A Semana de Moda de Nova Iorque é a Mais Diversa Com 45% de Modelos Negras

Mulheres de diversas idades, etnias, tipos de corpos e tons de pele subiram às passerelles na Grande Maçã. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D.R. e Imaxtree.

Corria o ano de 2018 quando diversos meios de comunicação notavam que a Semana de Moda de Nova Iorque nunca fora tão diversa. Mas as edições que se seguiram não foram passos atrás no caminho para uma maior representatividade nas passerelles. A cada estação que passa, o evento aposta cada vez mais em modelos com diferentes tipos de corpos, tons de pele, etnias, identidades de género e, ainda, idades.

A Chromat é quem lidera este movimento. Com um cast repleto de modelos de variados tamanhos e tonalidades de pele que preenchem todo o espetro, a marca que celebra este ano uma década procura, edição a edição, ser o mais inclusiva possível. Nesta temporada, além de levar para a passerelle as já habituais, nas suas apresentações, modelos negras e plus size, escolheu ainda uma sobrevivente de um cancro da mama e uma grávida, quebrando ainda mais barreiras. Nas propostas para a primavera/verão 2020 da Chromat há um destaque para a logomania, na qual a expressão sample size desafia todos os preconceitos.

No entanto, esta não foi a única a acabar com os estigmas. Também a Tommy Hilfiger, que teve Ashley Graham a desfilar grávida, Christian Siriano e Tadashi Shoji apostaram na diversidade nos seus desfiles. Além destes, Kate Spade selecionou uma mulher mais velha, que se juntou a uma casting repleto de diferentes etnias e com corpos fora dos moldes de modelos considerados regulares.

Nova Iorque na frente do caminho para a representatividade

Todas estas escolhas em direção a uma maior representatividade têm feito parte dos esforços contínuos de todas as semanas de moda, mas os resultados têm sido mais visíveis na de Nova Iorque. De acordo com o último relatório do The Fashion Spot, a Semana de Moda de Nova Iorque é, estatisticamente, «o mais diverso e inclusivo comparativamente com os seus parceiros europeus».

O evento na Grande Maçã tem registado, edição a edição, um crescimento no número de mulheres negras nas apresentações das marcas. Nos desfiles de outono 2019, foram 45,8% as modelos negras, o que significa que representam quase metade da totalidade das manequins. Este pode ser um pequeno aumento desde a temporada anterior, apenas de 1%, mas uma diferença maior, de 7,5%, desde o último desfile de 2018 para o da primeira temporada deste ano.

Ainda que não tão notório, dadas as «práticas previsíveis e conservadoras de casting dos modelos por parte dos designers europeus», este aumento verificou-se também noutras capitais da moda, revela o The Fashion Spot, num outro relatório. Em Paris e Milão notou-se um crescimento do número de negras nas passerelles das semanas de moda dessas cidades (a primeira passou de 32,4% para 39%, enquanto que a segunda de 29,9% para 31,8%, entre a primavera 2019 e o outono do mesmo ano). O mesmo não se verificou em Londres, onde a percentagem de modelos negras diminuiu de 36,2% para 35,7% no mesmo período.

Os resultados da temporada de 2020 inda não foram aferidos, porque ainda agora começou a correria dos desfiles, mas pelo caminho que Nova Iorque seguiu tudo indica que se manterá no topo da lista.

CFDA pede uma maior inclusão

Já na linha da frente no que diz respeito à diversidade, a Semana de Moda de Nova Iorque continua a preocupar-se em manter esse estatuto. Prova disso, foi a carta emitida pelo presidente e CEO do Council of Fashion Designers of America, Steven Kolb, a dias do início desta edição do evento. Nessa nota, publicada no site do CFDA, este encorajava a comunidade da moda a ser o mais representativa possível. «Quando estiverem a selecionar as modelos para os vossos desfiles, lembrem-se, por favor, de promover a diversidade e a inclusão, quer dentro, quer fora da passerelle. A moda americana consegue liderar o caminho [da representatividade]», afirmou Kolb.