Carteiras Feitas a Partir de Pele de Uva e Estampados de Borras de Café

É assim a nova coleção H&M Conscious Exclusive. Por: Margarida Brito Paes Imagens: © D. R.

Quando pensamos em sustentabilidade muitas vezes somos levados a pensar numa maior ligação à terra, a uma vida mais natural e mais ligada à natureza. Um verdadeiro contraponto à aceleramento, tantas vezes embalado pela tecnologia do Mundo moderno. Mas, a verdade nem sempre é esta, e na indústria da Moda muitas vezes é a inovação tecnológica que consegue garantir uma produção mais sustentável.

A H&M é uma das marcas que sabe isso, e como tal, investe muito na inovação criando todos os anos novos materiais de matérias primas mais sustentáveis. A marca já passou pelas redes de pesca e pelas cascas de ananás, e este ano continua a surpreender. Desta vez são as borras de café e a pele de uva as grandes estrelas da coleção. Sim, leu mesmo bem!

Ler o futuro nas borras de café

As borras de café são provenientes do escritório de produção da H&M em Shangai. Assim, os restos das cápsulas de café do escritório, em vez de irem parar ao lixo, foram transformadas numa tinta natural que não precisa de tantos químicos, nem aditivos, como a tinta convencional. Como se tinge depois a roupa? «A peça de roupa é mergulhada numa mistura de água e da borra de café que foi re-preparada até se obter a cor desejada», explica a marca, em comunicado. O resultado são bonitos estampados castanhos como uma imagem aquarelada. Há quem leia o futuro pelas borras de café deixadas numa chávena, a H&M prefere fazer deste desperdício alimentar o próprio futuro.

Tempo de vindimar

As vindimas são em setembro, e entre tanto pisar de uvas sobram as cascas, os caules e as sementes desta fruta, que é depois transformada na bebida de Dionísio. Esta matéria prima quando trabalhada da forma certa transforma-se numa excelente alternativa vegan à pele. Este foi um dos materiais inovadores vencedores do Global Change Award 2017, concurso promovido pela H&M Foundation para premiar as melhores inovações da moda sustentável.

No entanto, uma coleção feita, dos pés à cabeça, com materiais exclusivamente sustentáveis não se faz apenas com duas inovações nos materiais. «A coleção primavera-verão 2020 Conscious Exclusive tem o nosso primeiro par de jeans, do qual tenho muito orgulho em dizer que é feito a partir de algodão orgânico certificado reciclado, com um baixo impacto ambiental, aviamentos ecológicos, como rebites e botões que usam muito menos metal e permitem reciclagem mais fácil, e com um processo de produção cuja produção de carbono é totalmente compensada pela fábrica no Paquistão» conta a designer da coleção, Ella Saccorsi. «Também estamos a usar sobras de tecidos de stock de coleções anteriores da Conscious Exclusive, incluindo seda orgânica, tafetá de poliéster e contas de vidro recicladas», continua.

H&M Counscious Exclusive 

A coleção sustentável da H&M chega este verão inspirada pelas glamourosas viagens de comboio entre Calais e a Riviera Francesa. O famosos Le Train Blue fez esta viagem dos anos 20 aos anos 40 do século passado, enchendo-se de artistas, celebridades e socialites.

«Todas essas pessoas maravilhosas, criativas e decadentes estavam na Villa Santo Sospir, a casa da socialite Francine Weisweiller em Cap Ferrat, conhecida localmente como a “vila tatuada” graças aos fantásticos frescos de Jean Cocteau, que cobriam todas as paredes. Então cruzamo-nos com o ballet Le Train Bleu, que estreou em 1924, para o qual Cocteau escreveu o guião, Chanel criou os figurinos e o cenário foi baseado num desenho de Picasso. Mas do que nósparticularmente particularmente foi da ideia de uma viagem de comboio glamourosa», conta Ella Saccorsi.

Esta viagem traduz-se na coleção, nos estampados azuis, nas riscas marinheiras, nos acessórios com detalhes de conchas e nós, mas também nos neutros que lembram a luz de uma final de tarde regado a champanhe. Veja toda a coleção na galeria, em cima.

H&M o grupo mais transparente no que toca à sustetabilidade

A revolução sustentável do Grupo H&M, não se prende apenas com a Conscious Exclusive, mas também com outros produtos implementados noutras marcas do Grupo. Mas, além da roupa sustentável que chega ao consumidor existem muitas outras medidas que sustentam um caminho reto, e sem desvios, para manter o compromisso com o ambiente. Um dos pilares para se manter no trilho é a transparência. Desde 2013 que o Grupo tornou pública a sua lista de fornecedores, sendo hoje possível saber muitos sobre quem produz a roupa que está à venda online.

Este caminho valeu ao Grupo o primeiro lugar no mais recente Índice de Transparência de Moda, do Fashion Revolution. O Índice classifica as 250 empresas de acordo com a quantidade de informação partilhada sobre os seus fornecedores, medidas e práticas da sua cadeia de fornecimento e impacto social e ambiental.

«É uma grande honra estar em primeiro lugar do Índice de Transparência de Moda de 2020 e um grande reconhecimento do nosso trabalho. O nosso objetivo é ser sempre o mais transparentes possível no nosso progresso no sentido de um futuro da moda mais sustentável, assim como nos desafios futuros, de forma a continuar a impulsionar a mudança na indústria. Estamos determinados a continuar a tomar os passos necessários para uma maior transparência, para que os clientes possam tomar decisões informadas e para impulsionar um impacto positivo na indústria através do nosso extenso trabalho para nos tornarmos completamente circulares e positivos para o ambiente sendo, igualmente, uma empresa justa e igualitária», afirma Hanna Hallin, Global Strategy Lead para a Transparência do Grupo H&M.