Oito Marcas Portuguesas Que Apostam Na Sustentabilidade

Há uma série de marcas portuguesas que decidiram apostar na máxima da sustentabilidade. Por: Rossana Mendes Fonseca -- Imagens: ©Instagram @naz.fashion @adanielapontofinal @insaneintherain @paparina.swimlingerie @conscious_swimwear @balluta.shoes @zouriveganshoes @cuscuzdesign

Já dizia Lavoisier que «na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma». Quando a sustentabilidade é uma das buzz words da sociedade contemporânea, é porque os nossos modos de vida e de consumo estão mesmo a precisar de mudar. Se calhar está na altura de aplicarmos a máxima do químico francês que vê na transformação da matéria o processo de renovação da própria natureza.

A indústria da moda é das mais poluentes do mundo. Falar de sustentabilidade no fabrico de roupa, de calçado e acessórios, é falar de materiais naturais ou reciclados, processos de baixo consumo de água, pouco poluentes, qualidade e durabilidade das peças fabricadas. Mas também de mercado justo e condições de trabalho.

Não só é importante pensar nos materiais com que serão feitos os novos objetos que virão para o mundo. Temos também que pensar o que podemos fazer com aqueles que já aqui andam e são dificílimos de dissipar na natureza. É ainda uma preocupação que as peças fabricadas sejam de qualidade para que possam durar mais, idealmente uma vida, e portanto reduzir o consumo.

Este consumo e produção conscientes não servirá apenas para reduzir a poluição. Servirá igualmente para o crescimento e consciencialização da importância das boas condições de trabalho e salário justo para aqueles que estão na cadeia de produção. No geral, trata-se de pensar uma produção e consumo mais conscientes.

Apresentamos-lhe algumas marcas portuguesas, de estilos e proveniências distintas, e que tendo em consideração algumas destas variáveis, colocaram em ação soluções muito curiosas e interessantes.

sustentabilidade

Näz

A Näz é a marca de roupa de Cristiana Costa. A sua proposta consiste em peças com linhas minimalistas, tecidos orgânicos e com o selo de fabrico nacional. A marca nasceu em 2016, mas só em 2017 é que começou a produzir para lojas.

As peças de roupa vão desde casacos de linho a camisas em fibra liocel, para homem e mulher. São sobretudo monocromáticas, em tons suaves e com cortes simples, rectos e relaxados, de inspiração japonesa. A designer lisboeta trabalha com pequenas fábricas nacionais, acompanhando o processo de produção das peças.

No site da marca, podemos encontrar as informação relativas aos materiais e ao local de fabrico de cada peça. Estão também disponíveis dicas de cuidado a ter com os tecidos e com o próprio ambiente.

sustentabilidade

Daniela. 

Daniela Duarte é a autora de uma série de peças de roupa com cores e padrões vibrantes. Todas as peças podem ser para homem ou mulher e são absolutamente únicas. Com atelier no Porto, a criadora que se auto-intitula de slowmaker, desenha e produz com mestria as próprias peças.

A obra de Daniela evidencia a preocupação presente na apresentação da sua página online, «o que fazer com o que já existe?». Reutilizando fragmentos de tecidos dos mais variados padrões e cores, combina-os das formas mais ousadas e menos minimalistas. Assim, impede que restos de tecido, que na sua maioria não são de origem natural, permaneçam no mundo como objetos poluentes.

A coleção conta com casacos, calções, vestidos, lenços e, mais recentemente, peças de criança. Mas a protagonista de Daniela. foi sempre a camisa, onde a ousadia na combinação de padrões e cores se faz realmente notar. É Daniela (ponto final).

sustentabilidade

Insane In The Rain

Apesar do nome inglês, esta marca de casacos para a chuva, com cores e padrões mais clássicos ou mais irreverentes, tem sede nacional. Hannah Edwards é sua a criadora e vive em Lisboa.

O fabrico das peças é feito em Taiwan, a partir de um processo que transforma o plástico convencional das garrafas em matéria têxtil. A coleção é unissexo e tem peças para adulto e para criança, sendo que para cada peça são recicladas entre 17 a 23 garrafas de plástico.

sustentabilidade

Paparina

Antes do produto, uma das grandes preocupações da Paparina é o consumidor. A marca é desenhada e fabricada em Portugal, em Setúbal. Produz swimwear e lingerie adaptável e confortável para todos os tipos e tamanhos de corpos. Mas para que tal seja possível, a escolha dos materiais é essencial.

Os biquinis e fatos de banho são feitos com um tipo de lycra ajustável e resistente. Este material resistente faz com que não sejam precisos suportes de copas ou arames. As alças também têm diferentes espessuras e comprimentos ajustáveis.

As peças de lingerie são compostas por desperdícios de fábricas. Não só a escolha de materiais faz das peças exclusivas. O facto da marca aceitar provas nas lojas ou no atelier em Setúbal faz das peças personalizáveis para cada cliente.

sustentabilidade

Conscious Swimwear

Esta marca de swimwear vai tornar o caminho para o verão ainda mais leve. Acabada de se lançar no mercado, a Conscious Swimwear usa o econyl. Este material é uma fibra de nylon fabricada a partir de resíduos plásticos recolhidos de praias, sobretudo redes de pesca.

Joana Silva, a criadora da marca portuguesa, optou por uma produção reduzida de modo a poder acompanhar todo o processo de fabrico, que é manual.

Os biquinis caracterizam-se por terem um design bastante simples, com cores e padrões desenhados pela marca. Cada parte do biquini pode ser comprada individualmente. O que, segundo a marca, leva o cliente a comprar apenas o que precisa. Oferecendo-lhe também uma série de possibilidades de combinação das peças.

sustentabilidade

Balluta

Da autoria de Catarina Pedroso, defensora dos direitos dos animais, a Balluta é uma marca de calçado vegan desenhada e produzida em Portugal. A criação de sapatos para todas as ocasiões, desde mules a botas, inclui a preocupação com uma economia circular. A vontade de experimentar com uma série de materiais alternativos apela a uma forma de vida mais sustentável.

A Balluta tem um manifesto, presente no site da marca. Nele são enumeradas as caraterísticas e, consequentemente, os objetivos a que a marca se propõe. Afirmando-se como vegan, não usa quaisquer materiais de origem animal. Deste modo, investe numa constante procura de novos materiais naturais e amigos do ambiente.

Os têxteis têm certificação e produção na Europa, de modo a que sejam garantidas boas condições de produção e baixos níveis de desperdício. As peles são vegan e os metais não têm níquel.

O design dos sapatos pretende ser intemporal e trans-sazonal de modo a que possam ser usados em qualquer situação ou parte do mundo. Mas também para que possam ter uma vida duradoura numa mesma casa.

Relativamente ao fabrico das peças é feito numa fábrica familiar no norte do país, em S. João da Madeira. Assim, a marca consegue acompanhar e garantir condições de trabalho e fabrico transparentes.

Como nota adicional, até as caixas dos sapatos e os cartões de visita são feitas a partir de papel reciclado.

sustentabilidade

Zouri

A Zouri é uma marca de calçado vegan do norte de Portugal, que nasceu em 2017. Começou por lançar uma coleção de sandálias, migrando mais recentemente para a linha de ténis. O projeto de Adriana Mano, a criadora da marca, pretende aliar dois elementos importantes ligados à sustentabilidade: a utilização de materiais orgânicos e reciclados e a produção local.

Todos os ténis da coleção têm a sola feita de borracha natural que, pela sua transparência deixa ver os pedaços de plástico incrustados. Este plástico é fruto de várias iniciativas de recolha de lixo das praias do norte do país. No site da marca, é referido que cada par reutiliza o equivalente a 6 garrafas de plástico. O corpo dos ténis ou é de algodão orgânico certificado ou de piñatex, que é um material inovador à base de folhas de ananás.

A preocupação ambiental associa-se ao interesse num comércio justo e equitativo. O fabrico das peças é feito em Guimarães. Cada par de sapatos vem com informação relativa aos materiais usados, o nome das pessoas que o fizeram, bem como a quantidade de plástico e o lugar de onde foi recolhido.

sustentabilidade

Cuscuz

A Cuscuz define-se como uma marca unissexo de acessórios de moda e design que aposta na sustentabilidade. No entanto, por agora, esta marca portuguesa só tem óculos de sol.

A designer da marca, Ana Mendes, começou este negócio familiar em 2015, enquanto estudava ainda design. O que lhe valeu uma série de colaborações e experimentações com designers de moda, cujas coleções eram complementadas por estes acessórios. Mas, se o desenho das peças pertence à jovem designer, a manufatura fica a cargo do seu pai, com quem abriu uma carpintaria em Coimbra.

A Cuscuz tem como ideias de base o upcycling e o slow movement. Upcycling é o processo que leva o termo reciclagem para um novo patamar. Consiste no reaproveitamento criativo e limpo de matéria que já não é utilizada, com o consequente prolongamento do seu ciclo de vida. Slow movement define-se pela a valorização de um processo de criação e manufactura mais demorado para cada produto.

Os óculos da Cuscuz assentam na reutilização  de desperdícios de madeiras provenientes de todo o lado. São produzidos artesanalmente e, portanto, cada par é único. No site da marca, os clientes podem personalizar o seu par. Começam por escolher a forma da armação, e depois a sua cor e textura, e finalmente as lentes.