A Chanel Depois de Karl Lagerfeld É Feita de Logomania, Laços e Camélias

A coleção Cruise foi a primeira desenhada por Virginie Viard. Por: Margarida Brito Paes -- Imagens: © Gtresonline

Esta sexta-feira, 3 de maio, o Grand Palais recebeu a coleção Cruise da Chanel. O cenário escolhido foi uma estação de comboios megalómana, bem ao estilo de Karl Lagerfeld, falecido a 19 de fevereiro. No entanto, ainda que a lembrança do Kaiser, bem como o seu traço, esteja em todo o lado, esta coleção todos os olhos estava postos em Virginie Viard.

Esta foi a coleção de estreia de Viard enquanto Diretora Criativa da Chanel, e por isso, a expectativa era alta e a curiosidade enorme. O que vimos desfilar foram uma série de reverências ao trabalho de Lagerfeld e a recuperação de algumas silhuetas. Mas este não foi um simples remake, esta coleção tem um cunho mais Rock and Roll, é menos Lady Like e procura uma atitude mais irreverente. A coleção Cruise da Chanel é para mulheres que não têm medo de não estar perfeitas.

O melhor foi mesmo o início 

Os primeiros seis coordenados são os que mais têm o cunho de Viard, e os mais interessantes. A culpa é dos casacos encerados, camisas brancas e calças largas. Mas não foi esta a linha que a coleção seguiu, nem esta nem nenhuma na realidade. O desfile foi bastante heterogéneo  e por isso não conseguiu contar uma história, precisamente por ter muitas referências distintas. Não faltaram as riscas, os casacos com bolsos e os decotes desportivos. Também as camélias que Coco tanto gostava e os laços – que Karl punha na passadeira vermelha como ninguém- marcaram presença.

Chanel Cruise 2020

Virgine trouxe ainda a logomania para a passerelle e utilizou renda, um tecido que Karl não utilizava muito. Como não podia deixar de ser, não faltaram os tweeds, as lantejoulas em detalhes e as correntes.

São de notar também as peças em ganga, que podem ser um dos caminhos que Viard irá explorar mais a fundo nas próximas coleções. Pelo menos gostaríamos que fosse. A coleção Cruise é tão diversa e com tantas referências que é difícil perceber o a caminho que a Chanel depois de Karl poderá tomar. Ainda assim, tendo em conta as referências mais utilitárias dos primeiros coordenados, o trabalho com as gangas e o espírito rock de algumas peças, é possível que a Chanel de Virginie seja mais depurada e moderna, sem perder a atitude forte, que a de Karl Lagerfeld. Estamos a fazer figas por isso.