Bruna Marquezine: «Torno-me Um pouco mais feminista a cada dia»

Uma conversa com a atriz sobre feminismo, o mundo televisivo e o seu novo papel como rosto da Intimissimi. Por: ELLE Portugal Imagens: © D. R. e Instagram @brunamarquezine

Foi através da novela Mulheres Apaixonadas que a conhecemos, e hoje é um dos rostos brasileiros mais famosos internacionalmente. Quisemos saber quem é Bruna Marquezine longe do pequeno ecrã.

ELLE: Fotografaste esta campanha da Intimissimi usando apenas lingerie, por isso, gostaríamos de começar por saber qual é a tua relação com o teu corpo…

BRUNA MARQUEZINE: Eu busco ter uma relação de paz e amor com o meu corpo. Acredito no equilíbrio em geral. O principal objetivo é sempre cuidar da saúde e, depois, da aparência em si. Não acho que seja pouco importante, creio que todas nós devemos olhar-nos ao espelho e sentirmo-nos bem. Nem vejo problema em procurarmos a nossa melhor versão, desde que a prioridade seja a saúde. Eu olho para a beleza como um estado de espírito. As pessoas mais atraentes que conheci não faziam parte desse padrão imposto pela sociedade, mas tinham, sim, amor-próprio. O que muda tudo. Como atriz, a minha ferramenta de trabalho é o meu corpo, por isso estou sempre ao serviço de um personagem e não posso ter vaidade ou apego a uma única versão de mim.

Estás bastante presente nas redes sociais. Como é a tua relação com elas?

Nunca tive nenhuma grande ambição relacionada com as redes sociais, as coisas foram acontecendo de forma bem natural, orgânica. O mais precioso, na verdade, é mesmo o meu equilíbrio, a minha saúde mental.

E achas que as mulheres são alvos mais fáceis de crítica?

Sim, nós vivemos numa sociedade extremamente machista. Existe um padrão de beleza que é imposto à mulher que não é imposto ao homem. Os homens não vivem em busca do padrão de beleza imposto, como as mulheres. A sociedade impõe e quem não segue é criticada, sim.

Qual é a tua posição sobre este novo movimento feminista?

A minha geração não tinha vivido as outras ondas do feminismo, então ninguém falava disso. Já para a minha irmã [Luana Marquezine, de 17 anos], o conceito é tão simples: “O feminismo não deveria gerar tanta polémica porque o conceito é basicamente o da igualdade de oportunidades, de direitos.” Eu não nasci num lar feminista, era um conceito que não entendia, e passei a aprender o que significava, um dia após o outro. Torno-me um pouco mais feminista a cada dia. Acredito que a principal conquista das novas gerações é poderem falar abertamente sobre assuntos que vivem e, assim, buscarem ajuda noutras mulheres. A denúncia de relacionamentos abusivos é uma conquista de hoje. Quantas meninas viveram isso e nem sabiam aquilo por que estavam passando? Algumas conseguiram sair desses relacionamentos (e alguns rapazes também) sem nem perceberem aquilo por que tinham passado, com o perigo de repetirem tudo de novo, e de novo…

 

 

 

«Existe um padrão de beleza que é imposto à mulher que não é imposto ao homem. Os homens não vivem em busca do padrão de beleza imposto, como as mulheres»

 

 

 

Começaste muito nova no mundo da TV. Imaginaste ter outra profissão?

Acho que todo o mundo em algum momento, principalmente no meio de desafios, já se questionou se estaria no caminho certo, e eu imaginei se conseguiria não ser atriz. Mas esta arte encanta-me. Nunca me imaginei fora desse universo, hoje há muitas coisas que me interessam no mundo artístico (como escrever e dirigir, por exemplo). Gostaria muito de descobrir mais, de explorar o meu lado criativo, e também por detrás das câmaras.

Mas o mundo da televisão pode muito facilmente deslumbrar-nos. Como é que manténs os pés assentes na terra?

É um meio que envolve muito ego. Se não fosse pela minha família, pela minha fé e pelos meus amigos (pouquíssimos), que não estão neste meio e não me olham como uma atriz, mas sim como a Bruna, poderia muitas vezes ter-me deixado levar. Nós estamos expostos a muitas opiniões, se você não busca o autoconhecimento, se os seus valores não estão claros e não tem uma rede de apoio muito fiel e segura em seu redor, é muito fácil deixar-se levar e acreditar na opinião alheia, seja ela positiva ou negativa. É um meio muito competitivo. Se acredito num Deus que diz que tem algo reservado para cada um de nós, nem penso em me permitir entrar em competição com ninguém.

A Intimissimi está diretamente ligada, de várias formas, a mulheres que são ícones para muitas pessoas em todo o mundo. Quem são as mulheres que te inspiram atualmente e porquê?

Ashley Graham, Jennifer Lawrence, Gisele Bündchen, Zendaya e Rihanna são as mulheres que me inspiram, pela sua força, a sua personalidade, a sua coragem e a sua autenticidade.

 

Como te identificaste com a marca quando aceitaste juntar-te a ela?

As peças da Intimissimi têm todo um charme. A marca tem um DNA muito claro – ao mesmo tempo que é sensual, é intemporal. A mulher encontra desde todos os básicos de que pode precisar na vida até peças mais ousadas, transparências, sedas e rendas lindíssimas, mas tudo com esse perfil muito elegante.

Como tem sido trabalhar com esta que é uma das marcas de lingerie mais conhecidas do mundo?

Estou muito feliz por poder fazer parte da história da Intimissimi, agora globalmente. Foi um enorme prazer ser o rosto da nova campanha mundial e poder trabalhar com profissionais incríveis da equipa da Intimissimi.

E, para finalizar, quais são as tuas peças favoritas da campanha que fotografaste?

Com certeza, todas as peças me encantam. Mas o meu conjunto favorito é o do bustier em renda, nude e preto.

 

Este artigo foi publicado originalmente na ELLE de março de 2020