Portugal Fashion: O Primeiro Dia Numa Alfândega Estranhamente Vazia

E assim, em plena pandemia, começou mais uma edição do evento de moda portuense. Por: Inês Aparício Imagens: © View Fashion Book.

Habituámo-nos a ver uma alfândega do Porto repleta de pessoas. De todas as idades, estilos, cor de pele e origens. Mas nesta 47ª edição, no ano em que o Portugal Fashion marca os seus 25 anos, o espaço junto ao rio Douro parece estranhamente vazio. A culpa é, claro, da pandemia, que obrigou a que medidas de segurança fossem tomadas, incluindo uma restrição do público. Esse, este ano, forma-se apenas por profissionais, como imprensa, retalhistas, parceiros industriais e sectoriais, distribuidores e empresários, e, garante a organização, «nunca excederá as 200 pessoas por desfile».

E isso nota-se. Quer nos longos corredores do grandioso edifício, quer durante as próprias apresentações híbridas, são poucos os que se veem passar ou assistir às exibições das propostas dos criadores que compõe o calendário, no qual a falta de Luís Buchinho e Diogo Miranda se faz sentir.

Porém, apesar da quase totalidade dos desfiles na alfândega, o tiro de partida foi dado no pátio exterior do hotel Neya, a poucas dezenas de metros do local principal. Com o claustro do antigo Convento de Monchique e uma pequena fonte como pano de fundo, as modelos desfilaram, entre os sofás e cadeiras aí distantemente colocados, com a coleção Dreams, de Sophia Kah. Repleta de brilho, plumas e as habituais rendas, a linha é feita de nostalgia e, realmente, de sonhos. Os de voltarmos a sair à noite e de dançar por ela fora, aproveitando a vida sem medo.

Daí, seguimos, então, para a alfândega, onde foram apresentadas, conjuntamente às 14 horas, as coleções de João Sousa e Arieiv, enquadrados na plataforma Bloom. Enquanto o primeiro mergulhou até ao fundo do mar e emergiu com padrões coloridos que relembram corais, folhos e tecidos leves que ondulam como as próprias águas, além de outros elementos de inspiração náutica, como estrelas e cordas, o outro trouxe o excesso já comum nas suas linhas, materializado em fartas camadas de folhos e assimetrias.

Para David Catalán, trocamos um dos espaços ao ar livre no interior do edifício por uma sala escura, com cadeiras individuais e bem espaçadas, para a qual apenas podémos entrar quando já cinco modelos aí se encontram, sentados de costas para o público, a ver uma projeção gigante na parede. Nesta, é transmitido o desfile do designer em Milão e, percebemos depois, também a do Portugal Fashion. Confusa? Nós explicamos. O criador espanhol, em vez de mostrar fisicamente todas as suas propostas, optou por fazê-lo apenas através de um vídeo gravado na cidade italiana, onde apresentou, no final do mês passado, a linha de primavera/verão 2021, sem público.

Mas formatos de apresentação à parte, para esta temporada, Catalán entrou num safári e levou-o para um ambiente urbano. Foi assim que surgiram coletes e camisas com bolsos maxi, assim como t-shirts, casacos e hoodies com silhuetas de folhas estampadas, delineadas ou tingidas em gangas.

Diz-se que «Deus escreve certo por linhas», mas Carolina Sobral escreve certo por linhas direitas. Aliás, essencialmente por linhas verticais. Num mar de lisos, a jovem criadora introduziu um único padrão de riscas em diferentes tonalidades de azul, que complementavam os decotes retos dos vestidos e tops e as silhuetas alongadas que compunham a coleção.

Quem também escolheu o formato de vídeo para introduzir a sua linha foi Katty Xiomara. Porém, contrariamente a David Catalán, esta não se serviu apenas da curta-metragem realizada por Mónica Santos para apresentar as suas propostas. Depois de uma vez exibida a película, esta voltou a ser repetida (mas em espanhol e não em português, como primeiramente), enquanto duas modelos foram entrando, alternadamente, com várias peças vestidas ao mesmo tempo. Em frente ao público, despiram-nas até um coordenado final, como se deixassem a nu a sua Alma, o tema da coleção. E como é esta alma? Um reflexo do ADN da marca da criadora nascida na Venezuela e, portanto, repleta de folhos, rendas, laçadas, mangas abauladas e cores pastel. No fundo, ultra feminina.

Depois do Caos de Estelita Mendonça, que levou uma amálgama de cores e materiais para junto do rio Douro – ainda que estes, no conjunto, fizessem sentido -, Ernest W. Baker, a marca da dupla de jovens designers Reid Baker e Inês Amorim, viu a sua estreia acontecer no Portugal Fashion. E, com a apresentação em vídeo desta (que pode ver, abaixo), terminou o primeiro dia do evento de Moda na Invicta.

 

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15 OUT :: PORTUGAL FASHION 25 ANOS :: #25yearsprotectingtalent #pfprotectstalent #positivefashion #portugalfashionweek #portugalfashionSS21

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