#Ellestaylocal: Nana Ferrador, A Marca de Sapatos Verdadeiramente Irreverentes

Os pares são, muitas vezes, pequenas odes à cor e aos padrões animal. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

Pode não ter sido um amor à primeira vista («nem mesmo à segunda», admite Maria Ana Machado, fundadora da Nana Ferrador, à ELLE.pt), mas a vontade de continuar o legado da família no mercado do calçado falou mais alto. Foi assim que, em junho de 2019, nasceu uma marca de sapatos ousados e únicos, criados a partir de materiais desperdiçados por grandes insígnias.

Maria Ana Machado, fundadora da Nana Ferrador

O que te levou a criar este projeto?

Em primeiro lugar, continuar o gosto pelo comércio de calçado da minha família. Não foi amor à primeira vista, nem mesmo à segunda. Foi algo que aprendi a gostar de trabalhar. Sempre gostei de Moda – foi o que estudei – e sempre gostei de ir com a minha mãe e avó ver coleções de fabricantes para as lojas delas, a Cerimónia. Mas sentia que queria mais da Moda, queria ser uma criadora!

Numa das fábricas que visitámos, há uns anos, deparei-me com uma sala cheia de peles que não eram usadas, uma vez que eram restos de coleções. As grandes marcas não iriam fazer uso deste material. E foi aí que surgiu a ideia de desenhar uma coleção que pudesse reaproveitar estes recursos. Sapatos que dessem para todas as estações. Sapatos cheios de cor, porque adoro uma boa mistura de cores!

Qual é a história por trás do nome?

O gosto pelo comércio passou de geração em geração, de bisavô para avô, para a minha mãe e finalmente para mim. E assim nasceu uma marca com o apelido Ferrador de herança. Criei esta marca com o apelido do meu avô para o homenagear. E Nana é a minha alcunha. Desde sempre me identifiquei com a força e ambição que o meu avô tinha. Infelizmente, ele já não está cá para ver que continuei o negócio dele.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

Sou uma sortuda, porque a minha mãe trabalha neste ramo há 40 anos, por isso ajudou-me muito. A escolha das fábricas, gestão de uma marca, qualidade dos materiais, conhecimento de negócio…, vários aspetos em que pude contar com o apoio e experiência da minha mãe. Proporcionou-me a vantagem de ter lojas físicas onde comercializar.

Mas eu também quis entrar no mundo digital a 100% e disso ela pouco percebia. Aí senti, e ainda sinto às vezes, alguma dificuldade.

Qual foi a razão para nunca desistires?

O mais importante é que adoro aquilo que faço! É raro desistir de algo. Sou bastante confiante quando acredito numa coisa. Acredito realmente que tenho jeito para isto e que a minha marca tem tudo para crescer ainda mais.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

Acho que o melhor momento é sempre quando recebo as novas colecções. Normalmente vou à fábrica, escolho as peles e só vejo o resultado quando me enviam a encomenda. E a sensação de ver os sapatos à minha frente tal como os desenhei é única. É o momento em que me sinto mais realizada!

 

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Como é que a tua marca faz a diferença?

O material usado é pele e sabemos que existe uma grande controvérsia neste tema, mas preocupo-me com a sustentabilidade. A pele que usamos são restos que de outra forma não iriam ser utilizados, sobras de outras marcas.

Pensei também no packaging e como o tornar único e reutilizável. Para as pessoas que não fazem questão de levar os sapatos numa caixa, podem optar por levá-los numa mochila ou num tote bag em veludo, disponível em várias cores.

Nada é 100% sustentável, mas considero que a minha marca está no bom caminho e tem os princípios certos. O conceito da marca, aliado ao gosto pelas cores, passa por dar ao cliente um modelo exclusivo e customizável. Cada cliente pode personalizar os seus sapatos ao comprar presilhas de pele que estão disponíveis em mais de dez cores diferentes e, assim, podem tornar os sapatos numa peça única em cada utilização.

O que ainda falta conquistar?

O resto do mundo! Mas estamos num bom caminho. Já tivemos algumas encomendas para outros países europeus, mas claro que um dos objetivos a longo prazo é globalizar a marca.

O que mais precisas neste momento para chegares onde queres?

Um maior investimento no comércio online será o próximo passo.

Quais os maiores motivos para comprar português?

O made in Portugal tem muita qualidade. Para além de estarmos a comprar produtos e materiais excelentes, estamos a apoiar fábricas e marcas que empregam milhares de pessoas. Estamos obviamente em tempos de preços muito competitivos e nem sempre é possível igualar o que se encontra no mercado atualmente, mas a qualidade dos produtos, aliada ao uplifting da nossa economia, deveria ser razão para cada vez mais nos preocuparmos em comprar produtos nacionais (principalmente agora).

Diz-me outra marca/espaço português que te inspire e porquê?

A Maria Bodyline! Ajudei-a desenvolver alguns bodies durante um ano e, desde aí, ajudamos-nos muito uma à outra. A Maria relançou a marca ao mesmo tempo que eu lancei a minha, há um ano. Apoiamos-nos muito uma na outra. A marca dela é a cara dela, tal como a minha. É uma brand with soul como costumo dizer. Os bodies assentam na perfeição e o tecido é super resistente, dura anos e anos!

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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