Nunca Houve Tanta Diversidade Nas Passerelles Como Na Primavera 2018

Modelos negras, transgénero e plus-size deixaram de ser casos pontuais. Por: Joana Moreira -- Imagens: © Imaxtree

Nova Iorque, Londres, Milão e Paris. As propostas das grandes marcas para a primavera-verão 2018 dividiram-se, como sempre, pelas Semanas de Moda de cada cidade. No entanto, desta vez, atingiu-se um marco histórico no que a diversidade diz respeito: nunca houve tantas modelos não causasianas, transgénero e plus-size nas passerelles.

A conclusão é do site The Fashion Spot, que analisou esta temporada de desfiles e concluiu, entre outras coisas, que, uma vez mais, Nova Iorque foi a cidade mais inclusiva. Numa entrevista à revista Paper, o diretor de casting James Scully chamou logo a atenção para o facto: «Tenho de dizer, de todos os anos que estive no meio, esta [Semana de Moda de Nova Iorque] foi definitivamente a mais diversificada a todos os níveis. Além do tamanho, da cor e da idade, houve grande tendência para as raparigas trans esta estação e com Teddy Quinlivan a assumir-se… Nem sei o que dizer, estou tão surpreendido com quão diverso foi.»

O «Diversity Report» atentou para 266 desfiles nas quatro cidades. Em matéria de raça, Nova Iorque destaca-se, com 36,9% do casting a ser composto por modelos negras. Em Londres foram 31%, com pelo menos duas modelos em cada desfile, e Paris 27%. Milão ficou para o fim como a fashion capital menos representativa: só 24.7% das modelos eram negras.

Recordes em modelos com mais idade e plus-size

Quanto a idade, foi batido o recorde de modelos acima dos 50 anos a desfilar – no total, foram 27 modelos. O mesmo no caso das modelos plus-size, que passaram de 30 na estação anterior para 93, graças aos desfiles de casas como Christian Siriano ou Chromat. No entanto, estas últimas perfazem ainda apenas 1,13% do casting das quatro cidades.

Desfiles com mais e menos diversidade

No que toca a marcas individualmente, os desfiles onde ser verificou mais diversidade racial foram Kenzo, Sophia Webster, Ashish, Chromat e Tome, revela o mesmo relatório, que alerta para o facto de nenhuma marca de Milão estar no top cinco. Destaque para o desfile de Chromat que foi o mais inclusivo: teve 72% modelos não caucasianas, três modelos transgénero, uma modelo não-binária e onze modelos plus-size (uma delas com mais de 50 anos). Quanto aos desfiles mais inclusivos em idade, tamanho e fluidez de género, Nova Iorque recebeu todos: Torrid, Helmut Lang, Marc Jacobs, Tracy Reese, Christian Siriano, Desigual, Tome e Chromat.

No outro espectro da balança, os desfiles onde se viu menor diversidade foram quatro marcas que apresentaram as suas propostas sem qualquer modelo negra. Foram elas a Les Copains, a Anrealage, a Comme des Garçons e a Undercover. Também a Mila Schön, a Laura Biagiotti e a Giorgio Armani incluíram apenas 3, 4 e 8%  de modelos não caucasianas, respetivamente.