Estes Designers Estão a Desenvolver Equipamento Médico Para Dar Aos Hospitais

Brandon Maxwell e Christian Siriano são apenas alguns deles. Por: Inês Aparício Imagens: © Imaxtree.

Em Nova Iorque, as máscaras deverão chegar ao fim em duas ou três semanas, nota Bill de Blasio, presidente da câmara da cidade norte-americana. Noutros pontos do globo, o stock destes e outros equipamentos médicos já terminaram, levando profissionais de saúde a expôr-se ao vírus ou a desinfetar, com lixívia, os poucos recursos que têm para os poderem reutilizar. Assim, de modo a procurar contrariar este cenário e contribuir para o combate ao coronavírus, um grupo de designers decidiu desenvolver equipamentos de proteção, como máscaras, batas e luvas.

Christian Siriano

Do Presidente da Câmara de Nova Iorque, Andrew Cuomo, chegou um pedido de ajuda: que as empresas que tenham capacidade para o fazer, produzam equipamento médico. A resposta de Christian Siriano foi imediata. «Se Cuomo diz que são necessárias máscaras, a minha equipa vai ajudar a fazer algumas. Ainda tenho uma equipa de costura a trabalhar a partir de casa que pode ajudar», declarou, no Twitter.

Foi assim que o criador se comprometeu a desenvolver 1.000 máscaras para os hospitais da cidade, em coordenação constante com o governo, de modo a perceber, por exemplo, quais as instituições com prioridade. «Antes de começarmos alguma coisa, estamos à espera de aprovações. É muito importante, antes de alguém fazer o que quer que seja para ajudar, que garanta que o que estão a fazer é seguro e aprovado pela FDA [Food and Drug Administration]», sublinhou.

Brandon Maxwell

Já na semana passada, Brandon Maxwell anunciava que iria trocar a criação da sua próxima coleção ready to wear pela produção de recursos materiais necessários aos hospitais durante a pandemia. «Em resposta à crise global, estamos a focar, agora, os nossos esforços criativos na produção de equipamento de proteção pessoal, começando com batas», escreveu em comunicado.

«Aproveitamos a semana passada para a pesquisar quanto aos materiais médicos mais apropriados para criar estas batas e estamos orgulhosos por podermos oferecer estes itens tão necessários aos médicos e enfermeiros na linha da frente desta crise. Quando mais informação for tornada disponível relativamente à produção de máscaras e luvas, passaremos a fazê-las». Agora, o designer atualizou os seus seguidores, no Twitter, com a informação de que já foi possível começar a cumprir esse seu objetivo – o de criar máscaras.

Gucci

Também a Gucci revelou, este domingo, 22 de março, a decisão de produzir e doar 1.1 milhões de máscaras, assim como 55.000 fatos médicos. Os recetores destes itens serão, de acordo com o Business of Fashion, os profissionais de saúde italianos.

É de salientar que a marca já havia contribuído monetariamente para o combate à expansão da covid-19. Marco Bizzarri, diretor executivo e presidente da Gucci, doou 100.000 euros para a Ausl IRCCS di Reggio Emilia, a entidade que engloba oito hospitais na zona da Emilia Romagna, no norte de Itália.

Yves Saint Laurent e Balenciaga

Enquanto parte dos esforços do grupo de luxo a que pertencem, a Kering, face à pandemia, a Yves Saint Laurent e a Balenciaga estão a preparar as suas fábricas, em França, para produzir máscaras. Em nota de imprensa publicada no site do conglomerado, é garantido que ambas irão cumprir «medidas de proteção rígidas para garantir o bem-estar» dos trabalhadores. Esta ação terá início assim que «o processo de produção e os materiais forem aprovados pelas autoridades relevantes».

Doação de máscaras

Pyer Moss

Ao contrário dos restantes designers, Kerby Jean-Raymond, diretor criativo da Pyer Moss, não irá – pelo menos para já – criar máscaras ou outros métodos de proteção individual. Mas também não ficará sem cooperar na luta contra o coronavírus. O criador decidiu converter o seu escritório em Nova Iorque num centro de doações, para o qual poderão ser enviados equipamentos médicos que este irá, posteriormente, enviar para os hospitais. «Iremos utilizar as práticas de higiene e distanciamento social recomendadas para receber e redistribuir os itens diretamente a profissionais de saúde consoante as suas necessidades», esclareceu no Instagram.

Além disso, este irá atribuir $5.000 (o equivalente a cerca de €4.600) para a compra de mais máscaras e luvas e $50.000 (aproximadamente €46.000) para apoiar pequenas empresas criativas lideradas por mulheres ou minorias étnicas.

 

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LVMH

Os hospitais franceses irão receber 40 milhões de máscaras, pelas mãos do grupo LVMH. 10 milhões destas já foram adquiridas a uma empresa chinesa – financiadas pelo próprio diretor executivo, Bernard Arnault, num movimento que custou €5 milhões – e, segundo o BoF, serão entregues nos próximos dias. O restante número de itens será solicitado em pedidos semelhantes a este durante as próximas quatro semanas.

Esta não foi, no entanto, a primeira contribuição do conglomerado de luxo. A LVMH já havia anunciado a transformação das suas fábricas de perfumaria numa linha de produção de gel desinfetante para as mãos.

Kering

Da China, virão também 3 milhões de máscaras cirúrgicas que serão entregues aos serviços de saúde franceses, num dos contributos da Kering. Além disso, o grupo optou ainda por fazer uma doação monetária ao Instituto Pasteur, no mesmo país, de modo a apoiar a investigação em curso relativa à covid-19. A quantia atribuída a este não foi revelada.