#TOP2019: Estas são as Silhuetas de Karl Lagerfeld Que Vão Ficar na História

As linhas que mais vezes desenhou são as que vão ficar conhecidas como as silhuetas da Chanel de Karl. Por: Margarida Brito Paes Imagens: Imaxtree e GTRESONLINE

Artigo Original 20 de fevereiro de 2019

Karl Lagerfeld era o mestre da reinvenção. O título não lhe assentava como uma luva apenas por ter recriado vezes e vezes, sem conta, os tweed da Chanel, mas sobretudo porque reinventava os seus designs a cada estação. Karl Lagerfeld era o mestre que desenhava muitas vezes o mesmo, mas o fazia parecer sempre novo.

Apesar de ser a mente e a mão por trás de mais casas de moda, era na Chanel que a sua assinatura era mais reconhecida. Como todos os criativos, também Karl tinha as suas silhuetas prediletas, e era delas que usava e abusava. Em 35 anos, as mesmas linhas foram foram adornadas de formas diferentes tornando-se  a sua assinatura inconfundível. São estes elementos que repetiu e repetiu, sem nunca perder o génio, que vão ficar para a história como as silhuetas de Karl Lagerfeld. As suas criações mais memoráveis talvez perdurem na memória de algumas gerações, mas depois irão apenas fazer parte dos livros de História da Moda. Já as suas silhuetas, essas, vão ser estudadas por dezenas, se não centenas, de anos e vão ser uma referência incontornável para todas as gerações de designers que ainda estão por vir.

karl Lagerfeld silhuetas

As silhuetas da Chanel de Karl

Gabrielle Chanel ficou na História pelos seus fatos de saia e casaco de linhas direitas. Karl ficará gravado na memória dos tempos pelas: mangas de balão cravejadas de pétalas, pelas saias em forma de U invertido – uma reinvenção das tradicionais linha A, mas mais armadas e ligeiramente arredondas na anca, dando ares de um oversize que não chega a ser demasiado grande – , os ombros redondos e exagerados criando uma espécie de barriga nas mangas, que as transforma visualmente nas laterais perfeitas de uma esfera, e pelas golas armadas e meias golas que evolviam decotes largos, umas vezes arredondados, outras à barco.

Além destes elementos mais marcantes da criatividade de Karl, haviam outros que lhe eram caros e de que fazia uso frequente – ainda que por si só não construíssem silhuetas distintas, ou não tenham sido repetidos vezes suficientes para lhes ser legítimo esse título.  As cinturas marcadas pelo contraste entre o justo e o oversize, são um bom exemplo disso, bem como as falsas cinturas descaídas com saias justas até à anca e fluídas depois desta. Dos decotes destaca-se o gosto pelo estilo desportivo com uso frequente de decotes ‘X’, mas também apreciava os cai-cais e os decotes românticos, que destapam ombros enquanto cobrem os braços.

A esta lista podemos acrescentar ainda elementos mais pequenos como os laços, as sobreposições, as bainhas de acabamento arredondado, os assertoados, os volumes redondos e as plumas.

Veja na galeria em cima todos estes elementos que foram utilizados ao longo da carreira de Karl Lagerfeld.

Karl Lagerfeld depois de um desfile da Chanel em 1984. (GTRESIMAGES)

Biografia Karl Lagerfeld

Karl Lagerfeld nasceu em Hamburgo, em 1933, e o seu verdadeiro apelido escreve-se Lagerfeldt, mas o designer retirou-lhe o ‘T’, quando começou a trabalhar na indústria da Moda, por achar que assim soava mais comercial. Os seus pais eram Christian, um homem de negócios alemão, que ficou rico por ter sido o primeiro a comercializar leite condensado na Alemanha, e Elizabeth, que era sueca, extremamente religiosa e tocava violino.

Aos 14 anos Lagerfeld mudou-se para Paris para estudar desenho e história, tendo depois do curso estagiado com Pierre Balmain, depois nunca mais largou a moda. Karl era conhecido pela sua criatividade inesgotável, o criador estava sempre a desenhar, as suas ideias passavam todas para  papel, e era através das suas ilustrações que as costureiras da Chanel se guiavam. Foi em 1983 que foi nomeado diretor criativo da Chanel, tendo mudado para sempre a casa de moda mais famosa do mundo. A reinvenção constante do tweeds, pérolas e casacos de bolsos de chapa, com o ‘C’ interligado nas etiquetas, tornou-o num dos nomes mais reconhecidos da História da Moda. Karl, tal como Coco, passou a ser sinónimo de Chanel, antes de qualquer outra coisa.

Mas não foi só desta casa de moda francesa que se fez  a vida do Kaiser: o designer passou no início da carreira pela Charles Jourdan e Valentino, em 1967 juntou-se à Fendi, depois à Chloé e em 1994 fundou uma marca em nome próprio, que em 2005 vendeu à Tommy Hilfiger.

O designer morreu vítima de doença prolongada em Paris, dia 19 de fevereiro de 2019.