#ELLEstaylocal: Näz, a Marca Que Apresentou a Moda Sustentável a Portugal

Cristiana Costa conta como, numa altura em que ainda mal se falava sobre Moda eco, fundou a insígnia. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R. e Tiago Pinheira.

Agora, a sustentabilidade é o foco de muitas marcas, algumas delas portuguesas. Mas, em 2016, eram poucas as que se debruçavam efetivamente sobre esta questão. Apercebendo-se disso, Cristiana Costa começou a escrever a história da Näz, tendo-a fundado no ano seguinte, pelo mês de agosto. Desde aí, tem dado vida a desperdício têxtil e outros materiais mais amigos do ambiente, ao mesmo tempo que apoia empresas em zonas  portuguesas mais frágeis, como a beira interior, e ajuda a preservar o património nacional.

Cristiana Costa, fundadora da Näz.

O que vos levou a criar este projeto?

A ideia surgiu em 2016, quando a Cristiana ainda estava no mestrado, e se apercebeu do potencial de criar peças de roupa sustentáveis em Portugal. O conhecimento e potencial estava todo cá e outras marcas (não portuguesas) já o estavam a fazer, mas ninguém em Portugal ainda tinha pensado nisto. Ao mesmo tempo, percebeu que, apesar de adorar moda e querer trabalhar na área, esta é uma indústria «suja», que promove a poluição ambiental e que está normalmente ligada a práticas nefastas de direitos humanos e de trabalhadores. Assim, decidiu que, para trabalhar em moda, teria que ser em algo diferente. E, assim, aos poucos, a Näz nasceu.

Qual é a história por trás do nome?

A palavra Näz é proveniente do Urdo e significa «orgulho em saber que és amado». O nosso objetivo é que quando alguém veste uma peça Näz sinta o amor, de todos os que estiveram envolvidos na criação da peça, desde o fio, até à confeção.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

Em primeiro lugar, o facto de a Cristiana ser muito nova para os «padrões» da indústria, o que dificultou inicialmente a comunicação entre a marca e parceiros produtivos. Foi preciso «conquistar» muitos dos nossos atuais parceiros de produção.
Em segundo lugar, o investimento inicial, que na Moda, é sempre avultado, e que nos levou inicialmente a investir mais em restos de rolos, ou desperdício têxtil, por não terem mínimos de compra. Atualmente, continuamos com uma linha de produção proveniente de desperdício têxtil, mas conseguimos alargar a nossa oferta para outros materiais também.

 

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Qual foi a razão para nunca desistirem?

Nunca desistimos pois, felizmente, temos parceiros que acreditam em nós e que investiram desde o início, desde retalhistas na Europa, até às fábricas que trabalham connosco, até a projetos incluídos no Portugal 2020. A verdade é que, como o nosso investimento inicial foi tão baixo que se não fosse todo o apoio que nos deram e dão ainda hoje, não estaríamos aqui.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

Existem tantos! Mas o primeiro que nos ocorreu foi quando começamos a vender a retalhistas fora de Portugal, pois foi um enorme esforço emocional e financeiro da nossa parte. Quando conseguimos que a HOST (loja na Antuérpia, Bélgica) comprasse a nossa coleção em 2018, quase um ano depois de a marca ter sido lançada, foi um ponto de viragem para a marca e percebemos que estávamos no caminho certo!

Como é que a vossa marca faz a diferença?

A Näz pretende fazer a diferença ao nível ambiental e social. Ao nível ambiental, através da criação de peças que utilizem fibras naturais, com menor impacto no ambiente, ou através da reciclagem de materiais, como é o caso da lã ou poliéster. Ao nível social, ao produzir em Portugal, estamos a contribuir para que a indústria se mantenha, ao apoiar empresas e trabalhadores em zonas do país mais frágeis e empobrecidas (grande parte da nossa produção é realizada na zona da beira interior) e, ao mesmo tempo que estamos a preservar um conhecimento e um património nacional nas nossas peças, estamos a ajudar estas fábricas a evoluir, pois trazemos novos conceitos (reciclagem têxtil, design sem desperdício) que muitas não aplicavam.

 

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O que ainda falta conquistar?

Queremos muito alargar a nossa oferta a retalhistas pela Europa (atualmente temos 21 lojas) e trabalhar na nossa transparência ambiental e social – sentimos muita necessidade de obter uma certificação que avalie a nossa empresa a 360º e de justificar com números a nossa sustentabilidade. Estamos a trabalhar muito para ainda este ano trazer novidades aos nossos clientes e seguidores.

O que mais precisam neste momento para chegarem onde querem?

Que os nossos retalhistas consigam ultrapassar o momento difícil que a humanidade está a viver, para que possam continuar a investir em nós e que os nossos clientes online continuem a acreditar no nosso projeto.

Quais os maiores motivos para comprar português?

Ao comprar português estamos a apoiar a nossa indústria têxtil, que representa cerca de 3% do PIB. Estamos também a garantir que os trabalhadores na cadeia de produção têm condições justas de trabalho e que, ao nível ambiental, as fábricas cumprem as leis europeias de tratamento de resíduos.

Que outra marca/espaço português que vos inspira e porquê?

Temos imensos projetos que adoramos e que nos inspiram, mas gostaríamos de referir a Musgo, uma marca de decoração que utiliza desperdícios de materiais de construção (desde chão, a portas e cimento) para criar peças de iluminação e decoração para casas. A Margarida e o Rui são muito inspiradores e apoiaram-nos muito no início da Näz, e nós a eles!

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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