Valentino: O Desfile de Lauren Hutton e os Acessórios de Cabeça da Mongólia

A Valentino apostou na diversidade e em referências ecléticas, mas quão longe estará da apropriação cultural. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: Imaxtree

A moda está a viver a Era da diversidade, e se no último desfile de alta-costura a Valentino tinha feito um statement com um final composto apenas por modelos negras, desta vez apostou numa diversidade etária. Apesar de esta ter sido marcada apenas pela presença da atriz Lauren Hutton, de 75 anos, sem que mais nenhuma modelo estivesse fora das idades normais para modelo. Será que podemos considerar isto uma verdadeira afirmação de diversidade?

Mas as escolhas controversas não se ficam por aqui! Para cobrir as cabeças de algumas das modelos Pierpaolo Piccioli utilizou acessórios inspirados nos trajes tradicionais da Mongólia. Numa altura em que as acusações de apropriação cultural são cada vez mais frequentes, é expectável que o criador italiano se veja arrastado para acusações desta natureza. Em 2015, a coleção de primavera-verão 2016 da Valentino já tinha sido acusada de apropriação cultural, pelos elementos que remetiam para os trajes tribais africanos, como os colares por exemplo.

Apesar as controversas o desfile esteve muito próximo do paraíso

Quando imagino o Jardim do Eden penso em tons que têm tanto de suaves como de fortes, tons vibrantes esbatidos e que por isso se torna harmoniosos e elegantes, e flores grandes, de um tamanho que só cabe nos contos de fadas. Pois bem, o desfile da Valentino foi muito isto.

O desfile abriu com o coordenado amarelo, com parte superior bordada com pedrarias e na cabeça um chapéu amarelo composto por franjas grossas, que tinham tanto de cadilhos de uma manta como de uma uma peruca de rastas. A terceiro coordenado apareceu o primeiro acessório de cabeça inspirado na Mongólia, a acompanhar um coordenado cor de laranja, que reinventava o clássico em linhas oversize.

Retalho a retalho

A coleção fez-se sobretudo das combinações de cores absolutamente maravilhosas e inesperadas, que são já assinatura de Pierpolo. As flores e as lantejoulas chegaram depois e tomaram a passerelle, ainda que, intercaladas com coordenados mais discretos onde o rigor do corte foi o protagonista. A coleção teve ainda espaço para plumas, glitter e renda. Mas o melhor da coleção foi o trabalho de patchwork. A proposta número vinte seis chegou em forma de casaco comprido com flores de vários tecidos, num trabalho de patchwork incrível. A técnica não se ficou por aqui tendo sido repetida em diversas peças.

 

O melhor do desfile

Para muitos o melhor do desfile pode ter sido Lauren Hutton que defilou aos 75 anos de idade, depois de dez modelos já terem entrado na passerelle. No entanto, é para a grande final que devem ir todos os aplausos, com as mãos que seguraram as agulhas, que tornaram tecido em algo muito próxima de arte, no palco.