Málaga: O Novo Destino Cultural de Espanha Que Tem de Conhecer

O melhor desta cidade andaluza é o que não se espera dela. Por: Lorena G. Díaz Imagens: ©

Que Málaga é bela em forma e em conteúdo não é segredo no país vizinho. A capital da Costa do Sol é muito mais do que Picasso, Antonio Banderas, uma Semana Santa declarada como Interesse Turístico Internacional, um festival de cinema com cada vez mais protagonismo ou o prazer de comer espetadas num chiringuito de praia. Apesar de que tudo o que acabámos de mencionar ser suficiente para ser considerada um tesouro nacional, Málaga é ainda mais. Com 28 museus, é a segunda cidade espanhola, depois de Madrid, com mais oferta cultural, e as suas propostas em termos de lazer (comer, beber, sair) não lhe ficam atrás.

Málaga, a cidade onde s museus nascem como cogumelos

Málaga é, definitivamente, o novo destino cultural de Espanha. O crescente número de atrações culturais de que a cidade dispõe assim o demonstra. Nos últimos dez anos, foram inaugurados mais de 20 museus, que incluem a Coleção do Museu Russo de São Petersburgo, o Museu Carmen Thyssen e o Centro de Arte Contemporânea. Um novo rumo para a cidade, que começou a mudar com a abertura do Museu Picasso Málaga, num palácio do século XVI, situado em pleno centro histórico. Picasso nasceu em Málaga, e aqui viveu com a sua família durante cerca de uma década. Atualmente, mais de 200 obras do pintor doadas pela família preenchem as históricas paredes do museu.

A uma agradável caminhada de distância do Museu Picasso encontra-se o Centro Pompidou, o primeiro fora de Paris, que abriu em Málaga em 2015. A sua silhueta em forma de cubo, facilmente reconhecível, transformou a identidade do porto, e os seus modernos espaços interiores permitem um percurso pela arte dos séculos XX e XXI, que inclui algumas das obras de arte contemporânea mais importantes do mundo, com destaque para Frida Kahlo, Francis Bacon, Marc Chagall e John Currin. Daqui passamos para um laboratório de tendências que engloba graffiti, pintura, escultura e fotografia. Falamos do Centro de Arte Contemporânea (CAC), um espaço por cujas salas passaram já artistas como Marina Abramovic, Andy Warhol e Banksy. Perto do CAC encontra‐se o Google Art Project, onde se realizam mercados, atividades e concertos de rua, num espaço ao ar livre cheio de vida.

A rua que tem de conhecer

A relevância de Málaga no mundo da cultura é indiscutível, e a cidade continua a oferecer muita arte além da que está nas paredes dos seus museus mais representativos. A famosa Rua Larios, uma das que fazem latejar o coração da cidade, é disso um bom exemplo. Esta artéria nevrálgica, repleta de lojas, restaurantes e animação, separa a parte antiga e a zona mais moderna da cidade, sendo quase obrigatório percorrê‐la, contemplando os seus edifícios de estilo neoclássico, para chegar à Plaza de la Constitución, um recanto de Málaga onde tudo acontece, onde as crianças jogam à bola e os jovens desfrutam de umas cañas entre amigos.

Partindo desta praça, o ideal é percorrer a Rua Pasaje de Chinitas em direção à Plaza del Obispo, para admirar a catedral, ícone religioso da cidade e obra de Diego de Siloé, considerada uma das joias renascentistas da Andaluzia. E como, na verdade, estamos numa das cidades mais antigas de Espanha – e mesmo da Europa –, ninguém pode deixar Málaga sem visitar a Alcazaba, ou o Teatro Romano com vistas para esta fortificação, que rodeia o Castelo de Gibralfaro. O esforço físico do passeio é largamente recompensado por uma das melhores vistas panorâmicas da cidade, merecedora de um post no Instagram.

Uma cidade para comer

A nobre arte do “tapeo“ não terá sido, provavelmente, inventada em Málaga, mas esta é, sem dúvida, uma das melhores cidades para a praticar. Tal como acontece com o ressurgimento no âmbito cultural, a cidade não fica para trás no que diz respeito à gastronomia. Málaga é uma cidade para foodies, e assim o demonstram locais como La Cosmopolita, uma das principais referências gastronómicas da cidade. Sob a direção de Dani Carnero, aqui se degusta o melhor do receituário malaguenho, à base de produtos de época e de proximidade, mas com um toque de originalidade. É, possivelmente, o facto de surpreender os comensais com pormenores como uma salada russa morna, o que mais atrai a sua clientela fiel, que descreve este restaurante malaguenho como um dos melhores da cidade. De regresso à rua Larios, a Casa Mira, que abriu as suas portas em 1890, é uma autêntica instituição. Aqui se podem degustar os melhores gelados artesanais de Málaga, e, dependendo da época do ano, o melhor turrón. As filas que se formam à porta deste local são consideráveis mas, como acontece muitas vezes na vida, a espera vale a pena.

Não podíamos referir-nos ao panorama gastronómico de Málaga sem mencionar o chef Dani García, um dos seus representantes mais internacionais. Recentemente premiado com a terceira estrela Michelin, o seu espaço, Dani García Restaurante, oferece uma cozinha criativa, com a sua marca pessoal, através de menus com nomes como Madre, e onde Dani García consegue plasmar a tradição herdada dos seus antepassados e a sabedoria dos receituários populares andaluzes. Na opinião do chef, «Málaga vive o seu melhor momento gastronómico, sobretudo se compararmos com quando, há 19 anos, me atribuíram pela primeira vez uma estrela Michelin, e isto era um deserto». Mas García faz questão de destacar que «Não se trata apenas de alta cozinha, aqui existem restaurantes de nível médio e médio-alto que são maravilhosos, com gente que faz um trabalho fantástico. Málaga está, sem dúvida, a passar por um momento delicioso». García, que chegou ao topo do mundo da gastronomia com as suas três estrelas Michelin, anunciou, pouco depois de as conseguir que brevemente encerraria o seu restaurante para desenvolver um conceito gastronómico mais abrangente, dirigido a todos os públicos e para todas as bolsas.

Dormir num dos melhores hotéis do mundo

Com todo o sabor andaluz imaginável, embora desta vez em sentido figurado, Málaga é também morada de um dos melhores exemplos da hotelaria mundial de luxo, o hotel Finca Cortesín. A meio caminho entre Marbella e Sotogrande, Finca Cortesín é um desses refúgios cosmopolitas situados em pleno campo, que reflete perfeitamente o savoir faire andaluz, combinando o luxo mais refinado com uma hospitalidade reconhecida em todo o mundo. Os conceituados arquitetos Roger Torras e Ignacio Serra foram os responsáveis pelo projeto deste hotel de luxo perfeito para comer bem, descansar e, sobretudo, sonhar. O resultado final reflete bem a aposta na arquitetura tradicional andaluza, com um toque de atualidade, numa sucessão de salões, corredores, pátios e recantos de grande exuberância decorativa, com um mobiliário sofisticado, e um ambiente onde se respira bom gosto. Um total de 67 suites, com detalhes de luxo (e não se trata aqui de uma frase feita) e vistas para os exuberantes jardins – obra do célebre arquiteto paisagista Gerald Huhgan – fazem o resto. Classificado como um dos 50 melhores hotéis do mundo, existem muito poucos estabelecimentos hoteleiros como Finca Cortesín, tanto em Espanha como no resto do mundo. Mas o que torna tão especial este estabelecimento exclusivo, situado a curta distância do Mediterrâneo? A resposta é simples: o ter conseguido converter-se num destino em si mesmo, num lugar de peregrinação para os amantes do que há de melhor na vida, símbolo de exclusividade, bom atendimento, excelente gastronomia e incomparável descanso.

Mas ainda há mais. A paixão pela excelência também está presente, como não podia deixar de ser, na sua cozinha. Jardín de Lutz, Don Giovanni e Kabuki Raw (este último com uma estrela Michelin) são os três expoentes gastronómicos da Finca Cortesín. Todos eles brilham com luz própria sob um denominador comum: a qualidade dos produtos. Com uma oferta de gastronomia espanhola, italiana e japonesa, respetivamente, estes três restaurantes prometem, e oferecem, uma experiência gastronómica sem rival, complementada por um serviço irrepreensível.

 

 

Este artigo foi originalmente publicado na revista ELLE de outubro de 2019.