Já Há Robôs a Produzir Ténis Para a Gucci e, Não, Não Estamos no Futuro

As inovações tecnológicas na maison italiana não ficam por aqui. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © cortesia Gucci

A Gucci está a acompanhar e a abraçar a evolução tecnológica. Tanto, que já tem robôs destinados à produção de ténis. A notícia foi avançada pelo Financial Times, que publicou recentemente uma reportagem sobre a crescente presença de ferramentas tecnológicas nas grandes casas de Moda.

É na ArtLab, a fábrica de protótipos da maison italiana situada nos arredores de Florença, que a medida está ser implementada. De acordo com o jornal britânico, que fez uma visita guiada ao espaço, os robôs que estão a produzir pares de ténis para a Gucci, dando forma às ideias do diretor criativo Alessandro Michele, fazem parte de um sistema denominado Reingenious.

É nada mais nada menos que uma máquina patenteada e com capacidade para manipular e manusear os sapatos sem que, para tal, a intervenção humana seja necessária. Em causa estão sapatos que podem custar entre 520 e 1250 dólares, (aproximadamente 450 a 1080 euros).

Quer isto dizer que, no futuro próximo, não haverá trabalhadores nas fábricas da Gucci? É um cenário pouco provável. Marco Bizarri, o diretor executivo da marca, reconhece que apenas 30% a 35% da produção da empresa pode ser completamente automatizada — a restante terá que envolver mão humana. No entanto, estão já a ser estudadas novas formas de incorporar a tecnologia no ciclo de produção, como o desenvolvimento de peles in vitro. «Estamos a investir em startups para ter a certeza de que, se isso for possível, não ficamos para trás», revelou Bizarri.

A tecnologia ao serviço da Moda

A Gucci não é a única casa de Moda a ver com bons olhos os novos avanços na indústria tecnológica. Também a Prada já se pronunciou sobre a possibilidade de, no futuro, recorrer à robótica para produzir bens de luxo. «Os robôs estão nas bocas do mundo. É algo que vamos avaliar mais tarde», revelou Patrizio Bertilli, que partilha com a mulher, Miuccia Prada, o cargo de diretor executivo da casa de Moda italiana.

Planos à parte, já houve quem tivesse feito história: a designer holandesa Iris van Herpen foi pioneira a aplicar a tecnologia de impressão 3D no ramo do vestuário de luxo. Já Karl Lagerfeld na coleção de alta costura da Chanel para o outono-inverno 2015 apresentou um fato de tweed impresso em 3D, e Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga, fez uso da tecnologia de impressão e modelagem a três dimensões para produzir certos casacos da coleção outono-inverno 2018.