Romances Que Contam a História de Portugal Com Um Bocadinho de Ficção À Mistura

Uma viagem através de páginas de oito livros. Por: ELLE Portugal Imagens: © Wook.

A cada segundo que passa, uma linha de tinta é adicionada ao livro da História de Portugal (e do Mundo). Agora, mais de 840 anos depois de emitido o documento que oficializava a fundação de Portugal e confirmava a independência do Reino de Leão, a bula Manifestis Probatum, milhares de palavras foram escritas para narrar cada porção desta. Quase tantas quanto as que deram vida a dezenas de livros sobre alguns dos maiores marcos das vidas dos portugueses.

Celebrando o 10 de junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, reunimos oito romances sobre diferentes fases da história do país – desde o início de Portugal enquanto Nação até ao final da guerra colonial – para relembrar alguns dos momentos mais relevantes da nossa história, sem ter de ir buscar os manuais escolares.

D. Teresa, de Isabel Stilwell

O nome de Isabel Stilwell é incontornável quando o tema é romances históricos sobre protagonistas femininas que marcaram a história de Portugal. Por isso, sim, era obrigatório que uma obra da autora fizesse parte desta lista. D. Teresa transpõe a vida da mãe do primeiro rei português, D. Afonso Henriques, para o papel, numa prova de que esta é uma das personagens mais subvalorizadas da história do país. Como é possível ler na sinopse, «pelo Condado Portucalense confrontou a meia-irmã e rival Rainha Urraca de Castela, o pai, a igreja Católica, os nobres portucalenses e até mesmo o seu próprio filho D. Afonso Henriques, na lendária Batalha de São Mamede, em 1128», mostrando a sua força e coragem.

 

A Trança de Inês, de Rosa Lobato de Faria

A fronteira entre lenda e história é muito ténue quando falamos da paixão de Pedro e Inês. E é exatamente essa linha subtil que a escritora explora em A Trança de Inês. Em encontros e desencontros entre o mito e a realidade, Rosa Lobato Faria traz uma nova perspetiva deste clássico, enquanto aborda a intemporalidade do amor ao longo do passado, presente e futuro, nos quais dividiu a obra. O ponto de encontro entre estes três tempos são, não só as personagens, como o destino fatídico: Inês de Castro morre sempre e o rei D. Pedro sofre sempre.

Este romance foi, em 2018, adaptado ao grande ecrã, no qual Diogo Amaral e Joana de Verona contracenam.

 

A Rainha Perfeitíssima, de Paula Veiga

«Esta é a história de Leonor de Lencastre, a mais culta e rica das rainhas portuguesas. E também a mais trágica». É assim apresentado, de imediato, na capa, o que lerá nas 252 páginas deste livro. Passada durante o século de ouro dos descobrimentos, a narrativa relembra o caráter solidário da Rainha que instituiu a primeira Misericórdia, a Misericórdia de Lisboa, e procurou construir uma série de instituições de apoio aos mais desfavorecidos, além de ter ajudado a impulsionar as artes e letras no país. A par disso, Paula Veiga descreve o casamento (infeliz) com D. João II, as mortes do irmão e filho e, ainda, como o marido tentou que o fruto de uma relação extraconjugal fosse seu sucessor.

 

Memorial do Convento, de José Saramago

A história dispensa apresentações, ou não teria esta feito parte da lista de leitura obrigatória do ensino secundário e sido alvo de avaliação em vários exames nacionais de Português, de 12º ano. Ainda assim, muitos não tiveram de o ler na escola e, por isso, possivelmente, adiaram a oportunidade de o conhecer. Até agora. Tendo em conta que descreve os contrastes entre a vida de exuberância da corte, na altura em que era D. João V quem reinava em Portugal, e a miséria do povo, deve ganhar um lugar de destaque na sua mesinha de cabeceira, especialmente neste 10 de junho.

 

Os Távoras, de Maria João Fialho Gouveia

Da perspetiva de duas personagens femininas, uma tia e uma sobrinha (que, ao mesmo tempo, eram cunhadas) da família Távora, a autora conta uma das versões – a que a maioria dos investigadores acreditam ser verdade – da história dos Távoras, dando espaço para a ficção. Ainda que um romance, este não deixa de culminar no verídico final trágico, em que o bom nome da Casa é colocado em causa e os seus membros presos, torturados e condenados à morte. A razão? Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado na altura (e, agora, conhecido como Marquês de Pombal), culpou-os de tentar matar, em 1758, o rei D. José I.

Terra Queimada, de Eduardo Gomes

As invasões francesas dão o mote a esta obra. Aliás, é, na verdade, a resistência portuguesa, que uniu grupos de classes, ideologias e perspetivas do mundo diferentes – o que denota a gravidade desta luta -, às invasões napoleónicas que serve como ponto de partida para esta. É com esse cenário de fundo que o autor deu vida a diversas personagens ficcionais que ajudam a contar a história, a partir da vila de Almeida.

Enquanto Salazar dormia, de Domingos Amaral

A realidade na cidade de Lisboa durante a ditadura serve de pano de fundo para uma história que envolve espiões e o desmantelamento de redes de espionagem nazis. Tudo isto «enquanto Salazar dormia», como dizia ironicamente Michael, amigo do protagonista, Jack Gil Mascarenhas. Um lado da História que não vem nos manuais mas que, mesmo assim, não é menos verdade.

O Anjo Branco, de José Rodrigues dos Santos

São vários os livros do escritor e jornalista que misturam ficção e realidade e abordam a temática da guerra, ou não teria sido este repórter de guerra. Este é uma dessas obras. Com a guerra colonial como fio condutor, a narrativa é inspirada na vida do pai, médico em Moçambique que, apercebendo-se dos problemas sanitários em vários pontos do país, decidiu criar o Serviço Médico Aéreo. Em O Anjo Branco, José Rodrigues dos Santos conta como este conseguia dar apoio às populações e as dificuldades que encontrou pelo caminho, resultado da violência vivida na década de 60.