Seis Mulheres Fortes Que Foram Pioneiras na Indústria da Beleza

Estes nomes mudaram o rumo da história e desafiaram a sociedade. Por: Carolina Adães Pereira Imagens: D.R

Celebramos as mulheres que mudaram a indústria da beleza para sempre e que deram os seus nomes a algumas das marcas mais inovadoras, que ainda hoje são relevantes e continuam a ter fãs em todo o mundo.

Madam C. J. Walker, Madam C. J. Walker Manufacturing Company

Depois de ficar viúva com apenas 20 anos, Sarah Breedlove teve de se sujeitar a vários trabalhos para poder sustentar a filha – foi a primeira pessoa da sua família a nascer depois do fim da escravatura. Quando notou uma queda capilar acentuada, Madam C. J. Walker (como viria a ficar conhecida) criou uns bálsamos para solucionar o seu problema.

O sucesso foi tal que acabou por desenvolver o Sistema Walker e começou a vender os produtos diretamente a mulheres negras. O seu método de beleza era muito diferente daquele que na época era apregoado (apenas focado no ideal de beleza caucasiana), o que fez com que o seu sucesso fosse automático, tornando‐a a primeira mulher negra milionária e a primeira mulher milionária por conta própria nos Estados Unidos da América. A vida e o legado de Madam C. J. Walker sobreviveram à sua morte, em 1919, e agora vão ser mostrados numa série da Netflix (da qual é retirada a imagem à esquerda).

Gabrielle Chanel, Chanel Beauty

Quando Gabrielle se aventurou no universo da beleza, já era um nome sonante na indústria da moda. Com o icónico Nº5, a designer queria «Um perfume de mulher com o cheiro de uma mulher». Criada pelo perfumista Ernest Beaux, esta fragrância floral destacou‐se por vários fatores: foi o primeiro perfume de uma casa de moda, em 1921; a presença de jasmim de Grasse na sua composição (conhecido pela sua fragilidade extrema); a estreia de aldeído no mundo da perfumaria, um componente sintético que exalta todas as outras notas, tornando‐as mais vibrantes e memoráveis; e o frasco de linhas retas, muito minimalista, que tem sobrevivido com elegância às mudanças dos tempos. O sucesso foi imediato: celebridades como Marilyn Monroe assumiram‐se suas fãs; após a Segunda Guerra Mundial, soldados norte‐americanos faziam fila para o comprarem para as suas mulheres, tornando esta fragrância um êxito até aos dias de hoje. Entretanto, a divisão de beleza dentro da marca de luxo francesa expandiu‐se para outras áreas, mas o Nº5 continua a ser o protagonista: é uma unidade vendida a cada 30 segundos no mundo inteiro.

Helena Rubinstein, Helena Rubinstein cosmetics

Nascida na Polónia, em 1870, Helena rumou à Austrália para fugir a um casamento forçado pelo seu pai. A sua pele sem manchas era motivo de grande admiração no seu novo país, o que motivou Rubinstein a vender o creme que usava (enviado pela sua mãe da Polónia) e mais tarde a abrir o seu primeiro instituto estético em Sydney, em 1902, para ensinar as mulheres a revelarem todo o seu potencial com a cosmética. Sair da Austrália com a sua marca e a sua filosofia para conquistar o resto do mundo era inevitável: institutos Rubinstein instalaram‐se nas principais capitais e o portefólio de produtos também aumentou, com a colaboração dos maiores cientistas da época. Dos inúmeros contributos de Rubinstein para a indústria da beleza, podemos destacar o primeiro sistema de identificação do tipo de pele e a máscara de pestanas à prova de água.

Florence Nightingale Graham, Elisabeth Arden

Depois de se mudar de uma localidade rural no Canadá para Nova Iorque, não tardou que Florence conseguisse concretizar o seu sonho americano. Após uma breve passagem por salões de beleza no início de 1908, abriu um salão na famosa Quinta Avenida batizado com o nome pelo qual ficaria conhecida: Elizabeth Arden. Por trás da porta vermelha, as clientes podiam usufruir de tratamentos de beleza num ambiente de puro luxo. De fazer faciais a produzir os produtos para esses faciais foi rápido; e ser reconhecida como uma das marcas de cosmética mais famosas do mundo (e uma das mulheres mais influentes na indústria) mais rápido foi. Arden é responsável pela introdução de produtos travel size, pelo conceito de makeover (processos de transformação que aconteciam nas suas lojas) e pela utilização da mesma cor em todo o look de maquilhagem, entre outras inovações.

Estée Lauder, Estée Lauder Companie

Inspirada por um tio químico que fazia cosméticos em sua casa, Josephine Esther Mentzer – Esty para a família – começou a desenvolver as suas próprias fórmulas. Em 1946, Estée (uma evolução da sua alcunha de criança) começou a vender os seus primeiros produtos pelos salões de Nova Iorque, com o seu marido, Joseph Lauder.

O sucesso mundial não tardou a chegar – parte do qual se deve ao conceito de amostras, inventado pela empresária. Estée acreditava que as mulheres só podiam comprar produtos se os experimentassem e comprovassem a sua eficácia. Esta ação permitiu a fidelização de clientes e o aumento do negócio. Hoje em dia, quase 20 anos após a sua morte, Estée Lauder não é apenas o nome de uma das empresárias mais visionárias e influentes da indústria da beleza nem apenas o nome de uma marca de culto, é também o nome de uma empresa que agrega muitas outras marcas como a Clinique, a M.A.C e La Mer.

Marie-Louise Carven, Carven

Do alto do seu 1,54 cm, Madame Carven, como era conhecida na indústria da moda (e ainda é), revolucionou o universo da alta‐costura com peças para pessoas de estatura baixa. Aliás, a designer referiu várias vezes que a sua dedicação à moda era apenas porque queria fazer alta‐costura para mulheres baixas como ela. À roupa leve e muito feminina de que estrelas francesas como Edith Piaf eram fãs juntou‐se o soutien push‐up, o pret‐à‐porter (uma das primeiras marcas a apostarem nesta categoria) e campanhas de marketing absolutamente inovadoras à época. O maior exemplo disso mesmo foi o lançamento do perfume Ma Griffe em 1946 (um ano após a criação da sua marca de roupa): para o promover, lançou de helicópteros que sobrevoavam Paris pequenos paraquedas com amostras do perfume. Durante muito tempo, o único aroma que se fazia sentir em qualquer evento social de gala era o da sua fragrância.