Sustentabilidade e Representatividade São os Novos Pilares da Salsa

A marca de denim celebra, este ano, um quarto de século. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

A sensualidade e a exaltação do corpo feminino eram, no início da história da Salsa, o mote da marca. Aliás, foi exatamente com a ideia de realçar as curvas e a fisionomia feminina, através do jeanswear, que Filipe Vila Nova trouxe a insígnia ao mundo. Inspirado pelos ritmos quentes da dança de origem cubana, presentes no filme latino-americano homónimo, o criador batizou a marca como «Salsa», em 1994.

No entanto já estava na indústria têxtil desde 1987,  quando se juntou a uma tia que era costureira, e ter aberto uma pequena lavandaria, de onde surgiu um mini negócio de denim. Esse foi crescendo e deu origem ao que é hoje a indústria da marca, IVN (Irmãos Vila Nova), na qual calças de ganga e outras peças ganham vida.

Mas, como sabemos, esse negócio não deu origem apenas a uma fábrica. Filipe Vila Nova apercebeu-se de que devia apostar todas as fichas no mercado de denim, principalmente no setor feminino, e acabou por criar a sua própria marca. Corria o ano de 1994, quando aconteceu. «Não tivemos logo lojas próprias e, portanto, fomos expandindo a Salsa através do canal multimarca em Portugal», explicou Rita Calheiros, diretora de marca e marketing, à ELLE. «Em 1998, abrimos a primeira loja no Norteshopping, no Porto, e depois, a partir daí, começámos a crescer o canal de lojas próprias, ao mesmo tempo que continuámos também no canal multimarca», adicionou.

O crescimento não foi, contudo, apenas à base da matemática, com espaços físicos a serem continuamente adicionados à equação. Existiu também uma evolução ao nível dos consumidores e valores da marca, uma vez que as exigências dos clientes foram mudando ao longo dos 25 anos que a marca celebra este ano. «Temos muitos consumidores que ainda hoje permanecem na marca. Há 25 anos estes eram, obviamente, 25 anos mais novos, o que significa que tinham um poder de compra e um tipo de perfil de compra diferente. Enquanto na altura preferiam quantidade a qualidade, agora talvez prefiram ter menos peças, mas com uma maior qualidade e durabilidade. E exigem-no à marca», notou Rita Calheiros.

Uma preocupação crescente com o meio ambiente

Como é expectável, as reivindicações dos clientes não se ficam pela qualidade dos produtos. «Com o aparecimento de uma economia digital, os consumidores estão cada vez mais informados e exigem cada vez mais», sublinhou José António Ramos, CEO da marca desde fevereiro deste ano. Com notícias diárias de que o planeta está em risco, a sustentabilidade é também uma questão que os preocupa e demandam-no à Salsa, que os ouve e procura dar resposta não só através do investimento em técnicas de produção mais amigas do ambiente, como nas próprias condições da empresa.

«Temos de dar importância à questão da sustentabilidade não apenas na roupa, mas principalmente na indústria da moda, que é uma das que mais contamina e na qual a pressão é cada vez maior. Creio que não é apenas uma pressão que vem dos clientes, mas também de nós próprios, porque estamos conscientes da magnitude do problema e da relevância de o combater. Toda a marca está alinhada para assegurar que os nossos produtos são cada vez mais sustentáveis, quer no que diz respeito à produção das matérias-primas, quer das lavagens, que são as partes que mais água consomem», declarou José António Ramos.

Assim, nos últimos anos, a Salsa tem introduzido processos sustentáveis de desenvolvimento e produção de jeans. Um deles, o Organic, foi criado pela própria IVN e é uma tecnologia única no mundo. Através desta, é possível reduzir o consumo de água até 92%, o de energia ao nível dos 89% e o de vapor em 62%. Além disso, todos os produtos químicos são orgânicos e certificados pelo Global Organic Textile Standard.

No entanto, não só as lavagens das gangas foram pensadas para serem cada vez mais amigas do ambiente. Os próprios botões de todas as calças de homem, por exemplo, são, agora, desenvolvidos com menos energia e substâncias químicas, e os enchimentos para os casacos são feitos de um tecido obtido a partir de poliéster ou nylon reciclado.

Ainda que, como explica Rita Calheiros, a «visão de sustentabilidade esteja, obviamente, no produto», «a própria operação e as próprias pessoas também interessam» e, por isso, existe uma preocupação em serem mais verdes desde o momento em que as coleções são desenhadas até à altura em que o consumidor sai da loja. «Há uma série de iniciativas em curso. Por exemplo, a Salsa já tem painéis elétricos para poupar energia há anos», frisou a diretora de marca e marketing. «Todos os nossos sacos de loja, embalagens de presente, as caixas de envio de e-commerce, tudo já é em material reciclado», adicionou.

Também o CEO da marca relembra uma ação recente na sede da Salsa, situada em Vila Nova de Famalicão, que prova a direção que esta está a tomar em relação ao ambiente. «As preocupações com a sustentabilidade são claras mesmo dentro da empresa. Por exemplo, todas as garrafas de plástico foram eliminadas. Agora só utilizamos garrafas de vidro», declarou. Estas foram distribuídas aos funcionários, que as podem encher em vários pontos da empresa.

Não só de sensualidade se faz, agora, a Salsa

Além de mais consciente em relação à questão ecológica, a marca tem procurado, nos últimos anos, abraçar a inclusividade. «Hoje, claramente – e está relacionado com o posicionamento que estamos a construir -, somos especialistas em fits para as várias necessidades da mulher. Não desenvolvemos calças apenas para a mulher magra, a que não tem rabo ou a que tem barriga. Aqui, uma mulher que queira umas calças normais, mas confortáveis, tem. Uma pessoa que queira um estilo mais casual, como umas boyfriend ou umas mom jeans, também tem. Mas alguém que queira um fit mais técnico, com um efeito mais sensual, também tem», declarou Rita Calheiros.

Os mais recentes esforços para ser uma marca mais inclusiva mostram-se na última campanha, «More Than a Number» (numa tradução livre, Mais que um número). Nesta, a Salsa prova que o número na etiqueta da roupa ou nos documentos de identificação não nos definem. «Todos nós somos bastante mais do que os números que fazem parte da nossa vida – o cartão de cidadão, o telemóvel, o código postal ou até o número que vestimos. Somos pessoas com personalidades distintas, únicos na nossa individualidade, e não temos que nos encaixar em padrões ou clichés pré-definidos: devemos celebrar os diferentes ‘eus’ que podemos ou queremos ser», frisou a diretora de marca e marketing da Salsa, em comunicado enviado à redação, em abril.

O futuro num espaço que é mais que uma loja

Depois de ter chegado, em Espanha, a 25 lojas em nome próprio, 300 multimarcas e ainda ao El Corte Inglés, a Salsa vai colocar mais um pionés numa rua espanhola. Desta vez, numa das principais vias de Madrid, a Gran Vía. O espaço, que está previsto abrir ainda este ano, entre setembro e outubro, será, de acordo com Rita Calheiros, mais que uma simples loja. «Vamos aproveitar para fazer desse local muito mais que uma loja. Queremos criar um laboratório onde tudo vai poder ser experimentado. Desde coleções cápsula a personalizações de produtos, a tipos de interações com o cliente muito mais tecnológicas», explicou. «É uma loja que não vai viver de ‘regras’, mas que nos vai permitir ir testando a experiência de compra dos consumidores, o serviço ou mesmo entregas em tempo recorde», completou.

Veja na galeria, em cima, a evolução da marca nestes 25 anos.