As Peças-Chave do Armário de Alexandria Ocasio-Cortez São Referências Políticas

A mais nova congressista norte-americana tem uma mensagem a transmitir através da roupa. Por: Inês Aparício -- Imagens: © D. R.

Alexandria Ocasio-Cortez pode ter chegado há pouco tempo ao Congresso norte-americano, mas tem muito para dizer. Desde janeiro como representante das zonas de Bronx e Queens, em Nova Iorque, a mais jovem mulher da história da América a fazer parte do Senado procura ser uma influência para a sociedade, não só através dos seus discursos, como da própria roupa que veste. Porque para a americana de origem porto-riquenha tudo é político. Mesmo o vestuário.

A millennial que se descreve como «uma educadora da classe trabalhadora de Nova Iorque» sabe que no universo da política as figuras que o integram são vistas como um todo. Especialmente as mulheres, frequentemente alvo de objetificação e crítica pelo que vestem. Deste modo, Ocasio-Cortez toma as rédeas da sua narrativa e inspira, provoca e informa através do seu próprio guarda-roupa.

Fá-lo, mais claramente, desde o momento eu que jurou, sob a constituição, servir o congresso. Nesse dia, 5 de janeiro, a democrata optou por utilizar um look monocromático. E a escolha foi notada. «Vesti-me toda de branco em homenagem às mulheres que tomaram este caminho antes de mim e por todas as que me seguirão. Desde as sufragistas a Shirley Chisholm, não estaria aqui se não fosse pelas mães do movimento», esclareceu nas redes sociais, depois de ser questionada várias vezes.

Também a boca vermelha – que se tornou, entretanto, num dos elementos característicos de Ocasio-Cortez – e os acessórios usados eram referências ao feminismo, pensados minuciosamente pela congressista. «Os lábios e as argolas foram inspiradas pela Sonia Sotomayor, a quem foi aconselhada a utilizar vernizes neutros para evitar escrutínio. Ela manteve-as [as unhas] vermelhas», declarou. «Da próxima vez que disserem às raparigas de Bronx para tirarem as argolas, elas podem dizer que estão a vestir-se como uma congressista», adicionou.

Além do batom, Alexandria Ocasio-Cortez tem outro elemento que se tornou já imagem de marca da democrata. O cabelo apanhado num coque, perfeitamente penteado no fundo da cabeça, é um look habitual da representante das zonas de Bronx e Queens. De acordo com o hairstylist Guido Palau, em declarações à Vanity Fair, este é sinónimo de negócios. Ainda assim, é também frequente utilizar os fios lisos e soltos, com o risco ao lado.

No entanto, a maior prova de que a democrata pensa em tudo ao mais ínfimo pormenor foi dado na redação da Elle americana. Para um artigo sobre as mulheres eleitas para o congresso, a representante das zonas do Bronx e Queens surgiu com uma trança que explicou, numa história no Instagram, ser uma homenagem. «Quando utilizo uma trança é em homenagem à herança africana e indígena que faz parte de ser porto-ricanha. A minha família é afro-latina», notou. «Não quero que digam às minhas sobrinhas que o cabelo delas é pouco profissional. Por isso é que escolhi usa-la. Para a tornar normal e celebra-la, com respeito e honra aos nossos antepassados. E para mostrar também a todas as raparigas que podem levar tranças para o congresso», completou.

Críticas ao seu guarda-roupa

Desde que as mulheres começaram a candidatar-se a cargos políticos nos Estados Unidos, que as suas escolhas no que ao vestuário diz respeito são alvo de críticas. E Ocasio-Cortez não é exceção. Ainda antes de assumir oficialmente o cargo no congresso, algo tão banal quanto um blazer preto serviu de pretexto para que Eddie Scarry formulasse críticas à democrata. Num tweet, entretanto eliminado, o colaborador do jornal Washington Examiner escrevia que a peça que Alexandria vestia aparentava ser demasiado caro para esta. «Esse blazer e o casaco não parecem pertencer a uma rapariga que tem problemas financeiros», comentou, referindo-se às dificuldades financeiras sofridas pela democrata, reveladas pela mesma durante a campanha.

Em resposta ao tweet, a congressista mostrou-se indiferente às críticas, afirmando que seria alvo destas independentemente do que vestisse. «Se entrasse no congresso com um saco, iriam rir-se e tirar uma fotografia das minhas costas. Se entrasse com as minhas melhores roupas, iriam rir-se e tirar uma fotografia das minhas costas», declarou.

Como Alexandria Ocasio-Cortez chegou ao congresso

Formada em Economia e Relações Internacionais pela Universidade de Boston, Alexandria Ocasio-Cortez fez parte de algumas campanhas políticas, como a candidatura de Bernie Sanders à presidência dos Estados Unidos, nas eleições que levaram Donald Trump ao poder. Daí, foi um pequeno passo até concorrer ela própria contra Joe Crowley por um lugar no congresso, enquanto representante das zonas do Bronx e Queens.

Durante a campanha prometeu ser diferente dos políticos anteriores, que, de acordo com Ocasio-Cortez, haviam desiludido a população com promessas incumpridas e desculpas. Lutou pela implementação de um sistema de saúde universal nos EUA, uma licença paternal para os trabalhadores, maior facilidade de acesso às universidades e escolas públicas, além dos direitos das mulheres, da comunidade LGBTQI e uma maior consciencialização ambiental.

Ainda que a probabilidade de vencer o também democrata Crowley, um veterano no que à política diz respeito, fosse reduzida conseguiu-o, e, em janeiro, tornou-se oficialmente na mais jovem mulher a fazer parte do congresso norte-americano.

Veja na galeria, em cima, alguns dos momentos de estilo e, indissociavelmente, políticos de Alexandria Ocasio-Cortez.