O Guarda-Roupa Clássico de Carolina Sobral e a Viagem a Luanda de Rita Sá

A 25ª edição do Portugal Fashion arrancou, à porta fechada, com as propostas dos designers do espaço Bloom. Por: Inês Aparício Imagens: © Viewfashionbook.

 

O contraste entre a luz e a sombra em Maria Meira

 

Nas palavras da designer: «É a procura das formas possíveis, por detrás de uma projeção, que acaba por revelar o processo criativo, gerando as premissas através da qual este se desenvolve, traduzindo uma visão ambígua de um universo onde a luz e a sombra se confundem e se transformam numa representação pictórica de si mesmos».

 

 

Destaques: Estampados que se assemelham a pinceladas, amarelo como ponto de cor, napas e pelúcias.

O retrato de Unflower

 

Nas palavras das designers: «A força e a fragilidade inspiram a coleção, alternando sarjas e peças em pele sobrepostas a malhas justas e
estruturadas, remendadas com pespontos e costuras sobrepostas, e cetins que denunciam a fragilidade e o envolvimento amoroso. Sobre as malhas, manchas e prints de tie dye, retratam o trabalho de Celia [Paul]. Os prints inspirados na estética de trabalho de Jonathan Lasker, apresentam uma abordagem divertida e colorida, com formas e ideias de espaço preenchido/vazio».

 

 

Destaques: Bainhas descobertas e os prints inspirados na estética de trabalho de Jonathan Lasker.

A viagem a Luanda por Rita Sá

 

Nas palavras da designer: «A inspiração surge de uma série de memórias preservadas em fotografias de crianças de rua na roda de uma dança que nunca acaba e sorriem quando vêem uma câmara. Misturas explosivas de peças de universos distintos resultam em combinações aleatórias e descoordenadas. (…) Com forte influência do universo do vestuário desportivo, esta coleção explora diferentes referências de vestuário, materializado no contraste de materiais, cor e acabamentos, tal como em peças divididas entre o direito e o avesso, reflexo dum estado de descontração e desembaraço».

 

 

Destaques: Coordenados monocromáticos, contraste de materiais, calças marcadas com o corte dos calções.

0.9 Vírus chama a atenção para a sustentabilidade

 

Nas palavras do designer: «Inspirado na água, recurso passível de findar – um monstruoso desgaste da fonte do ser e nas capacidades do magma derretido em recuperar. (…) Destacam-se as camadas que retratam ondulações referentes à fluidez, ao efémero e ao esmorecer. Estrutura através de cortes – a interação do Homem. Utilização de matérias maioritariamente orgânicas e recicláveis – felpa, sarja e o denim em preto e tons de azul, alusivos ao poder e à exuberância perante os recursos. Prints a negro, que caracterizam as ondulações de óleo sobre a água cristalina».

 

 

Destaques: O casaco de ganga que se volta do avesso para dar vida a um colete, sobreposições e os estampados.

 

As lembranças da avó de João Sousa

 

Nas palavras do designer: «Esta coleção é uma homenagem à minha avó Belmira, daí a analogia Bella (por crescer com ela e fantasiar todas as coisas belas da imaginação) e Mira (nome pelo qual a chamo). Esta é uma coleção que reflete todos os problemas na vida dela, o cancro da mama, por consequente a perda do peito esquerdo e a perda das pernas devido aos diabetes. As manipulações das peças e as assimetrias simbolizam esses obstáculos, que aparecem quando menos esperamos. Escolhi materiais inspirados nos tecidos que a minha avó utilizava para fazer as roupas da minha mãe e as peças para a missa de domingo. Os brilhos e as formas representam a sua vaidade e pomposidade».

 

 

Destaques: Bainhas inacabadas, assimetrias, texturas que se assemelham a cestaria.

Carolina Sobral vai ao trabalho

 

Nas palavras da designer: «Inspirada por peças intemporais e uma atitude ‘work wear’, esta coleção pretende criar um ‘guarda-roupa completo’ para a mulher atual. É constituída por linhas clássicas, casuais e versáteis, que refletem a criatividade e a confiança da mulher moderna. Cores como bege, verde e preto são predominantes destacando-se ainda apontamentos de azul e amarelo. Mantendo a estética da marca, “SHIFT” pretende apresentar uma coleção funcional e prática para uma mulher sofisticada e contemporânea».

 

 

Destaques: Fluídez de tecidos, fatos de calções e blazers compridos e bolsos maxi.

O movimento punk de Ariev

 

Nas palavras do designer: «A realidade paradigmática faz-te sentir outra pessoa. Mas, na verdade, és apenas a visita de uma alma que deixou-te experimentar a sensação de morrer. Em vez de sentir tudo isto, inconscientemente, vês o teu corpo a ser invadido e levado por alguém que te quer testar o que sentes em 25 minutos, até que o teu corpo, inerte, esteja completamente morto».

 

 

Destaques: Manipulação de tecidos, grandes folhos, preto e xadrez.

(O plano de contingência face ao Covid-19 não permitiu a presença da ELLE no evento)

 

(As declarações correspondem às memórias descritivas do dossier de imprensa do PortugalFashion)