Cinco Dicas Que a Vão Ajudar a Encontrar o Seu Estilo Próprio

Até porque numa sociedade que, por vezes, consegue ser tão castradora, perdê-lo pode tornar-se fácil. Por: Vítor Rodrigues Machado Imagens: © D. R.

Quem nunca (entre amigos) disse ou ouviu alguém dizer «estou farta da forma como me visto»? Pois… o problema é que, encontrarmos o nosso estilo, aquele que mostra ao mundo quem realmente somos e para onde queremos ir, pode não ser tarefa fácil. Especialmente quanto temos um milhão de vozes na nossa cabeça a dizer «o que é que será que vão pensar deste vestido quando me virem com ele». Mas não é impossível. Para o fazer só tem de desligar as vozes que correm na sua cabeça, e seguir as cinco sugestões que reunimos para quem quer embarcar nesta viagem.

 

1. Parcialmente básica

Da mesma forma que qualquer rotina de beleza está incompleta sem um hidratante, qualquer guarda-roupa está inacabado sem os básicos. Por isso, a primeira coisa a fazer é garantir que tem todos consigo. A lista é simples: um casaco de lã tipo marinheiro, uma gabardine, um casaco de cabedal, um vestido preto, uma t-shirt branca, uma boa camisola de malha, uma camisa branca, uma saia lápis, umas calças de ganga e umas calças pretas. Estes são os essenciais indispensáveis que lhe vão dar, depois, possibilidade de fazer mil combinações diferentes.

Por isso abra as portas do armário, tire tudo que tem dentro pra fora (aberto! nada dobrado!) e faça de conta que está à procura do Wally. O que não tiver, pode sempre comprar. Mas antes que saque do computador para começar a fazer as encomendas online, registe mentalmente que convém que os tons sejam o mais neutros possíveis e que as peças tenham qualidade (e isto é algo do qual não deve prescindir, porque quanto melhor, mais tempo lhe vão durar). 

P.s. Sim, sabemos que este é o conselho mais óbvio, mas o mundo continuam a esquecer-se dele.

 

2. Goodbye My Mono, Goodbye My Friend

As 30 camisolas de lã que tem guardadas no armário desde os anos 80, e que acabou de encontrar, são para quê? Para a eventualidade de rebentar uma nova Idade do Gelo e ter camadas suficientes para se proteger do frio? Ou quer só garantir que as traças não passam fome? Lamentamos, informar,  mas se quer encontrar o seu estilo próprio, vai ter mesmo que se ver livre delas. Aliás, delas e de tudo aquilo que não usa há mais de um ano, que não lhe serve, ou que já está com mau aspeto. Faça-o, e faça-o rápido. Como arrancar um uma banda de cera da perna. Doloroso, porém, necessário (a não ser que queira ficar com ela colada para a eternidade). 

Ah, e nada de deitar as coisas no lixo (a não ser que estejam esburacadas já com um ar de que só serve para se transformar pano do pó), existem várias instituições onde pode doá-las. Procure no Google algumas perto de si.

 

3. Mary Konde-se

Agora começa a parte mais complicada. Olhe bem para tudo o que tem (e foi também por causa disto que lhe dissemos para tirar tudo do armário!) e faça o exercício mental de tentar perceber de que é que realmente gosta e o que é só “nhé…”. Como diria a Mary Kondo, tente encontrar aquilo que “sparks joy”, e procure perceber quais as razões pelas quais gosta daquela saia, calças ou camisola. A sério, pense bem, (é o corte? O padrão? A cor?).  Se for necessário, aponte num papel dividido por tipologias de roupa (até porque ninguém é obrigado a lembrar-se de tudo). Assim vai começar a perceber melhor qual o tipo de coisas que gosta, e que realmente a fazem sentir feliz, e o que não tem assim tanto a ver consigo. E se encontrar 30 peças idênticas com o mesmo padrão ou cor, mas na realidade só usa dez, pense se realmente vale a pena manter tudo (é o chamado “efeito clone”, já todos passamos por isso).

 

4. Searching…

Não pense que isto de encontrar o seu estilo próprio, um que foi desenhado exclusivamente por si e para si, só inclui as atividade de se livrar de tudo e mais alguma coisa e gastar a banda magnética do cartão de crédito. Non, non. Também é preciso estudar-se, a si mesma. Tente perceber quem é, qual é a imagem quer passar para o mundo, e procure alinhar as duas. Se for necessário procure por referências de pessoas que representam aquilo que quer e estilos que gosta.

Um exercício que pode ser interessante, é anotar traços de personalidade seus e, depois, associar a peças, cores, padrões… Outra coisa bastante útil (que é um pouco mais simples) é abrir o Pinterest ou o Instagram e criar um moodboard com looks de que gosta (seus e de outras pessoas), para escolher mais facilmente o que gostaria de experimentar. E nada de copiar looks ok? Aqui o objetivo é adaptá-los a si.

 

5. Não seja lapa do estilo

Temos uma tendência muito forte para repetir padrões, e no caso do estilo (especialmente para quem é mais inseguro) isso não é exceção. Não se fique só por um look ou por uma cor, que repete vezes, e vezes, sem conta. Tente variar ao máximo. A roupa é uma exteriorização da nossa personalidade, por isso divirta­‑se com ela. A sério. Faça-o. Sim, ela é importante porque vai falar automaticamente sobre nós aos outros mas, ao mesmo tempo, tem que quebrar esse medo do que os outros vão pensar (a cima de tudo temos que nos vestir para nós, só depois para os outros). Acredite que vai sentir-se melhor consigo mesma.