Só Este Ano, Já Foram Assassinadas 21 Mulheres Devido a Violência Doméstica

Segundo o observatório da UMAR, o número de femicídios até à data já iguala o número total de 2017. Por: Cátia Pereira Matos -- Imagem: © GTRESONLINE.

Em Portugal, desde o início do ano, já foram assassinadas 21 mulheres em contexto de violência doméstica e relações de intimidade. O número, referente ao período de 1 de janeiro a 12 de setembro de 2018, foi divulgado esta semana à agência Lusa e pertence ao Observatório das Mulheres Assassinadas da associação feminista União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

Já por si alarmante, este número revela uma dimensão mais aterradora dos femicídios quando comparado com o número total de mulheres que, no ano passado, foram assassinadas por ex namorados/as, atuais companheiros/as ou familiares próximos. Tudo porque a três meses do fim de 2018, o número de vítimas mortais por violência doméstica este ano já iguala o número total de vítimas de 2017.

«Ainda é cedo para falarmos do número total, mas já temos confirmadas 21 mulheres [assassinadas] e isso é brutal, tendo em conta que estamos em setembro e já temos o mesmo nível de mortes do ano passado», revelou à Lusa Elisabete Brasil, diretora executiva da UMAR para a área da violência de género, citada pelo Diário de Notícias.

Até ao final do ano existe uma grande possibilidade de este número de mulheres assassinadas vir a aumentar, não só pelos meses que ainda estão pela frente, mas também porque, de momento, estão sete casos por confirmar. A UMAR encontra-se a analisar se essas sete ocorrências são ou não consideradas femicídios.

Femicídios mais violentos

Ainda de acordo com o Observatório das Mulheres Assassinadas, o sofrimento infligido às vítimas é maior. Por outras palavras: os femicídios estão cada vez mais violentos. «Este ano foi o primeiro ano em que só houve [morte por] arma de fogo numa situação; as outras são todas por esfaqueamento, asfixia. Pela primeira vez nestes 15 anos surge o tiro esporádico e as outras formas, que são muito brutais, que agride, espanca, tortura, é de uma agressividade e brutalidade», apontou à Lusa a mesma responsável da UMAR.

Tais conclusões levam a associação feminista a classificar estas mortes como crimes de ódio e de tortura. «É uma tortura para matar as mulheres. É uma das grandes novidades este ano, a tortura como forma de as matar. Estratégias de guerrilha e tortura conjugadas», afirmou Elisabete Silva.

Os números de 2017

Dados divulgados em novembro do ano passado davam conta de 18 mulheres assassinadas e apontavam para uma diminuição na incidência de femicídio. No relatório com os números finais acabaram por ser contabilizados 20 casos. A 21ª morte só foi contabilizada posteriormente, depois de o Observatório das Mulheres Assassinadas confirmar o contexto e o autor do crime.

O observatório da UMAR apurou ainda que 28 mulheres foram vítimas de tentativa de femicídio, sendo que em 54% desses casos foi reportada uma história de violência na relação.