Liga Mundial de Surf Acaba Com Diferença de Remuneração Entre Homens e Mulheres

Uma nova medida entrará em vigor em 2019 e ditará o fim da desigualdade de género nas grandes provas de surf. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © WSL

Para ondas iguais, pagamentos iguais. Partindo desta premissa, a Liga Mundial de Surf (em inglês World Surf League, entidade também conhecida pela sigla WSL) tomou recentemente a decisão de atribuir prémios monetários iguais para todos os surfistas, homens e mulheres. Uma medida que pretende acabar com a desigualdade remuneratória entre géneros nas grandes competições de surf.

Tomando como exemplo a competição Oi Rio Pro, a diferença remuneratória entre Filipe Toledo e Stephanie Gilmore, vencedores dos circuitos masculino e feminino, respetivamente, foi de 35 mil dólares: ele recebeu 100 mil dólares, ela somente 65 mil. Mas de 2019 em diante, o valor dos prémios monetários será igual para todos os surfistas do circuito mundial. Quer isto dizer que a surfista que vencer o primeiro lugar de uma dada competição da Liga vai receber a mesma quantia monetária que o surfista vencedor da competição masculina.

«Queremos estar na vanguarda da luta pela igualdade em todas as esferas da vida, a começar pelas ondas», referiu Sophie Golschmidt, diretora executiva da Liga Mundial de Surf, durante o anúncio da medida, na passada quarta-feira, 5 de setembro. «Este é um enorme avanço na nossa estratégia de elevar o surf feminino a um novo patamar. É a última de uma série de ações que a Liga se comprometeu a tomar em relação às nossas atletas, desde competirem nas mesmas ondas que os homens até receberem um maior apoio financeiro.»

Com esta medida, a Liga Mundial de Surf torna-se na primeira entidade desportiva a nível mundial a estabelecer uma política de igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

 

Atletas aplaudem decisão da Liga Mundial de Surf

Muitos foram os atletas, homens e mulheres, que aplaudiram a decisão da Liga Mundial de Surf. «O prémio em dinheiro é ótimo, mas a mensagem tem um significado maior. Eu espero que isto sirva de exemplo para outros desportos, organizações mundiais e até mesmo para a sociedade», disse a surfista Stephanie Gilmore, atual número 1 do ranking feminino.

No Instagram, Lakey Peterson, a segunda melhor surfista do mundo, disse estar «incrivelmente honrada por fazer parte do surf e orgulhosa do rumo que o desporto está a tomar». Já a surfista Carissa Moore falou em «dia monumental para o surf e para as mulheres».

Também Kelly Slater, por 11 vezes campeão mundial de surf, demonstrou estar bastante satisfeito com a introdução desta nova medida. «As mulheres e a competição feminina merecem esta mudança. As atletas femininas comprometem-se de igual forma com o surf e devem receber os mesmos prémios.»

O anúncio desta medida coincidiu com a apresentação do calendário do circuito mundial para o próximo ano, que passará por Peniche de 16 a 28 de outubro, seis meses após o arranque da competição, em Gold Coast, na Austrália.