#ELLEstaylocal: Studioneves, A Marca Com Cerâmicas Em Restaurantes De Renome

O Alma, do chef Henrique Sá Pessoa, é apenas um dos locais onde pode encontrar as peças. Por: ELLE Portugal Imagens: © Manuel Manso e Luís Ferraz.

Tinham uma vida estável, mas os seus corações não pareciam completos. Foi assim que Alex Hell e Gabi Neves, um casal brasileiro, decidiu deixar o seu antigo trabalho para trás e tentar alcançar os seus sonhos. Conseguiram-no, com a Studioneves, que fundaram em agosto de 2010. Desde aí, têm criado peças em cerâmica que já chegaram a diversos restaurantes com estrelas Michelin, como o português Alma, do chef Henrique Sá Pessoa.

Alex Hell e Gabi Neves, fundadores da Studioneves

O que vos levou a criar este projeto?

Criámos este projeto com o objetivo de encontrar algo que fizesse sentido nas nossas vidas. Trabalhávamos numa agência de publicidade, com boa remuneração e status social, mas aquilo não nos tocava no coração. Tínhamos a sensação de que um trabalho, para ser perene nas nossas vidas, o prazer tinha que vir de dentro para fora e não o contrário. Abandonámos tudo e fomos em busca dos nossos sonhos. Descobrimos que o processo dessa busca é a verdadeira fonte da felicidade, pois a cerâmica deixa isso muito explícito; é um ofício que existe há mais de 8.000 anos, mas é extremamente plural, permite novas descobertas todos os dias.

Qual é a história por trás do nome?

A Gabi Neves é designer e eu (Alex Hell) sou da Comunicação Social e fui-me tornando ceramista aos poucos. Hoje, não me imagino a fazer mais nada profissionalmente que não seja dentro do atelier, mas, se não fosse por ela, o projeto de um atelier de cerâmica não seria possível.

O atelier tem dois fundadores, dois amantes incondicionais da cerâmica, mas o nome do estúdio tem o nome da pessoa que eu mais admiro no mundo, que é a Gabi. Chama-se Studioneves em homenagem a ela.

O que foi mais complicado no processo de criar uma marca?

O mais complicado foi definir o posicionamento da marca. Em qualquer área de atuação, se uma empresa se destina a fazer tudo, ela acaba por ser conhecida por não fazer nada de forma relevante. E isso não quer dizer que a empresa efetivamente não faça algo realmente bem feito, mas existe algo no universo do mercado chamado posicionamento, que basicamente é o lugar em que a marca se situa na cabeça no consumidor.

Sabíamos, por teoria, que se fôssemos tornar-nos ceramistas, uma prática tão vasta, tínhamos que nos especializar de alguma forma. E, como a gastronomia sempre esteve tão presente nas nossas vidas, decidimos que não faríamos vasos, bancos,
cinzeiros, etc, e só faríamos pratos. Desta maneira, quando o consumidor pensasse em pratos de cerâmica pensaria na Studioneves. Deu certo.

 

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Qual foi a razão para nunca desistirem?

Depois de mais de dez anos na cerâmica, podemos dizer que essa é a nossa vida e que tudo o que veio antes da cerâmica pertence a um passado quase remoto, quase outra vida. E quando se mergulha nessa «nova vida» de cabeça, junto com a sua esposa, podemos dizer que a pressão aumenta um pouco mais – são os dois dedicados à mesma profissão, à mesma empresa e dar errado não é um opção, ainda mais quando se tem filhos que dependem de nós.

Podemos dizer que nunca desistimos, pois isso nunca passou pelas nossas cabeças. Somos prisioneiros do nosso ofício por vontade própria, entregues de corpo e alma.

Qual foi o melhor momento ou história da marca até hoje?

A maior vitória de modo geral é estar vivo, como empresa, depois conseguir a aceitação do nosso trabalho com a cerâmica artesanal, num país como o Brasil que que ainda não conhecia o potencial daquela arte como prática profissional.

Não foi fácil convencer familiares e o mercado que a cerâmica artesanal tem sim o seu valor e pode ser tão boa quanto, e até melhor que o produto industrial.

Trocar a vida de publicitários de sucesso pela cerâmica não foi nada fácil, em muitos sentidos, mas cá estamos, mais de dez anos depois. Vitória!

Como é que a vossa marca faz a diferença?

Tudo começa pelas pessoas, somos uma marca humana, de alma, de sentimentos e de preocupações. E desse conjunto de pessoas envolvidas na produção, do desejo de melhoria continua, do amor pelo nosso trabalho, da preocupação com os nossos funcionários e com o meio ambiente, tudo isso, traduzido na forma de um prato, ou na maioria das vezes de uma simples moldura para a arte de um chef de cozinha.

Acreditamos que cerâmica faz parte de algo maior. É um prática ancestral, de mais de 8.000 anos, que ao mesmo tempo é atual e tem potencial de ser ainda muita coisa que nunca foi. E essa é a nossa busca, pela contínua evolução da cerâmica, da prática em si assim como das pessoas envolvidas.

O que ainda falta conquistar?

A dificuldade de trocar de país e começar tudo de novo depois de ter conseguido a primeira vitória no Brasil não foi fácil. Exigiu muito mais energia que havíamos imaginado. Arrisco dizer que, se alguém nos tivesse dito como seria, talvez não teríamos vindo. Mas essa é a marca forte do Studio; muitas coisas que já nos disseram que seria impossível fomos lá e fizemos, muitas vezes na ignorância, para nossa sorte.

Mas não acho que esse foi o nosso maior desafio ainda. O maior está à frente. A nossa prioridade neste momento é a sustentabilidade. Queremos tornar o Studioneves no atelier de cerâmica mais verde possível e para isso estamos a encontrar muitas resistências. Acreditamos piamente que a pandemia é um sinal que o planeta está a pedir um tempo, precisamos de parar de explorar copiosamente e começar de dar algo em troca, seja com uso de energias renováveis, dando uma segunda vida aos nossos produtos, reduzindo ou reciclando os nossos descartes… o desafio é grande, já nos disseram que é impossível, e é por isso que é preciso insistir, para fazer o máximo e convidar outros atelier fazerem também, pois «juntos somos mais forte» é o tipo de expressão que o planeta precisa neste momento.

 

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O que mais precisam neste momento para chegarem onde querem?

Gostaríamos que toda essa nossa preocupação desse origem a uma realidade melhor, mais ética, social e sustentável, para nós que acreditamos nessa mudança e para o nosso entorno. E que gerasse resultados positivos para outros ateliers que também acreditam no mesmo sonho.

Em definitivo, vemos no futuro o trabalho incessante em fazer os melhores pratos, sempre, todos os dias, pois é isso que viemos a fazer desde o início do Studioneves até hoje, e acredito que nunca irá mudar.

Quais os maiores motivos para comprar produto português?

O solo português é o melhor que há no mundo. Pelo lado da argila, é a que gera as peças de maior resistência mecânica que já vimos, e testamos muitas, de países como Alemanha, Inglaterra, Espanha, Estados Unidos e Brasil. A tradição portuguesa com a cerâmica gerou um acumulo de experiência ímpar dentro da Europa e essa história traduz-se em equipamentos e tecnologia de produção de altíssima qualidade e eficiência.

A parte da qualidade, o povo português é o mais simpático e caloroso da Europa e, só por isso, também merece um acréscimo de valor pelos seus produtos.

Que outra marca/espaço português que vos inspira e porquê?

O Projecto Matéria idealizado pelo chef João Rodrigues é uma ideia de se admirar e partilhar. Ele percorre todo o país, de norte a sul, em busca de pequenos produtores e artesão portugueses da mais alta qualidade, que dão origem aos produtos utilizados no seu renomado restaurante Feitora e os divulga numa página na internet inteiramente dedicada a esses pequenos produtores. Além disso, frequentemente, o chef realiza jantares a quatro ou a seis mãos, de forma a apresentar esses produtores a outros chefs, assim como ao público de comensais. É uma iniciativa sem fins lucrativos e de uma generosidade sem igual. Um projeto a ser enaltecido como grande incentivador do pequeno produtor português de alta qualidade.

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#ELLEstaylocal

Apoiar e dar conhecer projetos portugueses é a missão da rubrica #ELLEstaylocal. Acreditamos que hoje é mais importante, que nunca, comprar português. É importante não deixar que marcas de qualidade se percam na espuma da pandemia.

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