Turquia Contra a Participação de Drag Queens no Festival da Eurovisão

Presidente da emissora estatal, TRT, referiu-se diretamente à participação de Conchita Wurst no concurso. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © GTRESONLINE.

Desde 2012 que a Turquia não participa no Festival Eurovisão da Canção e, a avaliar pelas recentes declarações do presidente da emissora estatal Turkish Radio and Television Corporation (TRT), o regresso turco ao evento internacional não parece estar para breve.

«Não consideramos voltar ao concurso. Temos razões para tal, como o sistema de voto», começou por dizer İbrahim Eren numa palestra que aconteceu no fim de semana na Universidade Ibn Haldun, em Istambul, antes de apresentar outros motivos para a ausência do país no concurso. «Como emissora pública, também não podemos transmitir em direto, às 21h00 — quando as crianças ainda estão acordadas — imagens como a do austríaco barbudo que usava uma saia, não acreditava na questão do género e que dizia ser tanto homem quanto mulher», justificou, citado pela publicação Hurriyet Daily News.

Eren referia-se a Conchita Wurst, nome artístico de Tom Neuwirth, cuja performance do tema Rise Like a Phoenix valeu à Áustria o primeiro lugar na final da 59ª edição do festival, em 2014. Na altura, esta vitória desencadeou uma onda de críticas mas também de aplausos. Países como a Rússia criticaram fortemente a participação de Conchita, acusando-a de ser inapropriada. No entanto, as associações de defesa dos direitos LGBTQI colocaram-se ao lado da artista e da mensagem de tolerância que conseguiu transmitir.

Os motivos apresentados pela Turquia em 2017

Há muito que os fãs turcos da Eurovisão anseiam por ver o país de novo na competição. Em 2017, especulou-se sobre um possível regresso da Turquia aos palcos do evento, mas os rumores foram logo desmentidos pelo vice primeiro-ministro, Bekir Bozdag, e pela TRT. Na altura, para justificar a ausência do país no festival a emissora apenas mencionou os custos elevados associados à participação no concurso e o sistema de apuramento e voto vigente, que atribui um grande peso aos Big 5, nome dado aos cinco países que têm acesso garantido à final, graças ao grande contributo financeiro que dão à organização do festival.