#ELLEstaylocal: Buzina, A Marca Que Já Se Mostrou Ao Mundo Na ModaLisboa

Mas este foi apenas um dos momentos que marcou a Buzina e a sua fundadora, Vera Fernandes. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R.

Tinha a sua loja de roupa de criança, mas, com o passar do tempo, Vera Fernandes apercebeu-se de que as mães que lá apareciam reparavam, também, nas peças que usava. Foi assim que começou a pendurar, nas cruzetas, modelos que desenhava para estas e o caminho se começou a formar em direção ao que é hoje a Buzina. Ninguém gostou do nome – como conta à ELLE.pt -, mas também ninguém lhe ficou indiferente. Por isso mesmo, chegou a apresentar as suas propostas na edição de outono/inverno 2020-2021 da ModaLisboa.

Vera Fernandes, fundadora da Buzina

O que te levou a criar este projeto?

Eu tinha uma loja de roupa de criança e sempre tive muito gosto por roupa, até que, a certa altura, percebi que as mães gostavam muito da minha maneira de vestir. Comecei a fazer umas peças sem dizer que eram minhas e a pô-las à venda na loja. Eram já confecionadas pela minha modelista, que era a minha modelista pessoal, já que sempre gostei de ter roupa feita à medida com base na minha imaginação. Tudo começou a evoluir e escolhi vender a marca de criança e dediquei-me a fundo à Buzina.

Qual é a história por trás do nome?

Desde pequenina que cresci no mundo das novelas e havia uma novela em que trabalham todos numa «usina». O nome ficou-me sempre no ouvido e, daí, evoluí para Buzina, um nome nacional, um nome para fazer muito barulho. Ninguém gostou do nome, por isso percebi que era o nome certo! Cada vez que me diziam que o nome era ridículo mais eu gostava.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

No início foram as quantidades. O mercado a nível de confeção está mais ligado às marcas grandes de grandes produções e exigiam-me quantidades absurdas. Nunca tive ambição de produzir grandes quantidades, por isso optei por fazer o meu próprio modelo de negócio. Poucas quantidades e em coleções cápsula. Eu queria uma camisa para ir jantar fora e fazia para mim, e depois para a marca também. Comecei a servir-me dos excessos de stock das fábricas de tecidos, por isso, desde logo, com uma identidade sustentável, e comecei a fazer pequenas quantidades. É um modelo de negócio que nasceu de uma necessidade inicial. Hoje em dia não quero ir para fábricas, quero manter tudo no nosso atelier.

Qual foi a razão para nunca desistires?

Já fiz muitas coisas, mas havia uma coisa em que eu achava que ia ser muito boa – no que faço hoje. Sempre acreditei que seria boa era a fazer isto. Não tenho um plano B, por isso dedico-me a 100% a este plano A. Como já fiz de tudo um pouco, sinto que faço mesmo o que gosto e quero.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

Já tive muitos, mas o mais curioso, foi estar a passear na Avenida da Liberdade e em conversa com uma funcionária de uma loja perceber que ela conhecia a Buzina. Aí percebi que a marca tinha uma projeção muito maior do que eu pensava. Também é muito marcante ver pessoas a usar roupa minha, em sítios variados e em situações muito diferentes. A ModaLisboa também foi um momento muito especial.

Como é que a tua marca faz a diferença?

A Buzina faz a diferença porque é diferente. Pelo modelo de negócio, porque os modelos são diferentes e porque é imprevisível. Torna tudo mais curioso. Apesar do ADN da marca ser identificável, a marca está também associada à minha personalidade. A marca é imprevisível. Às vezes surge a vontade de fazer algo novo de um dia para o outro – e fazemos!

O que ainda falta conquistar?

Apesar de fazer parte das semanas da moda ser uma experiência e um reconhecimento incrível, a Buzina precisa ainda de fazer muito aqui dentro e depois explorar o mercado internacional. Mas não para já, um passo de cada vez.

O que mais precisas neste momento para chegares onde queres?

Tempo! É fundamental para conseguir desenvolver tudo o que quero. Dar tempo ao tempo para alcançar os meus objetivos.

Quais os maiores motivos para comprar português?

As grandes marcas vêm cá comprar e confecionar. Quem está dentro do mercado sabe isso. Eu considero que, em Portugal, no fundo, temos tudo – a nível têxtil somos os melhores. Por isso porque não comprar português?

Diz-me outra marca/espaço português que te inspire e porquê?

São tantas que não sei por onde escolher! A nível nacional estamos mesmo muito fortes, tanto a nível de designers como marcas. O que é português começa agora a receber o valor merecido. O cliente está a comprar algo realmente bom, o que é nacional é bom.

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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