A Semana de Moda de Nova Iorque Foi Uma Ode À Diversidade

A idade, cor de pele, tamanho, etnia e orientação sexual foram colocadas em cima da passerelle. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

A moda é cada vez mais política e a cada semana de moda que passa, isso torna-se mais claro. O foco, ainda que se mantenha na apresentação das propostas dos criadores para a temporada, é dividido com questões relacionadas com a igualdade e representatividade, nas quais a fronteira de idade, tamanho, etnia, orientação sexual ou cor de pele é constantemente transposta.

Apesar das polémicas relacionadas com a perpetuação de ideais que promovem a segregação de algumas comunidades- sendo exemplo as controvérsias de que a Prada e a Gucci foram alvo, devido às semelhanças que algumas das suas peças tinham com a imagem de blackface -, as marcas têm procurado incluir mais mulheres negras nos desfiles. A esta preocupação com uma maior representatividade racial, esta estação ganhou destaque outra preocupação: a de transpor as barreiras de tamanho e idade.

Christy Turlington, a supermodelo da década de 90, foi um dos exemplos da quebra da barreira de idade na Semana de Moda de Nova Iorque. Com quase 50 anos, Turlington encerrou o desfile de Marc Jacobs com um vestido de penas preto. Mas não foi a única modelo fora do padrão, também Gwendoline Christie surgiu na passerelle. A designer Naeem Khan convidou as supermodelos dos anos 70, Pat Cleveland, Alva Chinn e Karen Bjornsen, para encerrar a apresentação das propostas para o outono/inverno 2019.

Também a fechar um desfile, mas desta vez da 11 Honoré, esteve Laverne Cox, a apresentadora transgénero que desfilou com um vestido Zac Posen, ao lado de várias modelos plus size.

No entanto, a maior ode à diversidade foi vista na apresentação da Chromat – que procura cumprir o seu compromisso de integrar, todas as temporadas, um casting o mais inclusivo possível -, na qual surgiram modelos de todos os tamanhos, etnias e culturas, em peças que davam vida a todas as cores do arco-íris. Também as passerelles de Christian Siriano, Tadashi Shoji, Cushnie e Eckhaus Latta ficaram pautadas pela presença de modelos de várias raças e tipos de corpos distintos.

Inclusividade fora da passerelle

Esta quarta-feira, 13 de fevereiro, foi marcada por dois anúncios, nos quais a promoção da representatividade foi a protagonista. Primeiramente, os designers Angela Dean, Kevan Hall, TJ Walker e Ruth Carter anunciaram a criação do Black Design Collective, uma organização sem fins lucrativos que pretende ajudar a solucionar questões relacionadas com a desigualdade na indústria da Moda. O objetivo desta é proporcionar oportunidades e ferramentas para os criadores negros poderem desenvolver, produzir e vender os seus produtos a nível global, assim como criar programas educativos para os jovens designers.

Ainda no mesmo dia, a Prada revelou a criação de um conselho consultivo para a diversidade e inclusão, liderado pelo artista Theaster Gates e pela produtora e realizadora Ava DuVernay. Este é um esforço para «elevar as vozes multiculturais dentro da empresa e da indústria da moda no geral», de acordo com comunicado citado pela Elle americana.

Veja na galeria, em cima, alguns dos exemplos de diversidade na Semana de Moda de Nova Iorque.