Jeremy Scott Foi Acusado de Ser Insensível Quanto à Situação Política nos EUA

O timing da campanha da Moschino, inspirada nas questões de imigração do país, não foi o melhor. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

As versões de Jackie Kennedy reinterpretadas por Jeremy Scott para a Moschino já haviam sido apresentadas em Milão no início deste ano, mas foi, agora, com a partilha da campanha publicitária desta coleção, designada Alien Nation (em português, Nação dos Extraterrestres), que o designer foi acusado de explorar uma crescente violência contra os migrantes. A acompanhar as fotografias de modelos como Kaia Gerber e Gigi Hadid, com o rosto pintado de cores vibrantes, que remetem para uma imagética alienígena, surgia a descrição: «a única coisa ilegal relativamente a estes aliens é o quão bem parecem», seriamente criticada nas redes sociais.

O problema da expressão utilizada

Entretanto eliminada, a expressão foi alvo de controvérsia devido à associação a «illegal alien», utilizada por Donald Trump durante um discurso relativo às famílias de imigrantes que têm sido separadas na fronteira americana por causa da política de «tolerância zero» vigente nos EUA até ao início desta semana. Assim, de acordo com a TeenVogue, a palavra extraterrestre é usada nos Estados Unidos de forma pejorativa para descrever os imigrantes que não adquiriram legalmente um visto de residência no país.

Dada a reação à campanha, Jeremy Scott acabou por explicar o seu objetivo na descrição de uma das imagens de Alien Nation: «O que é um extraterrestre? O conceito da minha campanha publicitária é trazer atenção para a rígida administração americana imposta aos ‘illegal aliens‘. Pintei as modelos no meu desfile e esta campanha é uma forma de abrir a discussão exatamente ao significado de extraterrestre – são laranja, azul, amarelos, verdes? Isso importa? Eles são nossos amigos, vizinhos, colegas de trabalho, familiares e pessoas de quem gostamos».

Ainda assim, as críticas continuaram: «Não nos vamos esquecer disto, e mudar a descrição não altera o facto de que toda esta campanha apenas te traz lucros. Queres começar uma discussão? Pára de pintar as mesmas modelos de azul e chamá-lo de revolucionário. Muda realmente o curso da Moda contratando modelos que precisem de ser representadas. Vai para a rua e faz algo que valha a pena. Até esse momento, és apenas mais um homem branco a fazer dinheiro com o sofrimento de pessoas reais», escreveu um utilizador na secção de comentários da publicação.

Outro questionou a escolhas de Jeremy Scott: «Porquê usar modelos brancas para representar imigrantes? Porquê usar as modelos mais bem pagas para mostrar um ponto de vista, representando uma fração que vive na pobreza, em vez de modelos de cor que são únicas e as quais queríamos realmente ver? Devias reavaliar toda a campanha. Isto foi rude («weak-minded») e mal pensado».

A posição do criador quanto à situação na fronteira

Apesar de envolvido nesta polémica, Jeremy Scott revelou em fevereiro à Vogue, aquando da apresentação desta coleção da Moschino, que é a favor da entrada de migrantes nos Estados Unidos: «Não sou anti-extraterrestres. Não quero construir um muro».