João Magalhães Foi ao Maat e de Lá Trouxe a Primeira Coleção Em Nome Próprio

Adeus Morecco. Olá João Magalhães. Por: Inês Aparício -- Imagens: © ModaLisboa | Photo: Ugo Camera

O nome do criador já não era estranho ao ouvido, mas desta vez ganha outra sonância. Até esta edição da ModaLisboa, João Magalhães apresentava as coleções como criador da Morecco, agora estreia-se em nome próprio.

Cada vez mais íntimo e pessoal, o seu universo começara a não refletir inteiramente a sua identidade. Assim, a mudança tornou-se inevitável. «O nome foi escolhido com uma amiga [com quem criou a marca] e, não é que não me identificasse, mas não era totalmente eu», admitiu o designer.

«A Morecco foi um berço para mim. Quando comecei não sabia fazer praticamente nada e acho que aí fui ganhando capacidades técnicas, conhecimento sobre a potencialidade dos materiais e os acabamentos. Mas as coleções foram ficando cada vez mais pessoais, cada vez mais de autor – que é uma expressão pretensiosa mas é verdade. Isto tudo está diretamente ligado a mim», explicou João Magalhães à Elle. «Quando fiz uma coleção sobre a Índia foi porque eu fui à Índia. Já explorei coisas até menos positivas da minha vida. Por isso achei que estava na altura de assumir ‘este sou eu, isto é o que faço’. Os nomes de marcas mudam-se, mas o nome próprio não, portanto daqui para a frente sou eu», completou.

Do museu para a passerelle

Apenas um dia depois da última coleção que apresentou no ModaLisboa – há um ano atrás, uma vez que o criador se afastou do evento para terminar a licenciatura em arquitetura -, João Magalhães visitou a exposição «Um Imaginário Termodinâmico», do argentino Tomás Sacraceno. E das salas do Maat, onde esta mostra desafiava as leis da gravidade através de estruturas suspensas, surgiu a inspiração para a coleção de outono/inverno. Os elementos metálicos e a luz das instalações deram vida a coordenados metalizados e acetinados, nos quais o brilho ganha relevo com a ajuda da aplicação de pedraria.

A estes, João adicionou a sua individualidade: os universos da arquitetura e da matemática que preencheram os seus dias enquanto terminava o curso, as fotografias que tirou numa viagem ao Japão e que imprimiu em saias e vestidos, e ainda referências a fotógrafos que trabalham com o universo urbano. Outro detalhe pessoal que João levou para a passerelle foi o universo skater com um rampa onde um rapaz e uma rapariga mostraram as suas acrobacias no skate, durante uma música inteira, logo no início do desfile.Foi assim que surgiram desconstruções de silhuetas, assimetrias, formas geométricas e conjugações cromáticas inesperadas na primeira coleção em nome próprio do designer.