Behati Prinsloo Sai em Defesa da Victoria’s Secret: «É Um Desfile»

«Acho que as pessoas precisam de entender que é um desfile», disse a modelo de 30 anos. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagem: © Imaxtree.

Atualização (04/12)

Nas últimas semanas, muito se tem falado sobre a Victoria’s Secret, nem sempre pelas melhores razões. Depois de toda a polémica em torno dos comentários do diretor de marketing da empresa relativamente à presença de modelos plus size e transexuais no desfile — comentários que geraram uma onda de indignação e levaram Ed razek a emitir um pedido de desculpa —, Behati Prinsloo saiu em defesa da marca.

«Acho que a Victoria’s Secret encarna muitas coisas. Há muita conversa sobre tudo, mas acho que as pessoas também precisam de entender que é um desfile», disse a modelo de 30 anos, em entrevista à Elle norte-americana. «[O desfile] Não quer dizer algo de negativo ou de positivo sobre nenhum tipo de corpo, diz antes ‘essas são assim’. Somos fortes, confiantes», apontou Prinsloo.

Para a modelo, que começou a trabalhar para a marca com 19 anos e soma já dez desfiles da VS, «qualquer mulher é uma mulher Victoria’s Secret». «As pessoas precisam de perceber que é um desfile», repetiu. «É um desfile. Vamos apenas divertir-nos, ter uma grande noite e celebrar todas as pessoas».

O desfile da Victoria’s Secret para 2018 realizou-se a 8 de novembro na cidade de Nova Iorque, tendo sido transmitido no passado domingo, 2 de dezembro, na estação norte-americana ABC. As audiências foram as mais fracas de sempre: apenas 3,3 milhões de telespetadores viram os anjos desfilar na passerelle, um número que fica bastante aquém dos quase 10 milhões de espetadores, há cinco anos, e até mesmo dos 5 milhões, em 2017.

 

Artigo Original (12/11)

Se há marca que, ao longo dos últimos anos, se tornou num alvo para aqueles que continuam a pedir mais diversidade no mundo da Moda, foi a Victoria’s Secret. Contudo, recentemente essas críticas ganharam ainda mais força, após Ed Razek, diretor de marketing da VS, ter afirmado que o público não tinha interesse em ver modelos plus size na passerelle do evento.

Os comentários aconteceram numa entrevista à Vogue USA, quando a publicação o questionou sobre se pensariam em trazer mais diversidade ao desfile. Razek respondeu:

«Se está a perguntar se tivemos interesse em por modelos transgénero no nosso desfile, ou modelos plus size, nós tivemos. Nós criámos um desfile com modelos plus size na nossa outra divisão, a Lane Bryant. (…) Nós tentámos fazer um especial para a televisão com plus size [em 2000]. Ninguém teve interesse nisso, e continua a não ter». Razek acrescentou ainda: «As pessoas ficam do tipo: porque é que vocês não têm peças do tamanho 50? Porque é que vocês não têm um tamanho 60? Porque é que não têm um 24? Não deviam ter isto no desfile? Não deviam ter transexuais no vosso desfile? Não. Não, eu não acho que devíamos. Porque não? Bem, porque o espetáculo é sobre fantasia. É um especial de entretenimento com 42 minutos.»

Claro que esta resposta suscitou inúmeras críticas. Cora Harrington , autora do livro In Intimate Detail, que fala sobre a forma como a perspectiva que a mulheres têm sobre lingerie mudou ao longo dos tempos, disse:

 

Após uma onda de indignação face aos comentários do diretor de marketing, Ed Razek viu-se obrigado a emitir um pedido de desculpas através da página de Twitter da Victoria’s Secret. Nele, Razek centrou-se apenas nas modelos transgénero, deixando de fora as plus size:

«Os meus comentários sobre a inclusão de modelos transgénero no desfile da Victoria’s Secret soaram insensíveis. Peço desculpa. Para ser claro, nós definitivamente contrariaríamos uma modelo transgénero para o desfile. Nós já tivemos modelos transgéneros nos nossos castings... E, tal como tantas outras, não conseguiram ficar… Mas nunca teve a ver com o género. Eu admiro e respeito o seu percurso para se encontrarem com quem realmente são.»