Das Etiquetas da Louis Vuitton às Pulseira dos Relógios Tudor

Permanentemente focada na inovação, a Tudor não receou contrariar as regras da alta relojoaria. Por: Sandra Gato Imagens: © D. R.

Se o luxo – o verdadeiro luxo – sempre teve pouco que ver com produção em larga escala, atualmente não tem nada. São conceitos incompatíveis mesmo. Além de excelência (dos materiais, do design), exige-se a um produto premium que seja feito de uma forma cuidada, de preferência exclusiva.

A Tudor, marca-irmã da Rolex, assina relógios que, mais do que serem incríveis máquinas de precisão, são peças menos clássicas do que o habitual na alta relojoaria, que fogem aos parâmetros do “relógio sério”. Não é por acaso que o seu lema é Born to Dare e que Lady Gaga – com toda a sua conhecida ousadia e excentricidade – é uma das embaixadoras da marca (David Beckham é o outro grande nome).

As pulseiras

Faz sentido, pois, que tenha sido a Tudor a apostar no uso de pulseiras em tecido nalguns dos seus modelos. Começou a fazê-lo de forma regular em 2009, numa altura em que se achava que esse tipo de material era incompatível com o suposto requinte e glamour da alta relojoaria suíça.

Sem se preocupar com esses rótulos, a Tudor foi à procura de um fabricante de braceletes em tecido que correspondesse aos elevados standards da marca. Encontrou-o na zona de Saint-Étienne, em França. Chama-se Julien Faure e é uma fábrica à moda antiga, que se adaptou claramente aos dias de hoje mas sem perder o foco na produção artesanal.

Fundada em 1864 por Henri Faure, como fábrica de fitas, sofreu convulsões e acompanhou o desenrolar da História (de França e da Europa) mas conseguiu permanecer um negócio familiar. Dedicada a fazer fitas e etiquetas para marcas como Christian Louboutin, Louis Vuitton, Dior, Gucci, Balenciaga e Lanvin, é um espaço em que o luxo que se respira advém da forma artesanal como tudo é feito. Uma visita à fábrica-atelier é suficiente para perceber que, apesar de existir alguma tecnologia moderna, a maior parte dos teares são em madeira antiga (e funcionam na perfeição) e o trabalho é essencialmente manual. Para quem gosta de História, os arquivos, com amostras de fitas que já nem conseguem fabricar-se atualmente, são uma viagem ao passado (da moda também) que remete para peças que ainda vimos nas casas das nossas avós. Porque ousar (dare) é saber fazer diferente.

 

 

O artigo foi originalmente publicado na revista de janeiro de 2020 da ELLE.