João Figueiredo e Ana Cravo Querem Ajudar as Marcas a Viajar Para o Online

Por isso mesmo, deram vida à plataforma Minty Lab. Por: Inês Aparício Imagens: © D. R.

A transição para o digital não é algo novo. Mas, com a chegada da pandemia, esta tornou-se mais premente. Urgente até. Porque, numa altura em que as lojas físicas veem as suas portas fechadas – muitas vezes sem saber quando (ou se) voltarão a abrir – como medida para contrariar a propagação do novo coronavírus, as montras têm de se tornar virtuais. Contudo, esse passo não é tão simples quanto muitos acreditam ser. E João Figueiredo e Ana Cravo sabem-no. Por isso, com os conhecimentos e experiência que foram ganhando ao longo dos seis anos de vida da Minty Square, da qual são fundadores, deram vida à Minty Lab, uma plataforma que pretende simplificar o processo de digitalização, em especial, do universo da moda.

«Estar no online não é apenas ter um site», sublinha João Figueiredo, em conversa com a ELLE.pt. «Há aqui bastantes vetores que temos de ter em conta, desde a plataforma, sistema de suporte, email marketing, digital marketing no seu todo, logística, traduções,…», explica. «Apercebemo-nos desta necessidade junto das marcas que trabalhavam connosco, que já tinham até online, mas que tinham dificuldade em alimentar e conseguir fazer chegar o online ao público certo», continua, referindo que foi assim que, há cerca de um ano e meio, mesmo antes de imaginarmos que um vírus nos poderia obrigar a mudar os hábitos de consumo, decidiram apostar na criação deste projeto.

Desde então, têm sido várias as marcas que têm procurado a ajuda desta plataforma, cada vez mais conscientes da importância do online. O cofundador da Minty Lab acredita mesmo que a pandemia veio «sensibilizar e reforçar a necessidade» de as insígnias apostarem no virtual. «O que se sente é que as marcas querem ir para o digital, mas, de certo modo, desvalorizam o investimento no digital», diz, e acrescenta: «a pandemia está a começar a desmistificar essa questão que traziam pré-pandemia, investindo de forma mais sustentada».

A transição para o online

Porém, «há ainda um desconhecimento brutal do que é ir para o online», nota João Figueiredo. E é exatamente por isso que esta plataforma se torna relevante. «No fundo, as marcas acabam por ter, quase de imediato, uma estrutura e uma equipa multidisciplinar do dia para a noite de que antes não dispunham para poder trabalhar o canal deles online. Acabamos por ser uma extensão da própria equipa deles, que fica assim disponível para poderem trabalhar convenientemente o canal deles online», refere Ana Cravo.

E, na prática, como é que isso acontece? «Antes de fazer qualquer ação, é preciso fazer um diagnóstico: perceber o que se passa com aquela marca, perceber quais são exatamente as necessidades e desenhar um plano estratégico para perceber exatamente em que frentes vamos atuar, em que é que devemos gastar dinheiro – no sentido de investir -, e fazer as apostas certas», esclarece a mulher por trás da plataforma. «Não vale a pena ter um site mal construído, estar a gastar dinheiro em google ads e atrair tráfego para um site que está mal desenvolvido, porque vai estar a afastar os clientes e será dinheiro mal gasto. Primeiro temos de construir a casa, os alicerces, ter todas as condições para que os investimentos futuros sejam boas apostas», frisa.

Tudo isto fica a cargo da equipa da Minty Lab, retirando vários pesos dos ombros das marcas, sejam essas novas ou já estabelecidas no mercado.

Próximos passos

Contam, até ao momento, já com mais de uma mão cheia de parcerias. Depois de uma primeira experiência positiva com a Nobrand, marcas como a Kaoâ, Rufel ou a Ambitious juntaram-se também à Minty Lab. Mas a lista promete não ficar por aqui. Os fundadores estão já a pensar além e, apesar de o seu foco ser a indústria da moda, admitem estar disponíveis para aceitar projetos fora desta área. Aliás, os fundadores foram já contactados por empresas da área da corticeira e de venda de eletrodomésticos. Portanto, o caminho futuro está já a ser construído.