Portugal Fashion: Um Segundo Dia Quase Exclusivamente No Feminino

Mais uma moeda, mais uma voltinha. Por: Inês Aparício Imagens: © View Fashion Book.

Numa prova de que Beyoncé não diz nada mais do que verdades (who run the world? girls!), foi quase exclusivamente no feminino que se fez o segundo dia de Portugal Fashion. Entre apresentações em formatos pouco convencionais e os clássicos desfiles, oito criadoras e um designer mostraram que nem uma pandemia consegue travar a Moda nacional.

Era dentro do claustro do antigo Convento de Monchique, ao qual o acesso era feito pelo hotel Neya, que Susana Bettencourt iria passar toda a sua sexta-feira. Aí, ao mesmo tempo que mostrava a sua coleção de inverno – uma continuação da apresentada em março, Overload – ao público, iria aproveitar para gerar conteúdo voltado para o digital: imagens de campanha, fotografias estáticas para o online e as habituais do Portugal Fashion, «para toda a imprensa ter uma noção de coleção completa». Tudo num dia.

«Numa apresentação teria 15 minutos. 15 minutos para gerar todo o conteúdo de uma coleção que tenho online seis meses. Num mês ainda dá, mas o que é que faço no resto dos meses?», questiona, em conversa com a ELLE.pt. «Pensando que, nesta edição, as centenas de pessoas que tínhamos antes ao vivo não estão e vão estar online, achei que era o ano certo para experimentarmos e vermos como isto corre», adiciona.

Assim, é fácil imaginar que, ironicamente, a azáfama era grande. E dizemos ironicamente, porque a linha que agora exibiu era inspirada exatamente na correria e stress de uma cidade, Nova Iorque, materializando-se em figuras semelhantes a prédios altos e estradas congestionadas pelo trânsito.

Se Susana Bettencourt voou até à cidade que nunca dorme para a sua coleção, Maria Meira viajou no tempo e resgatou as memórias que guarda das suas avós. Foi assim que nasceu uma linha com referências aos anos 30, década em que ambas nasceram, que une, não só o próprio estilo das suas progenitoras, como revive peças oferecidas por estas. «A avó Amélia deu-me a camisa azul com flores, os lenços no pescoço e os fatos com ombreiras. A avó Cacilda deu-me os vestidos com bolinhas», lembra a jovem criadora, em comunicado. E todos estes itens compuseram Amélia/Cacilda, fazendo-nos, também nós, entrar nos seus álbuns de recordações.

À mesma hora que o desfile anterior, marcado para as 14 horas, foram também exibidas as propostas de Unflower. Ana Sousa e Joana Braga, as mentes por trás da marca, trouxeram uma coleção sóbria e, como não podia deixar de ser, super feminina – ou não faria já esta parte da identidade da insignia. Por isso, sim, surgiram cinturas marcadas, mangas abauladas e outras que pareciam levar-nos para um planeta bem longe (o que não seria uma péssima ideia, tendo em conta o contexto atual), como se de asas de tratassem.

 

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Seguiu-se a apresentação de Inês Torcato. Ou melhor, de Torcato. A criadora aproveitou o espaço no calendário do evento para dar a conhecer ao público a sua nova marca, através do que quase poderia ser o videoclipe de uma música (e que pode ver, em cima). Mais comercial, a insígnia estará disponível numa plataforma que pretende revolucionar a forma como fazemos compras online a partir do mês de dezembro.

O que começou por parecer uma parada de vestidos brancos, rapidamente evolui, detalhe a detalhe, para um universo ácido, em que o néon iluminava, ao mesmo tempo que parecia alertar para o perigo. Maria Gambina não esqueceu (quer dizer, como esquecer, não é verdade?) que uma pandemia tolda as nossas vidas e adaptou a sua coleção, apropriadamente chamada Quarentena Funcky, a esta realidade. Às malhas, adicionou acabamentos técnicos em membranas de proteção antibacteriana e completou alguns dos looks com máscaras de dimensões desmesuradas em torno dos braços – onde não as deve guardar, por sinal.

A pandemia pode ter servido como mote para Gambina, mas, para Pé de Chumbo, serviu apenas como uma desculpa para abandonar (um bocadinho) a zona de conforto. Significa isso que, num mar de peças feitas de fio – que diferenciam e identificam a marca de Alexandra Oliveira -, surgiram, pela primeira vez, gangas, quer em bolsos extra (quase como se tivessem sido recortados de uns jeans e aplicados por cima de saias, quer numa mescla de materiais que deram vida a casacos ou, simplesmente, em pares de calças estilo boyfriend.

Para terminar o segundo dia de Portugal Fashion, Miguel Vieira trouxe um «dois em um». Enquanto mostrava a sua nova coleção, o designer apresentou também os três cocktails que desenvolveu em parceria com a Vogue Café. Como? Inspirado nas cores de cada uma das bebidas, agrupou cinco coordenados – em tons de rosa, azul e, por fim, bege – da sua linha exibida previamente durante a Semana de Moda de Milão e exibiu-os ao mesmo tempo que servia um copo do cocktail correspondente.