O Show-On-The-Wall da Loewe Mostrou Que Com Criatividade Tudo é Possível

A marca que continua a surpreender-nos estação após estação. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © D. R.

Quando pensávamos que já tínhamos visto tudo, eis que surge a Loewe para nos surpreender: depois de ter apresentado a sua coleção masculina com o show-in-a-box, o diretor criativo da marca decide aumentar a escala da sua apresentação, com o show-in-the-wall. Um inovador formato que levou a todos aqueles que noutro altura estariam sentados a observar os seus coordenados percorrer a sala de desfiles, uma caixa com 21 posters, uma partitura da música coral de Thomas Tallis  Spem in Alium, dois rolos de papel e parede (um com os modelos outro com uma estampa desenhada por Anthea Hamilton, um pincel, tesouras, um saco para guardar ferramentas e uma peça cerâmica com cheiro de beterraba (sim, aparentemente isto é possível).

O objetivo de tudo isto era simples: envolver as pessoas num processo criativo.

Show me the goodies

Mas como nem só de bonitas embalagens se faz uma coleção falemos um pouco sobre esta linha. Como Jonathan Andersson revelou, esta coleção feita à distância foi desenhada durante um momento em que (tal como todos nós) tentava navegar por entre uma série de incertezas procurando re-imaginar a moda. Sem respostas concretas sobre o futuro (claro!) o designer decidiu fugir à realidade refugiando-se na fantasia, explorando as minuciosidade da arte da moda feita à mão (com os bordados e os diferentes tipos de tecelagem) numa união entre o passado presente e futuro.

Parece complexo? De facto é um pouco, mas o cérebro de Anderson é complexo. E é no meio desta complexidade que surgem então estas silhuetas que misturam a opulência e a rugosidade dos tecidos que nos remetem à roupas do século XVII com o pragmatismo e praticidade das peças do século XXI. O resultado final é uma linha repleta de peças que nos levam para uma outra dimensão, onde a suavidade de alguns têxteis nos fala em fragilidade, e a robustez de outras (feitas em pele) nos transmite uma sensação de força. Uma dicotomia que serve quase como uma metáfora para o atual momento que atravessamos, onde a vulnerabilidade corpórea se evidencia, e a necessidade criar esta carapaça emocional se torna essencial.

Como não poderia deixar de ser, as malhas que já fazem parte da assinatura do britânico (obrigado pelo casaco do Harry Styles btw) que se constroem com nós, dando às peças um ar aspeto mais punk/grunge que contrasta com o elegância destes têxteis repletos de pequenas lantejoulas.

 

Os essenciais que são os acessórios

Se existe peça pela qual conhecemos a Loewe é pelas suas incríveis carteiras que entusiasmam todos os amantes da marca (e não só) estação após estação. Esta não é exceção. Focando-se na mestria dos artesãos que as constroem, surge então a Flamenco Clutch.

Este modelo que que marca um regresso aos primórdios deste acessório (dois retângulos costurados com umas cordas a fechar no topo) foi introduzido na marca pela primeira vez em 1984, representado o espírito da década na perfeição.

Desde então ela já foi reinventada várias vezes e agora o diretor criativo da Loewe trá-la de volta numa versão em pele, com um duas cordas de em cabedal com um nó XXL (símbolo da marca) que ajudam a manter a carteira fechada com o apoio de um íman interno.