A Moschino Foi Alvo de Um Processo Por Alegada Discriminação Racial

A marca, quando confrontada, negou todas as acusações. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

À entrada de um consumidor negro na loja da Moschino em West Hollywood, na Califórnia, um protocolo era, alegadamente, colocado em marcha: a supervisora informava os restantes trabalhadores, através do código «Serena», e estes deveriam seguir o cliente — ou, por vezes, anotar as matrículas dos carros em que chegava. Nos casos em que os consumidores não «aparentassem ser ricos o suficiente», isto é, não complementassem os seus visuais com diamantes ou peças em que os logótipos de uma marca eram visíveis, a atenção seria redobrada.

É este processo que é descrito num documento obtido pelo TMZ e que deu origem à ação na justiça de que a Moschino foi alvo. Shamael Lataillade é a mulher que acusa a casa italiana de discriminação racial, não só aos consumidores negros da loja em que trabalhava no passado — a mesma em que esta situação era passada e de onde foi despedida por ter divulgado o código e situações de racismo no espaço —, como a si própria.

A ex-funcionária alegou, nesse mesmo documento, que a sua supervisora avisara os colegas de que deveriam informar os clientes negros, os designados «Serenas» — não é, no entanto, claro se o termo «Serena» é utilizado como referência à tenista americana —, da inexistência de vários produtos, uma vez que estes estariam esgotados. Shamael Lataillade revelou ainda um episódio em que a polícia fora chamada depois de um cliente ser considerado suspeito, baseado na sua aparência.

Além disto, a haitiano-americana que avançou com a acusação contra a Moschino afirma que ela própria fora discriminada e ridicularizada pela sua supervisora da loja por praticar vodu — um culto animista de origem africanafrequente no Haiti.

Quando confrontada, em pedido de esclarecimento por parte do TMZ, a marca negou as acusações. Esta acrescentou ainda que «respeita os valores e leis de igualdade no trabalho, assim como os seus clientes, independentemente da etnia ou contexto cultural».