Marni Emite Pedido de Desculpas Após Acusações de Racismo

Assim que a marca partilhou a campanha Flip-Flop, no mesmo instante, as críticas surgiram. Por: Marisa Azevedo Imagens: © Instagram: @diet_prada.

O que era para ser apenas uma celebração da mais recente coleção de verão da Marni, em que esta homenageia o Brasil e o movimento tropicalista fotografado pelo brasileiro Edgar Azevedo, rapidamente se tornou numa campanha racista aos olhos dos internautas. E, com a mesma velocidade, a casa de Moda italiana removeu as imagens, adicionando um pedido de desculpas na sua conta de Instagram. Também o próprio diretor criativo da marca, Francesco Risso, lamentou a situação, a título individual.

O pedido de desculpas da Marni

A marca publicou, na quarta-feira, dia 29 de julho, na sua conta de Instagram, um pedido de desculpas pela coleção Flip-Flop. Nesta, começou por escrever que toda a equipa se arrepende e lamenta os danos e ofensas causadas pela campanha. Na publicação, declarou que o objetivo desta produção era «celebrar a beleza da cultura afro-brasileira, através da perspetiva do fotógrafo brasileiro Edgard Azevedo».

Esta garantiu ainda aos seus seguidores que «a equipa da Marni está empenhada em defender a inclusão e celebrar a beleza de diversas culturas em todo o mundo», além de tentarem «criar um mundo mais igualitário, através da Moda». Lamentamos sinceramente que os nossos esforços tenham causado mais dor. Removemos imediatamente estas imagens e estamos a redobrar os nossos esforços para assegurar que os nossos processos sejam levados a cabo com ponderação, através de uma forte visão de igualdade».

 

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At Marni, we are deeply apologetic for the harm and offense that our latest campaign has caused. What was intended to be a campaign that celebrated the beauty of the Afro-Brazilian culture through the perspective of Brazilian photographer Edgard Azevedo came to fruition having had the opposite impact. Our oversights across the review process are unacceptable – and for that, we are incredibly sorry. The team at Marni is passionately committed to championing inclusivity and celebrating the beauty of diverse cultures throughout the world. As we endeavor to create a more equitable world, through fashion and shared humanity, we sincerely regret that our efforts caused further pain. We have immediately removed these images and we are redoubling our efforts to ensure our processes are carried out with thoughtfulness and intentionality through a strong equity lens. Our entire staff is committed to using this moment as an opportunity to leverage our platform to support and empower more voices and creators of color whose talent and insights are instrumental in creating a more inclusive and diverse fashion industry.

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Um pedido de desculpas escrito à mão

O diretor criativo, Francesco Risso, da Marni escolheu escrever o seu pedido de desculpas à moda antiga, mas recorreu, posteriormente, à câmara do seu smartphone para registar o texto e, de seguida, publicar no seu perfil de Instagram. Este admitiu sentir-se «obrigado reconhecer o curto-circuito que dececionou muitos» dos seus colegas, nestes dias, e pediu desculpas a quem se sentiu ofendido pela campanha da Marni.

Finalizou o seu pedido de desculpas a afirmar que a «diversidade e a inclusão são pilares imperativos da indústria da Moda», e por isso, está empenhado a continuar a lutar por esses valores.

 

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A campanha que mexeu com a Internet

De seu nome Flip-Flop, foi, durante algumas horas, a mais nova campanha da Marni. Nessa, a maison escolheu, para a produção, modelos negros, que usavam uma série de itens ‘étnicos’, como chapéus de palha, colares grossos de Bayong de madeira e várias pulseiras. De acordo com o Diet Prada, nenhum destes artigos faziam parte da última coleção da marca. O watchdog da indústria da Moda ainda salientou que estas «imagens fazem alusões a estereótipos racistas e coloniais de negros, como pessoas primitivas, não civilizadas e não modernas».

No meio desta campanha, duas imagens foram destacadas pelos internautas de forma negativa. Na primeira fotografia, perto dos pés do modelo, está um elo de correntes que os utilizadores assumiram ser algemas, um elemento que remete para a escravatura.

Marni acusada de racismo

Já na segunda, à frente de uma parte do corpo de uma das modelos, apareciam uns chinelos brancos Mirna, o foco da imagem. A questão das posições e a legenda, na qual se podia ler «a rainha branca enfeitada parecia compatível e bela», fizeram com que os seguidores ficassem indignados, avançou a Dazed.

Veja na galeria, em cima, algumas das imagens da campanha.