Chanel Abandona as Peles de Animais Exóticos das Peças

A dificuldade em obter responsavelmente estes materiais terá estado por detrás da decisão. Por: Inês Aparício -- Imagens: © Imaxtree.

Cobras, crocodilos, lagartos e tubarões: são estes os animais que deixarão de fazer parte de acessórios e roupa da Chanel. O anúncio realizado pela marca francesa nesta segunda-feira, 3 de dezembro, torna-a na maior casa de luxo a banir a pele destes materiais — mas não a primeira a fazê-lo, uma vez que esta segue os passos recentemente dados por, por exemplo, Diane von Furstenberg.

A razão por detrás desta decisão prende-se com a crescente dificuldade em obter, de forma ética e responsável, a pele de animais exóticos. Ao Le Figaro, a Maison revelou que o abandono destes materiais surgiu como a melhor opção entre as duas alternativas que tinham: a de encontrar uma forma de limpar o setor — o que, de acordo com a Chanel, era uma opção pouco viável no futuro — ou eliminá-los definitivamente das peças. «Estava a tornar-se cada vez mais difícil encontrar peles exóticas que correspondessem aos nossos padrões éticos», notou a marca em comunicado citado pelo Business of Fashion.

A luta por parte dos ativistas dos direitos dos animais — que defendem que a utilização das peles de cobras ou crocodilos é muitas vezes ilegal e está a colocar em perigo diversas populações de animais exóticos — é já longa. Mas a decisão foi, ainda assim, inesperada. Em declarações ao Business of Fashion, Christina Sewell, diretora das campanhas de moda da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), revelou que esta é uma temática que tem sido discutida com a marca desde 2015 e que não recebera nenhuma indicação de uma possível mudança das intenções da casa francesa. No entanto, esta vê a decisão como uma forma de encorajar outras marcas de luxo a seguir as pisadas da Chanel.

Uma possível valorização das peças

Os artigos fabricados com pele de cobra, crocodilo, lagarto ou tubarão têm valores bastante superiores aos de peças semelhantes, mas com materiais como tweed ou couro. E com o desaparecimento destes, é expetável que o valor de revenda aumente ainda mais, notou John Guy, analista da MainFirst, ao Business of Fashion.