Jean Paul Gaultier É, Claramente, Um Apoiante do «Free the Nipple»

O designer fez questão de deixar explícita a sua posição sobre o tema. Por: Vítor Rodrigues Machado -- Imagem: © D.R.

Ao longo da sua carreira, Jean Paul Gaultier, o enfant terrible do mundo da Moda parisiense tornou-se conhecido por ser dono de um espírito ousado, livre, e provocador. Algo que (consequentemente) se refletiu e reflete nas coleções que apresenta, onde as barreiras que separam o que supostamente pertence ao género masculino e feminino se esbatem.

Como seria de esperar, esta última, apresentada na semana de moda de Alta Costura de Paris, não foi exceção. Contudo, desta vez, Gaultier foi um pouco mais longe.

Para encerrar com chave de ouro, o designer decidiu mostrar no desfile de que lado está no que toca às perceções políticas do corpo. Assim, fez subir à passerelle dois modelos, lado a lado, um homem e uma mulher, ambos vestindo um top transparente onde se podia ler «Free The Nipple» e «Tetons Libres» – que em português se traduz para «Libertem os Mamilos».

A expressão usada pelo designer está associada ao movimento #FreeTheNipple – e sim, todos os movimentos do século XXI tem a forma de hashstag– que tenta acabar com a hiper-sexualização do corpo feminino, e por consequência com a sua censura. Afinal, o que é que torna o mamilo masculino em algo tão natural e o mamilo feminino em algo tão obsceno?

Com o movimento a ganhar força e apoiantes nos últimos três anos, Jean Paul Gaultier deixa agora explícito (se dúvidas restassem) de que lado da barricada está.

Curiosidades sobre os mamilos

Uma dos argumentos mais recorrentes, usado por quem defende que o mamilo feminino não deve ser exibido, ou libertado, é o facto de este ser um ponto erógeno que é, de acordo com esta retórica, exclusivo do corpo feminino. No entanto, esse argumento não corresponde à realidade. Segundo Yvonne K. Fulbright sexóloga e autora do livro The Better Sex Guide to Extraordinary Lovemaking os mamilos masculinos são tão sensíveis quanto os femininos, e por isso, devem ser considerados tão erógenos como os do sexo oposto.