April Ivy: «Queriam Que Eu Fosse Uma Hannah Montana Portuguesa»

«Come As You Are»: April Ivy fala das suas várias facetas e da sua carreira musical. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagens: Sérgio Santos

Foi de rosto limpo, e num look bastante descontraído que April Ivy apareceu. Combinámos encontrarmo-nos para esta entrevista após o almoço, por volta das 14 horas num café em Lisboa. Pedi um café e ela uma água com gás. Não tinha pergunta nenhuma preparada, queria que fosse uma conversa fluída. Comecei então a gravar.

ELLE: Como é que a música apareceu na tua vida?

ApriL Ivy: A música foi sempre uma paixão. Sei que parece um cliché mas é verdade. Aos oito anos já tinha formado a minha primeira banda. Compunha as músicas com um grupo de amigos meus, e tocávamos em todas as festas da escola. Mais tarde pedi aos meus pais para começar a ter aulas de piano e canto e (…) com 12/13 anos decidi começar a pôr vídeos no Youtube. Usava um microfone da [Nintendo] Wii, que ligava ao meu computador, e no Garage Band gravava as músicas que depois publicava lá e no Soundcloud.

Isto até aos 14 anos, altura em que fui estagiar para uma rádio do grupo Renascença, e onde no último dia do estágio, fomos à Mega Hits. Lá eu cantei um bocadinho para as pessoas e depois de terminar, passado uns minutos, chamou-me um senhor que eu não sabia quem era, e que me disse «Chama os teus pais que eu quero falar com eles, porque gostava de te pôr a cantar agora à tarde em direto». Para mim tornou-se no melhor dia da minha vida. Ao chegar [à rádio] o Nelson perguntou à minha mãe se ela dava autorização para eu ser um projeto da Mega. E assim foi. Passei um ano a compor, e inicialmente queriam que eu fosse uma Hannah Montana portuguesa, mas lutei contra isso, e aí nasceu o Unstoppable e o Be Ok que lançamos em 2016, e foi um sucesso.

Queres explicar melhor como tudo aconteceu com esse hit?

O Be Ok foi o primeiro sucesso, e não estávamos nada à espera, porque fomos bater à porta de todas as editoras para me assinarem e ninguém me abriu a porta. Lembro-me de ter reuniões com o meu manager, e ele dizer-me «Ninguém quer, ninguém acredita, mas vamos fazer nós». E foi assim. Depois a Mega tocou a música e as outras rádios pegaram nela.

Depois desse sucesso já toda a gente te queria assinar, não?

Sim, depois já todos queriam. Mas o que aconteceu foi que eu tinha o meu e-mail na biografia das músicas, e a Universal França entrou em contacto comigo a pedir para marcarmos uma reunião. Nessa conferência eu assinei o meu primeiro contrato com eles. Fui a primeira portuguesa a assinar um contrato mundial com uma das maiores editoras do mundo. E mais tarde assinei com a Warner Music cá.

E até agora só lançaste singles, certo?

Sim, lancei o Shut Up a seguir ao Be Ok, depois o Run For Cover, o Frida e mais recentemente o Tell Me Baby.

april ivy

E para quando o primeiro álbum?

Para abril, o meu primeiro álbum sai agora em abril. Estou muito entusiasmada.

Mas porque achas que demorou tanto tempo até acontecer?

Por vários fatores, mas houve alguns atrasos, e quando isso acontece, na música pop, algumas das faixas deixam de fazer sentido, então tinha de criar novas. Nisto, acabei por fazer e refazer o meu álbum

Podes falar um bocadinho sobre o álbum?

Vai ter 11 faixas, e tem sonoridades muito diferentes. O Pop, desde que seja “catchy” é muito versátil, consegue chegar a vários géneros, e é isso que acontece.

E planos para a digressão existem?

Sim, já existem muitas datas, e estamos a pensar no espetáculo, porque quero que tenha tudo a que tem direito.

As joias que usamos na produção são da Tous, qual é a tua relação com a marca?

Desde que me lembro que a Tous foi sempe a marca de eleição da minha mãe para me comprar joias. Porque são intemporais. Até ao dia de hoje tenho a minha primeira joia que era um ursinho com brilhantes que recebi quando tinha cinco ou seis anos.

O que achas deste última coleção?

Em geral todas as peças da Tous são incríveis porque não tem necessariamente uma faixa etária. Eu tenho joias da minha mãe com anos que continuo a usar, e são peças muito delicadas. E, para mim, o ursinho da Tous é icónico.

E há alguma peça que tenhas gostado mais?

Eu estou muito numa fase de brincos, e há umas argolas da Tous largas, com ursinhos de todas as cores que gostei imenso. Os ear cuffs também eram muito giros.

 

Styling: Vítor Rodrigues Machado; Maquilhagem: Inês Aguiar; Cabelos: Cristiano Pereira; Unhas: Moscow Beauty Bar.

 

Este artigo foi originalmente publicado na ELLE de maio de 2019.