Coletes Amarelos Obrigam a Alterações no Calendário da Semana de Moda de Paris

Depois da Dior, outros designers seguiram os passos da marca, alterando também os horários dos seus desfiles. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

O que começou por ser um movimento de protesto contra o aumento constante dos preços dos combustíveis em França rapidamente escalou para uma violenta manifestação de descontentamento relativo às políticas levadas a cabo por Emmanuel Macron. Com a mesma velocidade que tornou o país num caos, através de marchas em várias cidades francesas durante nove semanas consecutivas, o movimento dos coletes amarelos arrastou com ele o quotidiano de cidadãos e turistas. Afetadas foram também marcas como Dior ou Thom Browne, e, consequentemente, a própria Semana de Moda de Paris dedicada às coleções masculinas, a decorrer desde esta terça-feira, 15 de janeiro, na capital francesa.

De modo a evitar possíveis conflitos com o movimento populista — cujo 10º Ato está marcado para o próximo sábado, 19 de janeiro, precisamente o penúltimo dia da Semana de Moda de Paris —, as marcas optaram por reagendar a apresentação das suas coleções. Apesar do ponto de partida dos protestos ser, de acordo com o evento difundido no Facebook, a Praça da Bastilha, os coletes amarelos acabam muitas vezes nos Campos Elísios, local onde tradicionalmente os desfies acontecem, tornando imperativo para as marcas tomar precauções.

Desfile da Dior antecipado

A primeira maison a anunciar a sua decisão foi a Dior — cuja loja nos Campos Elísios foi, de acordo com a France 24, vandalizada e roubada no final de novembro do ano passado pelo grupo dos coletes amarelos. O segundo desfile de Kim Jones em Paris enquanto diretor criativo da Dior Homme será antecipado um dia. Assim, em vez de as propostas serem exibidas no sábado às 17h, passarão a ser mostradas às 18h de sexta-feira — no mesmo dia em que as coleções de Balmain e Commes des Garçons serão apresentadas.

Dada esta alteração, o próprio dia 18 do calendáro da Semana de Moda de Paris teve de ser reajustado. Enquanto que o desfile da Balmain, que estava anteriormente marcado para as 18 horas, foi adiado para as 21h, o de Pigalle Paris irá começar meia hora mais tarde do que o previsto inicialmente, tendo, então, início às 19h30.

Outras marcas tomam precauções

Após a Dior comunicar a decisão de alterar o horário do desfile, também outras marcas acabaram por reagendar a apresentação das suas propostas. Apesar de a manterem no sábado, de acordo com a Vogue, estas informaram os seus convidados das alterações, pedindo que os detalhes permanecessem confidenciais de modo a que que os organizadores dos protestos não fossem alertados.

No entanto, as horas de cada desfile são públicas no site da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, a entidade que gere a indústria da moda em França, onde surge o horário da Semana de Moda masculina de Paris. Desta forma, é possível perceber que os desfiles de sábado começam mais cedo que nos restantes dias, tendo as 9h como ponto de partida, com a apresentação da coleção da Sacai — que anteriormente estava marcada para as 10h. Posteriormente, seguem-se os desfiles de Lowe, Thom Browne, Namacheko, Wooyoungmi, Andrea Crews, Henrik Vibskov, White Mountaineering e, por fim, Hermès.

Estas alterações não garantem, ainda assim, que os desfiles decorram normalmente e, por isso, Ralph Toledano, presidente da Fédération de la Haute Couture et de la Mode, notou, em entrevista ao WWD, que o calendário do evento pode ser alterado até ao último minuto, de forma a «limitar os riscos ao máximo».

Reforço das medidas de segurança

Se a segurança já é habitualmente uma prioridade numa semana de Moda, nestas circunstâncias acaba por ser reforçada. Segundo declarações de Toledano ao WWD, a organização «está a unir esforços com a polícia de Paris, que tem realizado uma série de recomendações relativamente aos locais e intervalos de tempo [entre os desfiles]». «Naturalmente, [a polícia] está a implementar todas as medidas possíveis e imaginárias, de modo a que possamos seguir essas mesmas recomendações de forma responsável», completou.

Situações semelhantes em anos anteriores

Esta não é a primeira vez que o calendário de uma semana de Moda de Paris é alterado. Já em 2015, aquando dos ataques terroristas na capital francesa, a Fédération de la Haute Couture et de la Mode viu-se forçada a tomar providências, assim como em momentos em que o evento coincidiu com maratonas desportivas, marchas de orgulho gay e manifestações contra a utilização de pelo na indústria da Moda.