg esteve com Jennifer Lopez e Kaia Gerber na after party da Versace – o que me deixa surpreendida quando um email dele aparece na manhã seguinte, perguntando se eu gostei da festa. Raramente na história do jornalismo alguém se dá ao trabalho de escrever um “email do dia seguinte”. «Espero não ter ficado chateada por ser tão extrovertido quando conversámos», escreve ele. «Sair é uma grande parte do meu trabalho, é claro, mas também é algo que eu ainda gosto. Sei que sair e conviver não é fácil para todos. Dito isto, mesmo quando estou no meu limite, quando o jantar se atrasa e há um programa matinal no dia seguinte, não reclamo. Quando era criança, o meu sonho era chegar aonde a ação estava. Estou a viver os meus sonhos. Então, quem precisa de dormir? 😉 Xo Derek»

 

 

 

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de abril.