ModaLisboa: Alexandra Moura Levou as Memórias de Infância à Passerelle

Tudo sobre o desfile que marcou o regresso da designer ao palco da ModaLisboa. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagens: @ Ugo Camera.

Desde 2016 que Alexandra Moura não apresentava uma coleção na ModaLisboa. Curiosamente, o regresso da designer lisboeta à capital, depois de três anos a apresentar as suas criações no Porto e em Londres no âmbito do Portugal Fashion, do qual ainda faz parte, coincidiu com o regresso à infância, à aldeia transmontana e à casa dos avós paternos onde, em menina, Alexandra Moura costumava passar os verões.

Em setembro, já a ELLE havia estado com a designer nos bastidores da semana de Moda de Londres para saber mais sobre Heirloom, a coleção para a primavera-verão 2019 que, depois de ter sido apresentada em solo britânico, foi dada a conhecer ao público nacional no segundo dia da ModaLisboa Multiplex. Ontem, pelas 18h40, as luzes do espaço destacado para acolher o desfile começaram a apagar-se e das colunas ouviram-se sinos tocar.

A coleção

«Sinto mais longe o passado, Sinto a saudade mais perto». Os dois versos do poema Ó Sino da Minha Aldeia, de Álvaro de Campos, são talvez os que melhor definem esta coleção de Alexandra Moura, voltada para as memórias de verões passados numa aldeia distante de Lisboa. «A inspiração vem das minhas memórias de infância, de uma criança que vai da cidade para a aldeia, numa terra em Trás-os-Montes», disse a designer em entrevista à ELLE, via Instagram.

Heirloom é, portanto, uma materialização dessas memórias. O padrão floral, por exemplo, presente em t-shirts e casacos, não é mais do que uma reminiscência das flores que costumavam cobrir os pratos de porcelana que a designer costumava encontrar na casa dos avós quando era pequena. O mesmo para os brocados florais, que fazem lembrar os relevos bordados das colchas antigas, e para as laçadas que adornam vestidos e calças e que lembram os folhos de cortinados que já não pertencem a este século.

A maquilhagem

As memórias de criança de Alexandra Moura estiveram também gravadas na pele. Todos os modelos, sem exceção, tinham escritas nas mãos, no pescoço, no decote e nos tornozelos palavras soltas que compõem o grosso do léxico saudosista da designer, tais como «procissão», «amor», «Trás-os-Montes», «aldeia». Palavras que, assim como as roupas, ajudam a contar uma parte da história da infância de Alexandra Moura.

Veja mais imagens da coleção Heirloom e da maquilhagem escolhida para o desfile na galeria, em baixo.