#ELLEstaylocal: Voke, A Marca Que Quer Provocar o Mercado de Roupa de Praia

Sempre com a sustentabilidade em mente. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

A associação pode não ser instantânea, mas não deixa de ser óbvia. Voke, a marca fundada por Inês Franco e Sofia Charola, cujo nome deriva da palavra inglesa ‘provoke’ (traduzida para «provocar»), pretende fazer isso mesmo: provocar o mercado nacional da roupa de praia. Era este o objetivo destas duas apaixonadas pelo mar em 2013, quando começaram a desenvolver a insígnia, e agora. Por isso, continuam a desafiar as mulheres a sentirem-se livres e confiantes na sua própria pele, através dos seus biquinis e fatos de banho amigos do ambiente.

Inês Franco e Sofia Charola, fundadoras da Voke

O que vos levou a criar este projeto?

A paixão mútua pela liberdade, pela vida, pelo mar e praia uniu-nos nesta aventura.

Qual é a história por trás do nome?

O nome Voke têm origem na palavra inglesa PRO•VOKE que significa desafiar, incitar, excitar; ser causa de algo, originar, tentar fazer agir ou reagir. Queríamos criar mudança no panorama de moda praia nacional, incitar o empreendedorismo feminino e desafiar as nossas clientes a sentirem-se mais livres e confiantes.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

Em 2013, quando começámos a criar a marca, estávamos no epicentro da crise financeira em Portugal, não havia apoios financeiros na área de Lisboa e a economia estava estagnada. Mesmo assim decidimos avançar com o nosso próprio investimento, feito com o que ganhávamos de outros empregos que tínhamos. Trabalhávamos entre 16h a 20h por dia, sete dias por semana. Como éramos jovens e uma marca nova com pouco capital, tivemos muitas dificuldades com a produção, fornecedores… deparámos-nos com uma selva densa, que ainda hoje conquistamos diariamente.

Qual foi a razão para nunca desistirem?

Acreditamos na Voke, acreditamos no nosso potencial, na nossa liberdade, na liberdade das nossas clientes e mais importante: tivemos sempre o apoio das nossas clientes que acreditam no nosso trabalho.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

Temos muitos, muitas histórias incríveis, muitas aventuras. Um dos nossos melhores momentos foi fotografar a campanha de 2015, na Favela do Vidigal. A primeira vez que viajámos só as duas e que fotografámos fora de Portugal, fomos pioneiras na altura. Tivemos a ideia de lá ir fotografar num dia, no dia a seguir estávamos a comprar os bilhetes. Chegámos ao Brasil com tudo combinado tanto com a modelo, como a fotógrafa e a maquilhadora, na altura ainda através do Facebook. Nunca nos tínhamos visto, não sabíamos bem se iriam aparecer. A nossa modelo, Carolina, morava em São Paulo e apanhou um voo para o Rio de Janeiro para ir ter connosco e ficou a dormir num hostel no topo da Favela. Acordámos às 4 da manhã, apanhámos um táxi e lá fomos nós.
– Boa noite. É para a Favela do Vidigal por favor. Vamos só apanhar duas pessoas pelo caminho pode ser?
– Oh meninas está bem, mas aviso já que eu não subo na Favela.
– Hummm ok, está bem. (Pensámos nós, a ver a nossa vida a andar para trás.)
Chegadas à favela, toca de levar a tralha toda pela favela acima. Depois de alguns assobios e tremeliques de nervoso chegámos ao hostel. Lá nos deparámos com a Carolina. Graças a Deus apareceu. Maquilhadora a bordo, fotógrafa a bordo, modelo a bordo e tudo preparado.
Vimos um nascer do sol m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o para começar as fotografias da melhor forma. O dia todo favela acima, favela abaixo com sol, chuva, sol chuva. Uma corrida contra o tempo para acabar tudo o que tínhamos planeado.
Acabámos por ter um dia incrível e só temos a agradecer a ajuda e disponibilidade de todas as pessoas daquela comunidade.

Como é que a vossa marca faz a diferença?

Como marca, estamos comprometidas a implementar práticas mais responsáveis e amigas do ambiente, mantendo o nosso conceito e design. Estamos orgulhosas do nosso compromisso em apoiar empresas locais. Deixa-nos realmente felizes que os nossos produtos sejam cuidadosamente feitos por artesãos locais, através de uma produção ética. Passo a passo, costura por costura, estamos a caminhar dentro do que nos é possível para trazer peças pensadas com alma, cuidado e qualidade.

O que ainda falta conquistar?

O objetivo é projetar e fabricar os nossos produtos com ainda mais cuidado e reduzir o nosso impacto cada vez mais, gerar consciência social e pedir que se junte a nós nestas ações.

O que mais precisam neste momento para chegarem onde querem?

Precisamos de internacionalizar a marca e começamos a dar pequenos passos nesse sentido.

Quais os maiores motivos para comprar português?

Já dizia a antiga publicidade «o que é nacional é bom» e, de facto, o que é nacional é muito bom. É tempo de apostarmos no design português, na alma portuguesa, no produto do vizinho, da loja à mercearia da esquina, do mercado e da feira. Porque fazer pelos que estão ao nosso lado é fazer por nós. Mais do que nunca, devemos comprar português e com estes novos hábitos, esperamos ter uma agradável surpresa.

Digam outra marca/espaço português que vos inspire e porquê?

São tantas… na verdade todas nos inspiram. Principalmente porque sabemos a dificuldade que é criar, produzir e vender em Portugal. É um mercado exigente. Temos vários clientes e amigos estrangeiros que afirmam – se têm sucesso em Portugal, quase garantidamente têm sucesso em qualquer parte do mundo. E acreditamos nisso, acreditamos no que é nosso.

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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