Sanjo a Icónica Marca de Ténis 100% Portuguesa Que Regressou

Agora com uma nova imagem que nos volta a fazer apaixonar por ela. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagem: © D.R.

Sabemos que, muito provavelmente, já ouviu por mil vezes ouvir alguém dizer que a indústria da moda consegue ser muito cruel. Aquilo que era “incrível” há dois meses, subitamente, deixa de o ser. No entanto, existem umas quantas marcas/peças que têm a capacidade de nos marcar e ocupar para sempre um lugar especial nos nossos corações. A Sanjo é um delas.

Cresceu e prosperou num Portugal completamente fechado ao resto do mundo, no entanto, assim que as fronteiras se abriram, em 1974, não conseguiu aguentar a concorrência e cerca de 20 anos depois fechava as portas. Mas agora está de volta. Graças a José Egipto  Magalhães e Hélder Pinto, que estão a reerguer a marca. «A Sanjo foi um feliz acaso no meu percurso profissional» começa por dizer Pinto, «Inicialmente foi proposto ao meu sócio José do Egipto a possibilidade de adquirir a marca mas, numa fase embrionária, ele não queria envolver-se no projeto (por não ser o ramo de negócio que desenvolveu ao longo da sua carreira). Contudo, acho que o meu entusiasmo com a perspetiva de relançar uma marca como a Sanjo, acabou por o contaminar e ficou tão ou mais aliciado com o projeto quanto eu».

Os dois juntaram-se então neste desafio, não só com a tarefa de reerguer uma marca desportiva icónica, mas também a de limpar da memória o relançamento feito em 2010, por um empresário, que ficou muito longe do desejado. «Inicialmente não tínhamos a perceção do quanto as pessoas estavam desagradadas com a qualidade da marca nos últimos anos. A produção tinha sido transferida para a Ásia e consequentemente a qualidade do produto ficou aquém das expectativas dos consumidores. Isto foi o que mais tivemos de combater para ver a marca prosperar (…). O nosso objetivo foi sempre recuperar a marca e explorar o seu potencial, acreditamos que estamos a fazer um bom trabalho, até porque o feedback do público tem sido bastante positivo» afirma o administrador da Sanjo.

De facto, os erros cometidos pelo antigo dono não voltaram a ser repetidos pelos dois empresários que, mesmo estando conscientes do quão monetariamente benéfico poderia ser ter todo o seu calçado fabricado no Oriente, optaram por seguir um rumo diferente, produzindo todo o seu produto no mercado nacional: «Chegamos à conclusão de que um produto com um ADN tão português, não tinha outra alternativa que não fosse o “100% made in Portugal”. É certo que foi uma aposta arriscada por não ser a opção financeiramente mais vantajosa para nós, e numa fase embrionária do relançamento da marca isso foi um fator com grande relevo, mas acreditámos que esse esforço da nossa parte iria ser reconhecido por um público que valoriza cada vez mais o produto nacional».

Numa altura em que o mercado nacional passa por uma momento tão complicado, saber que existem marcas nacionais que continuama a produzir em território português (garantindo assim que as fábricas consigam manter as suas linhas de produção e, por consequência, tenham forma de pagar aos seus trabalhadores) é de facto, algo que devemos valorizar. Mas não é o único ponto. Como é sabido, temas relacionados com a sustentabilidade da produção na indústria da moda têm sido bastante questionados por compradores cada vez mais atentos a tudo que acontece, e à forma como as marcas tratam o planeta, e essa é também uma preocupação da marca que procura ser mais amiga do ambiente: «Optámos por uma forma mais ecológica de fabrico. No passado, as Sanjo eram produzidas com uma sola vulcanizada. Hoje em dia são fabricadas com uma sola colada que nos permite ter uma pegada ecológica muito mais reduzida. O nosso foco prende-se muito com a sensibilização do nosso público e com a procura incessante de encontrar um equilíbrio entre a indústria da moda e o meio ambiente. Prova disso são os modelos mais icónicos da marca, os K100 e os K200 que, na sua composição, não incluem qualquer componente de origem animal. A nossa ambição a curto prazo é, já no próximo verão (2021), ter uma coleção cápsula inteiramente sustentável».

Foram estes dois modelos mencionadas por Hélder Pinto, em cima, que fizeram com que a Sanjo se tornasse num verdadeiro sucesso durante quase 60 anos, mas não é só por aqui que ela vai ficar. É certo que no passado já apresentaram os RN70 e os K70, mas novos modelos prometem chegar ao mercado já na próxima estação fria. Serão eles os B200, numa forma clássica de ténis, e ainda, os K300 que, contrariamente ao que seria de esperar, não terão forma de ténis, mas sim de botas de montanha. E para além de tudo isto, e marcando ainda mais a sua relação com tudo aquilo que é português, existem uma série de colaborações a caminho. Entre elas, a parceria com a prestigiada marca portuguesa Burel (da Serra da Estrela), e ainda (e provavelmente a mais entusiasmante para os amantes de moda), com a conceituada designer Alexandra Moura, que levará um pouco do seu imaginário para a marca.

Ainda que tenham disponível para compra, no site, além dos ténis, também um modelo de t-shirt, crescer mais na área do vestuário não faz parte dos planos dos administradores da Sanjo, que se querem manter focados e especializados no ramo do calçado. Como o próprio Hélder Pinto diz, atualmente, «temos dois objetivos para o futuro da marca: atingir um público mais jovem no sentido de conseguir perpetuá-la pelas gerações vindouras e, a par disso, a internacionalização, levá-la a todos os cantos do mundo»